Cardeal acusa Vaticano de promover bispos apoiados pela China

O Vaticano repreendeu um cardeal de Hong Kong que acusou a Santa Sé de vender a Igreja Católica a Pequim por supostamente promover bispos apoiados pelo regime da China.

Apesar de uma relação melhor entre Pequim e Vaticano nos últimos anos, paralela ao aumento da população católica na China, os dois lados não chegam a um acordo sobre a que parte corresponde a ordenação de bispos.

O cardeal Joseph Zen, arcebispo emérito da região semiautônoma de Hong Kong, confirmou que um alto diplomata do Vaticano aposentou um antigo membro do clero para ceder o posto ao bispo Joseph Huang Bingzhang, nomeado sem o aval do papa e inclusive excomungado em 2011.

De acordo com informações da IstoÉ:

“Se acredito que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China? Sim, claramente”, afirmou Zen em uma carta aberta publicada no Facebook na segunda-feira, na qual indica que o governo comunista adotou “regras mais duras que limitam a liberdade religiosa”.

O cardeal também deu a entender que o papa Francisco não estava a par de uma decisão que não aprova, uma acusação rebatida na terça-feira pelo porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

O cardeal de Hong Kong visitou o Vaticano no início de janeiro para conversar sobre o assunto com o Papa. Segundo informações do IHU:

O Cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong e crítico das tentativas da Santa Sé que buscam uma reaproximação com a China, voou para Roma para uma reunião marcada às pressas com Francisco para discutir o caso de Dom Peter Zhuang, de 88 anos, que fora substituído por Dom Huang Bingzhang, excomungado em 2011 e que tem laços estreitos com o Partido Comunista.

Quando conversou sobre estes temas em audiência com o papa no dia 12 de janeiro, Zen disse que o papa teria advertido os seus assessores sobre o risco da “criação de um outro caso semelhante do Cardeal Mindszenty”.

Cardeal Jozef Mindszenty foi o arcebispo de Esztergom e chefe da Igreja Católica na Hungria que procurou asilo na embaixada americana em Budapeste após declarar oposição ao regime comunista. Mas, sob pressão do governo comunista, aSanta Sé lhe ordenou deixar o país em 1971 e renunciar ao cargo.

Nos últimos dias, o papa Francisco demonstrou interesse em visitar o gigante asiático.

O membro do clero, Pietro Parolin, disse em entrevista publicada no livro “Todos os homens de Francisco“:

As disposições do papa Francisco para o povo chinês são bem conhecidas: ele já expressou repetidamente de forma bem explícita a sua estima e seu puro desejo de, se possível, visitar a China.

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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