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China obriga residentes de Xinjiang a baixar aplicativo espião

Tarciso Morais

Tarciso Morais

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O aplicativo detecta “áudio, vídeo, fotos, ebooks e outros arquivos eletrônicos nocivos” relacionados a “violência, terror e religiões ilegais” e solicita ao usuário que exclua os arquivos. Se o usuário não os excluir imediatamente, “será responsabilizado perante a lei”.

Quando em julho do ano passado foi divulgada a notícia de que os residentes de Xinjiang, cidade na fronteira noroeste da China, tiveram de instalar um aplicativo de vigilância em seus telefones móveis, chamou particularmente a atenção do Fundo Aberto de Tecnologia (OTF, na sigla em inglês), programa financiado pelo governo dos Estados Unidos que pesquisa e desenvolve tecnologia para o exercício da liberdade na Internet.

Na segunda-feira (9) foi publicada uma análise das capacidades técnicas do aplicativo, que revelou qual seu alcance para rastrear e monitorar as atividades de um usuário de telefone.

Em julho de 2017, a rádio Ásia Livre (RFA, na sigla em inglês) informou pela primeira vez que as autoridades do distrito de Tianshan, da cidade de Urumqi, capital de Xinjiang, emitiram um aviso aos residentes, solicitando que todos os usuários de telefones Android baixassem um aplicativo chamado “Jingwang Weishi”, que se traduz como “defensor de uma Internet limpa”.

O aplicativo foi desenvolvido em conjunto com a polícia de Urumqi e uma empresa de tecnologia chinesa, de acordo com uma cópia da notificação obtida pela RFA.

A região de Xinjiang foi durante muito tempo alvo de uma repressão férrea por parte do regime chinês. Nos últimos anos, a violência contra a minoria étnica uigur e os chineses han — que são a maioria étnica na China — foram as que enfrentaram as mais duras táticas da polícia.

Os residentes de Xinjiang estão sujeitos a vigilância em suas vidas diárias, desde a presença constante das forças de segurança em áreas públicas, até a obrigação de se identificar para fazer compras em lojas. Nos últimos meses, os moradores ficaram detidos em “centros de educação política“, onde foram obrigados a assistir conteúdo de propaganda que promovia a identidade chinesa, de acordo com a Human Rights Watch.

 

Com informações de: [ET]
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