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Brasil enviará militares para missão da ONU no centro da África

Nos próximos meses, cerca de 750 militares brasileiros integrarão Missão de Paz da ONU na República Centro Africana, onde confrontos entre facções paramilitares já mataram milhares de pessoas e obrigaram cerca de 700 mil cidadãos a abandonar seus lares.

Dez militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica viajaram ao país africano, na semana passada, para uma operação prévia de reconhecimento. A informação foi passada com exclusividade ao Correio pelo general Ajax Porto Pinheiro, adjunto do gabinete do Comando do Exército e último comandante da missão de paz encerrada, no ano passado, no Haiti.

Segundo ele, faltam apenas uma discussão sobre custos operacionais e a autorização do Palácio do Planalto para que o envio da tropa seja formalizado. “A tendência é mesmo no sentido de o Brasil participar dessa missão de paz. Militares do Ministério da Defesa estão na República Centro Africana em operação de reconhecimento do terreno, onde o norte é subsaariano, com deserto; o centro é de savanas e o sul tem florestas e rios caudalosos”, afirmou o general.

“Sou favorável ao envio da tropa, porque o Brasil é um país de peso e não pode se furtar a agir em zonas conflagradas. A participação em uma missão de paz confere significativa projeção internacional ao país, além de favorecer que a tropa seja melhor treinada”, acrescentou.

A Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro Africana (Minusca) conta com cerca de 10 mil militares de diferentes países. As operações começaram no início de 2014, em meio a confrontos deflagrados com a deposição do presidente François Bozizé, agravados por uma disputa de cunho étnico e religioso entre cristãos e muçulmanos.

O convite oficial para a participação brasileira na missão foi feito pela ONU, em 22 de novembro do ano passado. Segundo o general Ajax, os militares brasileiros deverão enfrentar desafios muito maiores que no Haiti. “O grau de periculosidade na República Centro Africana é muito maior se comparado ao Haiti, pois são 10 grupos armados que combatem em um confronto entre muçulmanos e cristãos.

Também disputam poder e o acesso às riquezas minerais, principalmente o diamante, que é muito disputado naquele país”, disse o militar, acrescentando que, atualmente, as missões de paz da ONU de maior de risco estão na República Centro Africana, no Congo, no Sudão do Sul e no Mali. Neste último, as tropas enfrentam inimigos como militantes da rede terrorista Al-Qaeda.

 

Com informações de: [CorreioBraziliense]

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