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Centenas são presos na China só por falar sobre o coronavírus

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Ativistas anti-censura na China desaparecem misteriosamente
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A prisão do advogado Zhang reforça a abordagem de tolerância zero da China com as vozes dissidentes. 

As autoridades da China prenderam um advogado constitucional por postar uma carta aberta nas mídias sociais com críticas ao manejo do regime comunista durante a pandemia de coronavírus e aos ataques contra a liberdade de expressão.

Em publicação no WeChat, Zhang Xuezhong, 43 anos, alertou para a falta de uma mídia não-estatal na China e para a impossibilidade de especialistas médicos fornecerem conselhos ao público.

Zhang disse que “o rígido controle do regime da sociedade e das pessoas destruiu quase completamente a organização e capacidades de auto-ajuda da sociedade chinesa”.

O advogado chinês classificou o regime chinês como atrasado e disse que “o surto e a propagação da pandemia de Covid-19 é uma boa ilustração do problema”.

“A melhor maneira de lutar pela liberdade de expressão é que todos falem como se já tivéssemos liberdade de expressão”, escreveu Zhang na carta.

A carta, que foi endereçada ao Congresso Nacional do Povo (NPC), o mais alto organismo governamental do legislativo da República Popular da China, teve seu conteúdo divulgada on-line, de acordo com o jornal South China Morning Post.

Um dia após a publicação da carta, três carros da polícia chegaram a sua casa em Xangai e o prenderam, disse o analista político independente Wen Kejian ao jornal.

A prisão de Zhang reforça a abordagem de tolerância zero da China com as vozes dissidentes. 

Desde o início da pandemia, no final do ano passado, centenas de pessoas, incluindo médicos, jornalistas e advogados, foram presas na China por meramente falar sobre o coronavírus.

Estatísticas citadas pelo China Digital Times mostram que entre 1º de janeiro e 4 de abril, cerca de 500 indivíduos foram acusados de crimes apenas por se manifestarem.

Em alguns casos, os cidadãos chineses são acusados de crimes inacreditáveis. 

No mês passado, por exemplo, um advogado da província chinesa de Henan foi punido por publicar um artigo sobre longas filas em uma funerária em Wuhan, onde o vírus se originou, destaca a emissora Fox News.

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