Casos de AIDS na Venezuela lembram os anos 1980

No maior centro de tratamento de HIV da Venezuela, quase todos os pacientes estão na mesma situação: contraíram infecções oportunistas, numa situação descrita por médicos como semelhante ou até pior do que três décadas atrás.

A situação de boa parte dos pacientes com HIV positivo hoje na Venezuela é semelhante ou talvez até pior do que 30, 35 anos atrás“, conta, sem medo de represálias, o chefe da clínica de HIV/AIDS do Universitário de Caracas, Martin Carballo.

Há cerca de dois anos, quando a crise venezuelana começou a ganhar contornos de tragédia humanitária com a queda repentina do preço do petróleo, o governo iniciou um lento, porém contínuo, processo de redução nas importações de medicamentos no país.

Os primeiros afetados foram os remédios mais simples, depois, antibióticos, anti-inflamatórios e medicinas de uso controlado. No ano passado, pacientes de doenças crônicas e que precisam de remédios de alto custo passaram a sofrer com o corte no fornecimento desses medicamentos.

Os pacientes com HIV tiveram os primeiros problemas na distribuição do coquetel ainda no fim de 2016, mas foi no ano passado que a situação se agravou de maneira crítica.

É uma tragédia, porque sem o coquetel essas pessoas terão como destino a morte, a letalidade é de 100% e neste momento estamos com algumas drogas em falta há mais de quatro meses, às vezes seis meses“, conta Carballo.

Há poucos meses os médicos do Universitário de Caracas entraram em um dilema ético importante. Alguns deles defendiam que não haveria porque receber novos pacientes de HIV em estado grave já que não havia tratamento para eles. Além da falta dos antirretrovirais, há escassez de absolutamente tudo no hospital: de coisas tão simples quanto luvas ou agulhas, até antibióticos ou analgésicos.

 

Com informações de: [BOL]
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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