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Associação escreve carta contra nomeação de Weintraub ao Banco Mundial

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Associação escreve carta contra nomeação de Weintraub ao Banco Mundial
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Associação afirma que funcionários do Banco Mundial ficaram “profundamente perturbados” com declarações de Weintraub.

A Associação de Funcionários do Banco Mundial apresentou, nesta quarta-feira (24), um manifesto ao conselho de ética do órgão com críticas ao ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Após deixar o governo Jair Bolsonaro no dia 18 de junho, Weintraub foi indicado para um cargo de direção na instituição internacional. A nomeação, no entanto, precisa da chancela de outras 8 nações.

Na carta, os associados apontam que sabem que o ex-ministro já zombou do sotaque chinês e ainda culpou o país asiático pela pandemia. 

A associação pede ainda a suspensão da indicação até que Weintraub reveja algumas de suas declarações.

É importante destacar que o grupo representa os funcionários do organismo internacional, e não os acionistas do banco.

Confira abaixo a íntegra da carta divulgada por parte de funcionários do Banco Mundial:

“Carta Aberta ao Conselho sobre o novo diretor-executivo brasileiro 24 de junho de 2020 A carta a seguir foi enviada ao presidente e vice-presidente do Comitê de Ética do Conselho. Refere-se à recente nomeação pelo Brasil do Sr. Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, como diretor-executivo interino da EDS15 (Brasil, Colômbia, Filipinas, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Equador e Suriname).

* * *

Caros Sr. Schoenleitner e Sra. Shuaibu, A Associação dos Funcionários do Banco Mundial deseja chamar à atenção do Comitê de Ética da Diretoria o registro do Sr. Abraham Weintraub, que deve começar a trabalhar no Banco Mundial na qualidade de diretor-executivo interino da EDS.

Muitos funcionários ficaram profundamente perturbados ao saber o seguinte: De acordo com várias fontes, Weintraub publicou um tuíte de acusação racial que zomba do sotaque chinês, culpando a China pelo novo coronavírus e acusando-os de “dominação mundial”, levando o Supremo Tribunal Federal a abrir uma investigação sobre acusações de racismo (crime no Brasil). Weintraub sugeriu que os juízes da Suprema Corte fossem presos.

Weintraub deu declarações públicas contra a proteção dos direitos das minorias e a promoção da igualdade racial (seu último ato como ministro da Educação foi revogar diretrizes para promover cotas para afrodescendentes e povos indígenas no ensino superior). Ele já disse odiar o termo “povos indígenas”. Embora sua indicação tenha sido condenada por vários países clientes, a Associação dos Funcionários entende que a escolha deste diretor-executivo é do Brasil e somente do Brasil. Dito isto, podemos e devemos garantir que o comportamento e as ações de nossos membros efetivos modelem o Código de Conduta para Funcionários do Conselho —exigindo os mais altos padrões de integridade e ética em sua conduta pessoal e profissional— e alinhados com nossas políticas operacionais, como nossa política de povos indígenas.

Portanto, solicitamos formalmente ao Comitê de Ética que reveja os fatos subjacentes às múltiplas alegações, com vistas a (a) suspender sua indicação até que essas alegações possam ser revisadas e (b) garantir que o Sr. Weintraub seja avisado de que o tipo de comportamento pelo qual ele é acusado é totalmente inaceitável nesta instituição.

O Grupo Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição. Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do Conselho de expor o racismo onde quer que o vejamos. Confiamos que o Comitê de Ética do Conselho compartilhe essa visão e faremos tudo ao seu alcance para aplicá-la.

Atenciosamente,

Assembleia Delegada da Associação de Funcionários do Banco Mundial.”

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