OPINIÃO | Brasil: o país do futuro que nunca chegará

Não há um brasileiro minimamente consciente que não se fez esta pergunta: Qual o problema do Brasil?

A indagação é simples, porém, a resposta é complexa e, certamente exige algum preparo intelectual para ser respondida. Mesmo atendendo aos requisitos que o capacitem a responder a pergunta, ainda assim não é tarefa das mais simples. Os problemas da nação não são contemporâneos, o que vivemos hoje, é o reflexo de gerações seguidas que, simplesmente, não tiveram competência para construir um futuro próspero.

Claro, não seria eu hipócrita o suficiente de culpar os antepassados sem assumir a culpa que a geração atual também possui. O Brasil é um fracasso desde sua colonização, são inúmeros os erros cometidos, são inúmeros os atropelos criminosos que cometemos ao longo dos tempos. São tantos séculos de uma estupidez atroz que, é quase impossível achar a origem exata do problema sem se perder ao longo do caminho.

Por razões que fogem a minha compreensão — ainda que eu tenha certa ideia da razão — o brasileiro nunca deu importância para as coisas de sua terra. Ainda quando colônia de Portugal, nós jamais nos atemos a construir o mínimo patriotismo. Os primeiros colonizadores em sua maioria eram fracassados vindos de Portugal, pois, por lá, não eram bem vistos, uma boa solução foi trazê-los para o Ocidente. Os pioneiros deste solo — sem contar os índios — não tinham a menor identificação com o Brasil. Naturalmente mantinham seus costumes europeus e consideravam bom tudo o que fosse desde que viessem de fora da colônia. Assim foi se formando o Brasil, com seus inúmeros defeitos e poucas soluções. Demoramos a perceber que estávamos trilhando o caminho errado, estávamos indo na contra mão dos países civilizados. Os Estados Unidos, mesmo sendo colônia como o Brasil, já tinham a visão patriótica indispensável para a realização da formação de uma pátria. Alguns fatores fizeram dos Estados Unidos, uma colônia agrícola, o maior país do mundo moderno: patriotismo, religião e ensino.

Como se forma o patriotismo? Não há uma fórmula certa, para cada pessoa este sentimento nasce de forma única. Mas, existe um caminho, uma via pela qual se pode — ainda que artificialmente — produzir este sentimento fundamental para o futuro de um povo.

O ensino, o estudo da história, dos valores, das batalhas, dos hinos, dos cantos, dos homens que, verdadeiramente, fizeram com base em enorme sacrifício um bem substancial para todo o país. A literatura, a poesia, a prosa, os versos que contam a história do Brasil, de sua gente e seus costumes, que exalte nossa importância no mundo. O amor a coisas capitais e não em assuntos bobos, chulos, que em nada contribuem para o país e para a vida dos cidadãos. Conhecer a sua história, suas origens, sua cultura, é saber quem é você, e como poderá contribuir com a nação. Contribuir à nação não significa fazer sacrifícios heroicos, dar a vida pela pátria ou coisas do gênero. Podemos ajudar o Brasil apenas sendo pessoas conscientes. Ter consciência dos processos básicos políticos, por exemplo, já é ajudar o país. Não roubar, levar vantagens indevidas, enfim, ser uma pessoa boa.

Não havendo o sentimento patriótico advindo do conhecimento histórico e, tampouco, não adquirido através da literatura, o Brasil tornou-se um país perdido em si. Enquanto nós não nos encontrarmos na qualidade de nação, jamais teremos um futuro promissor, seremos quando muito, o famoso e eterno país do futuro. José Veríssimo em sua grande obra A Educação Nacional, já retratava horrorizado o total abandono do sistema de ensino do Brasil desde o tempo da monarquia passando pelo inicio da república (ano em que foi escrito o livro). Observem este fato histórico: o Brasil despreza a cultura desde o tempo da colônia, a burrice nacional está no DNA, passa de geração em geração. A falta de cultura é uma característica hereditária em nosso país.

Observem o trecho a seguir do livro A Educação Nacional:

O nosso sistema geral de instrução pública não merece de modo algum o nome de educação nacional. É em todos os ramos — primário, secundário e superior — apenas um acervo de matérias, amontoadas, ao menos nos dois primeiros, sem nexo ou lógica, e estranho completamente a qualquer concepção elevada da pátria.

A crítica ao sistema de ensino mostrado a pouco é do século XIX, desde este tempo e, muito antes, o povo carece da mais absoluta ausência cultural. E hoje, será que evoluímos nosso ensino? Como é e estão nossas escolas? Aprendemos com os erros do passado?

A falta de patriotismo, cultura e educação histórica afetam nossa percepção dos fatos diários. Demonstrei que o ensino deficitário não é uma realidade atual, mas, na verdade, uma consequência histórica advinda desde o Brasil colônia.

