China confisca caixões tentando acabar com a tradição de enterrar os mortos

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TARCISO MORAIS
TARCISO MORAIS
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

Com cada vez menos espaço nos cemitérios, o regime comunista da China tenta acabar com a tradição de enterrar os mortos.

Para isso, adotou medidas de incentivo à incineração ou até mesmo com confisco e destruição dos caixões.

Fotos de populares revelam que, na província de Jiangxi, antes da destruição, idosos permaneceram algum tempo dentro dos caixões como forma de protesto.

Segundo a tradição chinesa, o morto precisa “viajar para o além da forma mais intacta possível”.

E o enterro é considerada a prática considerada mais adequada.

Nos últimos anos houve tentativas de mudar esta concepção, principalmente nas grandes cidades.

Algumas zonas rurais ainda preservam a tradição de comprar ou construir o caixão sob medida em vida.

Para os habitantes desses lugares, guardar o ataúde em casa até a morte atrai longevidade e sorte.

Em várias aldeias, funcionários do governo entram à força em residências para proibir que os moradores construam ou guardem caixões.

Desde que a medida foi implementada, 5.800 caixões foram entregues voluntariamente e outros foram confiscados pelas forças de segurança.

A medida, classificada pela imprensa local como “bárbara e impopular”, criou uma forte polêmica entre a população que entende que os interesses econômicos são considerados mais importantes que as tradições.

“São bandidos que roubam as propriedades privadas do povo”, disse através da rede social Weibo uma usuária chamada Na Wa.

O governo promove funerais alternativos, como os enterros verdes, que ocupam menos terra, consomem menos recursos ou usam materiais biodegradáveis.

Um deles é jogar as cinzas no mar ou enterrá-las perto das árvores.

Segundo o Escritório de Assuntos Civis de Pequim, os enterros ecológicos na capital do país representaram 44% de todos no ano passado.

O Ministério de Assuntos Civis emitiu recentemente uma diretriz em nível nacional que estabelece uma meta para que as cerimônias verdes constituam 50% do total anual até 2020.

Para ajudar a população a mudar de mentalidade, em alguns lugares foram estabelecidos incentivos monetários.

Um exemplo é o plano desenvolvido em Wenling (província oriental de Zhejiang), onde as pessoas que escolhem um enterro no mar recebem um pagamento mensal.

Assim, os maiores de 70 anos que adotarem esse plano receberão uma remuneração mensal baseada na idade que oscila entre 100 e 400 iuanes (R$ 55 e R$ 220).

“O enterro ecológico é a tendência. Agora há montanhas de túmulos nos campos. Os mortos não devem competir com os vivos na ocupação da terra. A reforma do governo tem um bom objetivo,mas é preciso uma divulgação e normas mais positivas”, comentou Hui Min, outro internauta que luta pela necessidade de se adaptar aos novos tempos.

 

Com informações da Agência Brasil

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