OPINIÃO | Carnaval termina, ano começa

Olá! Quinze de fevereiro e começa mais um ano no Brasil. Como se diz e em muito se leva como dito popular o ano começa só agora. E esse ano em particular tem muita coisa pra acontecer e muitas idéias a serem debatidas.

Coisas importantes como o novo presidente, o novo governador, senadores, deputados federais e estaduais. Copa do mundo, resultado dos desfiles, Neymar x Marquezine, entre outras coisas do dia a dia.

Nessas discussões comuns sempre se tende a puxar a sardinha pro seu lado, sempre achamos que nós sabemos mais do que nossos interlocutores, sempre queremos provar que a nossa verdade é mais “verdadeira” que a deles. Uma obrigação! (Penso que as pessoas perderam a capacidade de ouvir ou analisar o que se ouve, mas deixo essa reflexão pra um futuro artigo).

Vindo cedo para o trabalho ouvindo a comentários no rádio, estavam a discutir novamente que o tal Huck seria um nome viável, ou não seria, ou nem candidato, mas que aparece em pesquisas, e na discussão surgem diversas pautas, argumentos, respostas, e nada se define, apenas incertezas. Calor, calor, calor… mas nada de luz.

Normal.

Como disse antes, é um ano chave em todos os sentidos. Temos de discutir muito, todo e qualquer assunto importante para nossa vida e nosso dia a dia. Temos de abrir os olhos a todas as possibilidades e perspectivas que possam vir a acontecer. Analisar cenários, estudar conceitos, ler sobre artigos diversos que nos agreguem em conhecimento trazendo ainda mais luz a fim de nos tornarmos pessoas melhores que ano passado e ainda melhores ano que vem.

Dai em diante, fixando os olhos e ouvidos nas eleições do fim do ano nos colocamos a pensar; no que devemos nos ater para escolher candidatos para votar? Basta apenas ter a ficha limpa? Ou isso é algo que não se deve abrir mão ainda que seja um incompetente e fraco? Escolher entre um falastrão bom de discurso ou um tipo mais quieto, menos falante, mas com aspecto de mais educado?

Ok, podem vir diversas pessoas e dizer que isso não importa e sim as ideias e propostas que o sujeito apresenta. Sim, mas muita gente ainda baseia suas escolhas na imagem, no som, e principalmente no conjunto deles. Uma boa imagem, de alguém que sabe falar mas não berra, que sabe se impor mas sem faltar educação, que tenha aspecto de lutar por direitos, mas sem ser deselegante e até com um sorrisinho amarelo, aquela voz macia, entre outras características. Isso nota-se pela discussão que toma conta dos programas e políticos na busca do nome de “centro” que arregimente votos dos lados da esquerda e direita lutando pela “despolarização” da eleição.

Mas quem é esse nome? Ele existe? Aliás, é o nome de centro que realmente precisamos? Precisamos de alguém que não seja nem lá, nem cá novamente? Precisamos de mais um “veja bem…”?

O que enxergamos no Brasil como necessidade prioritária? A mais importante de todas?

Educação? Economia? Trabalho e desemprego? Reforma na previdência? Dívida pública? Aumento do PIB? Segurança? Saúde?

Creio que todos eles são necessários de uma melhor análise e busca de soluções. Mas qual a principal, pra começar a trabalhar? O que o novo presidente tem que mexer primeiro?

Eu particularmente, em tempos passados já pensei ser a educação, depois a saúde, ultimamente na economia, mas sempre sem muita firmeza nessas escolhas de prioridades. Como me faltou foco, me faltou a certeza, tive de procurar mais, estudar, compreender mais as coisas e hoje tenho uma ideia mais clara e objetiva.

