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Beroso: sacerdote da Babilônia que fundou Escola de Astrologia na Grécia

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Beroso: fundador da primeira Escola de Astrologia do Ocidente
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O romano Vitrúvio relata que Beroso deixou a Babilônia e migrou para a Grécia.

A cidade da Babilônia estava localizada na Baixa Mesopotâmia, no vale pluvial, à margem do rio Eufrates, ao norte do atual Golfo Pérsico, numa região extremamente plana. 

Diversos autores que escreveram a respeito de Babilônia tiveram seus trabalhos preservados pelas transmissões do conteúdo por outras fontes ao longo dos milênios.

Entre esses autores está Beroso, um sacerdote de Bel, que viveu na Babilônia entre os séculos IV e III a.C..

Bel é um nome derivado da palavra semita “Baal”, que significa “senhor”.

Bel, que também é conhecido como Marduk, era considerado o principal deus da religião da Mesopotâmia e protetor da Babilônia.

Dessa forma, podemos dizer que Beroso fazia parte da elite urbana da Babilônia. O fato de ser um sacerdote dava credibilidade ao seu trabalho, visto que os gregos consideravam os sacerdotes orientais experts nas suas culturas nativas.

Reconstrução gráfica da cidade da Babilônia

QUEM FOI E ONDE VIVEU 

“Beroso, de acordo com o que registra no prefácio antes da Babyloniaka, surgiu na época de Alexandre, o amante de cavalos”, escreveu Jorge Syncellus, um eclesiástico do Império Bizantino que viveu entre os séculos VIII e IX d.C.

Apesar de não sabermos a data exata do nascimento e morte de Beroso, a informação acima coloca o sacerdote como contemporâneo de Alexandre, O Grande

A relação de Beroso com Esagila, um templo dedicado a Baal, o deus protetor da Babilônia, e a sua cônjuge, Sarpanitu, fica evidente pelo fato de Beroso se descrever com um sacerdote de Baal.

Era em Esagila que concentrava-se a vida “acadêmica” babilônica da época. Assim, Beroso fazia parte da atividade intelectual da Babilônia, tendo contato direto com textos antigos. 

A língua vernacular da época era o aramaico, mas Beroso também dominava o sumério e o acádico, que estavam presentes nos textos mesopotâmicos antigos.

Infelizmente não sabemos mais detalhes a respeito da vida de Beroso, pois tudo que temos a nossa disposição sobre a sua pessoa é fruto do seu próprio relato na sua única obra, a Babyloniaka.

Reconstrução do Templo de Esagila

ESCOLA DE ASTROLOGIA

Os primeiros fragmentos que conectam Beroso com o estudo da astrologia são provenientes de Vitrúvio, um escritor e arquiteto romano do século 1 a.C., que ficou conhecido pelo seu trabalho intitulado “De Architectura”.

Vitrúvio relata que Beroso, após escrever a “Babyloniaka”, deixou a Babilônia e migrou para a ilha de Cós, na Grécia, onde abriu uma escola para ensinar astrologia e astronomia.

Seneca e Pausânias também se refere a Beroso como um famoso astrólogo. 

É por este motivo que alguns estudiosos classificam Beroso com o pai da primeira Escola de Astrologia do Ocidente.

De acordo com um fragmento antigo¹ sobre Beroso:

“Beroso, que interpretou Baal, afirma que este curso compôs as constelações. Ele afirma tão certamente, que pode assinalar o tempo da conflagração e do dilúvio. A Terra irá queimar quando todos os planetas, que nos visitam no correr, convergirem em Câncer e possa uma linha fixa passar por todas as órbitas; acontecerão inundações quando os mesmos planetas em desordem convergirem em Capricórnio.”

Em outro fragmento, tomamos conhecimento que Beroso foi agraciado com uma estátua em Atenas por causa do seu conhecimento sobre astrologia:

“Vários incontáveis se distinguem em conhecimento completo, quem também entram em contato igual, mas existe um homem que é exemplo: na astrologia, Beroso, que por causa das predições divinas o público ateniense no ginásio fez uma estátua e cobriram com ouro a língua.”

Apesar de ser possível afirmar que Beroso mudara-se para a Grécia por ser requisitado por suas suas habilidades com astronomia e astrologia, outros estudiosos questionam essa informação.

Imagem recente da ilha de Cós, na Grécia

HISTÓRIA DA BABILÔNIA / BABYLONIAKA

A única obra de Beroso que temos conhecimento é uma das principais fontes de conhecimento sobre a Babilônia. 

“História da Babilônia” (Babyloniaka), que é composta por três livros, conta a história da Babilônia desde a criação até, aproximadamente, o reinado de Alexandre, o Grande (331 – 323 a.C.).

O primeiro livro conta a história do surgimento das primeiras formas de vida advindas da água e a batalha dos deuses.

No segundo livro a narrativa segue a forma das listas reais cuneiformes, exibindo a sequência de reis de antes do Dilúvio até Nabonassar.

O terceiro livro apresenta uma narrativa mais densa ao exibir fatos políticos e militares, que continua contando a história da cadeia dinástica de Nabonassar até Alexandre.

O trabalho de Beroso não foi uma mera tradução das tábuas escritas em cuneiforme, mas uma narrativa dessas histórias trabalhada de forma a se tornar compreensível aos leitores da Grécia

A obra é considerada um feito histórico, pois foi redigida por um sacerdote da Babilônia utilizando a língua, as formas, convenções e concepções de historiografia grega do período.

Judeus e depois cristãos viram na obra de Beroso a oportunidade de entrar em contato com histórias muito similares às da Bíblia.

Infelizmente, como muito do que foi escrito por Beroso perdeu-se ao longo do tempo, não é possível concluirmos o “real” propósito da Babyloniaka a partir das informações que temos disponíveis nos fragmentos.

Alexandre, O Grande
Referências: [1]
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