O país em termos de recursos naturais é uma potência mundial. Nosso solo é fértil, temos abundância em águas, o sol brilha o ano todo, minerais temos os mais diversos, entretanto o Brasil segue sendo um país de segunda categoria, nunca conseguiu impor perante o mundo a sua real grandeza. Parece que mesmo após a independência ainda temos o espírito colonial de apenas servir e nunca mandar. Estamos anestesiados com a falta de cultura, não temos nem a mais real percepção dos fatos como eles realmente são; o que conhecemos como cultura é na verdade algo tão vazio e totalmente fora de contexto que, para uma pessoa que tenha realmente contato com esta, soa estranho o que consideramos ser cultura. José Veríssimo considerava no século XIX o sistema de ensino brasileiro totalmente obsoleto e fora de propósito. Certamente ele tinha razão; homem de elevada cultura, amante dos livros, da ciência e das coisas da pátria, tinha propriedade e autoridade para fazer críticas e analises aprofundadas do extrato social e cultural do nosso povo. O que ele — e qualquer outro homem de sua época — seriam incapazes de imaginar, é o fato de o ensino nacional ter despencado em tudo o que a palavra ensino representa. Hoje o brasileiro fica doze anos de sua vida entre o ensino básico e médio, para no final do curso, sair sem saber absolutamente nada. Não estou tentando em nenhum aspecto ser sensacionalista ou porta-voz do caos, mas, os dados estatísticos dos órgãos do próprio governo não podem esconder o quão ruim é o ensino no país.

Avaliações de desempenho escolar internacionais sempre nos fazem perceber o quanto nosso país é mesquinho e pequeno (no sentindo cultural), uma vez que sempre estamos nas últimas colocações. O resultado é lógico: nossa juventude é burra, e por consequência, violenta e aberta a tudo que é ruim, superficial, esdrúxulo e promíscuo. Se colocarmos 1000 jovens entre sete e dezoito anos em uma sala, e perguntarmos a eles quantos têm o hábito de ler, seguramente menos de dez indivíduos erguerão as mãos em resposta afirmativa à pergunta. Poderíamos fazer outras séries de perguntas: Quantos estudam todos os dias após as aulas? Quantos sabem a tabuada de cor? Quantos sabem qual é a capital de Mato Grosso? Em que continente está localizado o Egito? Não seria surpresa se menos de 10% dos jovens acertassem todas as questões.

Com o advento do Marxismo Cultural o ensino já degradante passou a ser inexistente. Não estou exagerando em nada quando digo que no Brasil o ensino acabou. Não chegamos sequer perto do ideal para a formação de cidadão pleno. O que temos hoje nas escolas de todo o país é o mais absoluto caos no que se refere à educação. Professores militantes pregando o socialismo como um pastor ao falar da palavra de Cristo, acabam por fazer de nossos jovens pessoas com a mais completa distorção do mundo real. Junte o socialismo já citado com assuntos completamente fora do contexto escolar como racismo, feminismo, identidade de gênero, aula de sexualidade, história da guerrilha armada, redações com uso de palavrões, letras de Funk em provas de história e, a glorificação de funkeiras como pensadoras contemporâneas; sem contar nas cartilhas que ensinam a usar drogas, livros de alfabetização nos quais as primeiras palavras a serem lidas são maconha, cocaína e similares, o resultado não poderia ser outro.

No tocante ao ensino, temos além dos problemas apontados, um enorme agravante, o degenerado socioconstrutivismo. Implementado por Paulo Freire, este método totalmente fora de ser um exemplo de sucesso, acaba por tornar nossa juventude em plenitude, constituída basicamente de analfabetos funcionais em maior ou menor grau. O jovem pertencente em qualquer instituição pública de ensino — e em algumas particulares — não passa hoje de uma vítima. No lugar de aprender matérias que o farão no futuro um cidadão pleno, consciente de seus direitos e deveres, na verdade, sai da escola um jovem adulto totalmente incapacitado, deficitário no mais básico dos pormenores.

Por estas razões e outras mais que não pude abordar para não alongar o texto e assim cansar o leitor, é que o Brasil não consegue sair do plano secundário para buscar sua posição de destaque no mundo. Enquanto não mudarmos por completo todo o ensino nacional, enquanto não tivermos a inclusão da família na escola e, enquanto os brasileiros desprezarem o ensino, a cultura, as artes e os livros, seremos sempre o que somos hoje: o país do futuro que nunca chegará.

 

Segundo artigo do Fábio Martins no projeto Voluntários da RENOVA.

Faça parte você também desta iniciativa!

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

1 Comentário

  1. Sergio disse:

    Brasil que quero no futuro brasileiro vcs só faz escolha errada e depois reclama para de da voto a corruptos

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