Minha ideia é que não adianta educação se nas escolas as drogas entram sem qualquer barreira. Não adianta pensar em economia e mercados aquecidos, se tudo que se compra vem sendo subtraído. Como diminuir o desemprego e ofertar mais vagas de trabalho, se cada vez as empresas grandes ou pequenas tem que destinar mais e mais recursos para prevenção de perdas e seguros com seus produtos e mercadorias, no recebimento ou envio? Saúde é uma coisa importantíssima principalmente para a parcela mais carente da população, mas essa população também precisa estar viva e não morrendo com balas perdidas para poder usufruir da saúde.

Vejo dessa forma que o nosso principal problema, o que mais nos aflige é a segurança, ou a total falta dela. Não precisa ir muito longe, apenas veja rapidamente em todos os portais de notícias o que falaram nesse carnaval. Deixo aqui alguns links:

  • Carnaval no Rio é marcado por um arrastão de violência” – Jornal O Globo
  • Carnaval tem terça-feira violenta no Rio” – VEJA

  • Violência explode no Carnaval do Rio sem a polícia presente” – CM Jornal
  • Violência assusta turistas que passam carnaval no RJ” – R7

Apenas alguns links de notícias do carnaval mais famoso do Brasil, o do RJ. Notem, tiroteios, arrastões, assaltos, pilhagem de mercados, agressões, armas, ameaças, e a total falta de limite e noção da vida em sociedade. Meio que nos tornamos novamente animais irracionais voltando a urrar e correr sem sentido em bandos recolhendo tudo que cabe nas mãos e bolsos.

Evidente que este não é um problema exclusivo dos cariocas, mas mostra que nem mesmo no evento mais famoso, visitado e repleto de turistas o país vem conseguindo combater os problemas diretos, que acontecem com as pessoas. A violência é muito mais dura e real que pensar em abstrações como educação, economia, ou alguma outra. Violência você sente na pele, no bolso, na carne, no coração, no medo quando está no portão de sua casa e um tipo estranho se aproxima na garupa de uma moto.

A violência, a insegurança tomou parte de nossa vida e nos rodeia 24 horas por dia. Você não se sente mais seguro pra nada, seja pra estar em casa, sair de casa, andar sozinho, andar acompanhado, acho que nem armado, afinal, além de proibido de portar armas, é bem capaz do criminoso que te aborde ter um armamento bem melhor e mais moderno que o seu.

Sou uma pessoa que fica feliz quando vê uma viatura da polícia passando na frente de casa, ou em algum lugar qualquer. Mas o problema é que elas não podem ficar ao seu lado o dia todo. A PM não tem como cuidar de você e todos os outros o tempo todo.

Enquanto o Rio dançava, pulava, cantava e urinava em toda cidade, a contabilidade do ano anterior apontava a estarrecedora soma de 134 PM´s mortos. Em serviço, fardados, sem farda, indo na padaria, no portão de casa, assaltados na rua, ou qualquer outra forma. Cidadãos como nós.

Imagem Jornal O Globo

O mais engraçado é que os principais defensores do desarmamento da população tem guarda particular armada. Em muitos casos pagos com dinheiro público. Claro, dessa forma é fácil falar e menos armas e mais paz.

Essa hipocrisia típica de nosso país se faz presente há muito tempo. É presente ainda no dia a dia, afinal, que eu me lembre, os tiroteios, balas perdidas, mortes no morro da rocinha não cessaram, apenas deixaram de ser notícia prioritária, mas estão lá.

Violência não respeita nem famosos:

Imagem do foicebook do artista

Aliás, no RJ um aplicativo se faz importantíssimo nos dias de hoje, que é o que informa instantaneamente onde está a acontecer algum tiroteio. Parece brincadeira? Veja o site http://ondetemtiroteio.com.br/, esse é o Brasil real.

E ai, até quando vamos pensar em abstrações e platitudes e evitar tomar atitudes e ter uma postura firme contra o problema que mais nos afeta nos dias atuais? Até quando ficaremos presos ao caldeirão de inutilidades e campanhas feitas por marketeiros pagos com dinheiro de caixa dois que pintam um país que não existe além do imaginário de quem assiste?

Pense nisso.

 

Artigo de Ricardo Luiz no projeto Voluntários da RENOVA.

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Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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