A realidade sobre a vida na Hungria que a grande mídia omite

Idiomas:

Português   English   Español
A realidade sobre a vida na Hungria que a grande mídia omite
JOÃO GUILHERME
JOÃO GUILHERME
Estudante e interessado em política, história e religião.

Uma estudante brasileira, que mora no país do Leste Europeu compartilha experiências, conta as diferenças culturais e mostra a qualidade de vida na Hungria.

Littieri Lamb, ou Littyh, de 26 anos, é uma brasileira do interior do Rio Grande do Sul que estuda na Hungria. Com formação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, a URI, ela participou do programa Ciência sem Fronteiras enquanto estava na graduação e estudou na Hungria por um ano e dois meses, na Budapest University of Technology and Economics, uma das melhores Universidades do mundo.

A Hungria, país que está na lista-negra dos jornais e jornalistas ao redor do mundo por conta de seu primeiro-ministro supostamente “ultra nacionalista, anti-democrático e de extrema-direita”, Viktor Orbán, se mostrou mais acolhedora do que o esperado e fez com que a jovem quisesse voltar à Europa.

Após ficar três anos no Brasil, Littyh deu entrada no programa Stipendium Hungaricum, oferecido pelo governo húngaro. Hoje, aprovada na seleção, estuda Architectural Engineering na mesma Universidade em que estudou durante parte da sua graduação.

“Naquele momento eu era uma intercambista e pude fazer diversas matérias eletivas que complementaram meu currículo e trouxeram um novo valor à minha vida profissional. Mas a volta é sempre diferente, porque as situações mudam. Hoje sou estudante de mestrado em tempo integral, as exigências são maiores e o tempo que tenho que dedicar aos estudos é diferente. Até as demandas dos professores são mais puxadas nesta nova etapa. O curso de Arquitetura é bom, mas difícil e trabalhoso. A BME está ranqueada entre as melhores universidades do mundo”, conta a jovem estudante ao jornal “Estadão“.

O Stipendium Hungaricum é um programa de bolsas realizado em parceria com o Brasil e é suficiente para arcar com as necessidades básicas, mas o visto de estudante oferece aos alunos a possibilidade de trabalharem 24 horas por semana. “Difícil é conseguir um emprego sem falar húngaro, idioma que como eles mesmos dizem, é a única língua que o diabo respeita”, conta Littyh.

De acordo com ela, o fator que mais a impactou é a diferença na qualidade da segurança. Enquanto, em outros países, estudantes brasileiras chegam a ser mortas por forças nacionais, Littyh tece elogios à Hungria:

“No Brasil é difícil sair à noite sem sentir medo. O transporte público em Budapeste é muito bom e funciona bem. Não importa a hora, você vai aos lugares com tranquilidade. As relações pessoais são muito boas também. Aqui você sai com os seus amigos e acaba interagindo com eles e com as outras pessoas que estão nos lugares, ampliando seu grupo e fazendo uma troca cultural bem intensa. O clima frio para mim, que vim do sul do Brasil, não faz diferença, mas percebo que para outros brasileiros que vêm de regiões mais quentes isso é bem difícil.”

Outro aspecto cultural que favorece a estadia no país é a receptividade, além da possibilidade de encontrar grupos de brasileiros por lá. A estudante continua:

“Eu sinto saudades. Meus pais estão lá no Sul e por mais que falemos bastante, não é a mesma coisa que ao vivo. Mas a gente acaba criando uma ‘família’ por aqui, com colegas de vários países e a rede de bolsistas Stipendium. Os estudantes estrangeiros são atendidos desde o primeiro dia por um grupo de mentores que nos ajudam bastante e facilitam as interações com a cultura húngara.

Viver na Hungria é muito bom. Escolhi o país desde a primeira vez porque aqui há muita história e os húngaros têm uma identidade cultural bem coesa. Além disso, as cidades e as paisagens são lindas.

A Hungria é um país que recebe bem os brasileiros e gosta do nosso jeito de ser. Desde que, é claro, se mantenha um comportamento adequado e o entendimento que os códigos culturais são diferentes.”

No entanto, há alguns costumes brasileiros que precisam ser deixados para trás, como a (falta de) pontualidade e a mania de interrupção. Ela explica:

“Aqui, por exemplo, interromper uma pessoa que está falando não é bem visto, e nós temos esse hábito. Um outro comportamento brasileiro que não funciona é achar que com jeitinho é possível contornar as coisas. Na Hungria, sim é sim e não e não. Isso pode parecer rude para algumas pessoas, mas não é. A pontualidade é um outro tema bem complicado para brasileiros e árabes. No Brasil os alunos entram e saem da sala de aula quando querem. Aqui isso é impossível. Chegar tarde, mesmo que com um atraso de apenas dois minutos, é inaceitável. Eles prezam por uma organização e por uma estrutura que para os brasileiros é complicada. Exigem mesmo que os estudantes sejam bem focados em seus compromissos, tarefas e horários.”

Apesar do terror que é os jornais progressistas tentam passar, a Hungria segue o exemplo de outros países do Leste Europeu, como a Polônia, e mantém a qualidade de vida regulando quem merece ficar no país. A diferença é tanta que a estudante brasileira pretende procurar um trabalho quando se formar para tentar ficar na Hungria.

“As pessoas vêm pra cá e se apaixonam por Budapeste, pelo país e querem voltar. E não é à toa, a vida aqui é muito boa, fácil e tranquila. A maioria dos alunos que conheci no Ciências sem Fronteira ou já estão aqui de volta ou estão querendo retornar”, explica.

Newsletter RENOVA

Receba diariamente as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Curta e compartilhe esta notícia

Share on whatsapp
Share on telegram
Share on google
Share on pinterest
Share on linkedin
Share on email

Deixe seu comentário

Veja outras notícias em destaque