Brasileiro diretor da ONU acusado de assédio sexual

A avalanche de denúncias de assédio sexual que chegou a altos funcionários de instituições humanitárias pelo planeta atingiu também um brasileiro em posição de destaque neste campo.

Nos últimos dias, temos ouvido falar de várias denúncias de assédio sexual contra funcionários da famosa ONG Oxfam. A situação está tão complicada que até o governo britânico teve que se pronunciar sobre o caso.

Hoje (15/02) mais cedo, propagamos no Twitter um vídeo da AFP Brasil onde a organização Médico Sem Fronteiras admitiu dezenas de casos de abuso sexual cometidos por seus funcionários em 2017.

Quanto ao caso do diretor brasileiro da ONU, o jornal Valor Econômico apresenta mais informações:

Vice-diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), Luiz Loures se tornou alvo de investigação depois que uma funcionária o acusou de tê-la assediado e agredido sexualmente em um elevador durante uma viagem de trabalho, informou o jornal britânico “The Guardian” em uma recente reportagem dentro de uma série em que levantou denúncias do tipo e suas consequências para acusados e vítimas no âmbito da organização multilateral.

Segundo o Unaids, a queixa contra Loures foi apresentada em novembro de 2016 e o processo de averiguação foi aberto no mês seguinte, ficando a cargo do Escritório Interno de Serviços de Supervisão da Organização Mundial da Saúde (OMS), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) que dá apoio administrativo ao programa.

Ainda de acordo com o Unaids, a investigação independente não encontrou elementos que corroborassem a denúncia contra o brasileiro e recomendou que o caso fosse encerrado.

A recomendação acabou acatada pelo vice-diretor de Administração do programa após consulta sobre a validade da investigação a outro painel independente depois que seu diretor executivo, Michel Sidibé – a quem caberia a palavra final sobre a questão -, se recusou a tomar a decisão por ter servido de testemunha na investigação.

Segundo matéria do jornal O Globo:

Procurado pelo GLOBO, Loures informou, por e-mail, estar impedido de comentar o caso por força de um acordo de confidencialidade que assinou. Ainda assim, o brasileiro relatou ainda estar numa situação “difícil – apesar da conclusão clara e independente da investigação que me inocentou”.

Em nova reportagem publicada nesta quarta-feira, o “Guardian” relatou que funcionários do Unaids estariam sendo coagidos a assinar declarações de apoio a Loures, com o governo britânico sendo pressionado a pedir uma nova investigação independente das denúncias de assédio contra os diretores do programa, já que o Reino Unido ocupa atualmente a liderança do conselho de governança do Unaids.

 

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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