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Cardeal denuncia ‘agressiva intrusão’ do Vaticano na Amazônia do Brasil

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Cardeal denuncia 'agressiva intrusão' do Vaticano na Amazônia do Brasil
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Segundo o cardeal, o documento do Sínodo sobre a Amazônia põe em discussão a “revelação divina” e, portanto, pode ser considerado um ato de “apostasia” (renegação da fé).

O cardeal alemão Walter Brandmuller disse que o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, marcado para outubro, é um evento “herético”.

Brandmuller afirma que o evento fará uma “agressiva intrusão” em “assuntos puramente mundanos do Estado e da sociedade do Brasil”, segundo a agência ANSA.

O posicionamento ecoa as preocupações do governo do presidente da República, Jair Bolsonaro, que teme “interferências em assuntos internos” do país.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, já havia demonstrado preocupação com a realização do Sínodo:

“A preocupação é que tem algumas coisas na pauta do Sínodo que são assuntos de interesse do Brasil e quem cuida da Amazônia brasileira é o Brasil. Não tem que ter palpite de ONG estrangeira, não tem que ter palpite de chefe de estado estrangeiro.”

Brandmuller, que é um dos líderes da oposição conservadora ao papa Francisco na Igreja Católica, explicou porque o evento seria considerado “herético”:

“O instrumento de trabalho contradiz o ensinamento vinculante da Igreja em pontos cruciais e deve ser classificado como herético.”

A declaração está em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (27) e que critica o instrumento preparatório para a assembleia episcopal.

Publicado pelo Vaticano na semana passada, o documento cogita ordenar homens casados como padres em regiões remotas, como a Floresta Amazônica.

Segundo o cardeal, o documento sinodal põe em discussão a “revelação divina” e, portanto, pode ser considerado um ato de “apostasia” (renegação da fé).

“Constitui um ataque aos fundamentos da fé, de um modo que até então não era considerado possível”, acrescentou.

Para Brandmuller, o Sínodo tem dois objetivos: “abolir o celibato e introduzir um sacerdócio feminino”, já que o documento preparatório fala em “valorizar o papel central que as mulheres desenvolvem na Igreja amazônica”.

“Em 2 mil anos, a Igreja nunca administrou o sacramento da ordenação a uma mulher”, disse o cardeal.

O documento publicado pelo cardeal Brandmüller pode ser acessado na íntegra, traduzido pelo Fratres in Unum, clicando AQUI.

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