COLUNA: 7 vezes que as universidades públicas foram usadas para propaganda política

De acordo com o dicionário Aurélio, a definição da palavra debate é “discussão em que se alegam razões pró ou contra”.


Embora alguns eventos em universidades públicas no país tenham este nome, a verdade é que em muitos deles as coisas não são como a definição. Pessoas que pensam de forma semelhante são chamadas para “debater” um assunto, ou seja, defendem unicamente um ponto de vista.

Em muitos casos, a defesa dessas ideias não passa de um momento para propaganda política contra ou a favor de alguém. E infelizmente isso é comum em muitas universidades brasileiras.

Por isso, listei 7 casos em que universidades públicas foram usadas para promoção política a favor ou contra algum político.

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1) “É tempo de Resistir na UFRJ”

Um caso recente foi na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Lá, ele participou de um evento para “falar sobre os desafios e a organização de nossas lutas no governo Bolsonaro. O evento faz parte da calourada Rua RJ 2019.1 e será na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ”. A mesa se chamava “É tempo de resistir”.

Quem organizou o evento foi a Juventude Anticapitalista e a RUA UFRJ. Conforme eles mesmos disseram na descrição do evento, “É tempo de resistir! Como resistir em tempos de fascismo? Qual o papel da juventude nos dias de hoje?”. Ao longo do texto de apresentação eles também disseram: “Esse governo reacionário, com apoio de militares, não tem compromisso com as conquistas de direitos humanos, políticos e sociais. Bolsonaro declarou que quer tornar movimentos sociais terroristas, impede a ação da imprensa e desprezou ataques aos direitos humanos — inclusive o assassinato de Marielle Franco, tendo seu filho homenageado e dado cargos a milicianos ligados ao caso. É preciso a mais ampla unidade, nas ruas e nos territórios, para defender todos os nossos direitos! É preciso furar a bolha e ouvir as necessidades da população. É preciso se organizar e resistir!”.

Criticar o governo Jair Bolsonaro faz parte da democracia. Ninguém deve ser tolido desse direito e ele tem motivos para ser criticado. No entanto, o evento chamado de “debate” foi para fazer propaganda política dentro de uma universidade pública contra o atual presidente e promover os atos da oposição, do qual Freixo faz parte.

2) O “debate” sobre a Reforma da Previdência na Uerj

No fim de abril, mais uma vez Marcelo Freixo esteve na Uerj em um “debate” sobre a reforma da previdência. Conforme você pode conferir em um post na rede social do deputado, estavam presentes também Guilherme Boulos e a deputada federal Talíria Monteiro do PSOL. Somente pessoas que pensam iguais. Você acha que houve debate ou propaganda contra a reforma da previdência e o atual governo? Mais um evento desse porte em uma universidade pública.

* A Uerj está ligada ao estado do Rio de Janeiro e não é uma instituição federal.

3) Haddad na UnB

No dia 25 de abril, conforme a RENOVA mostrou, a Universidade de Brasília recebeu o derrotado nas eleições presidenciais de 2018 Fernando Haddad (PT). O evento, que era sobre “o papel da educação na defesa da democracia em tempos de autoritarismo”, tornou-se um palanque político.

O petista disparou frases como “Qual o pecado que cometemos para merecer um traste desse na Presidência da República?”. ““Eles sabem que as armas que usam são impotentes diante do preparo de vocês. Nossa guerra não é a que eles propõem. A nossa é para devolver a dignidade à escola pública. A Universidade é onde há trunfos para vencer o obscurantismo”. ““Eles têm medo de vocês. Eles não podem com vocês. Aqui está uma inteligência mobilizada em prol de um projeto de país. Não tem ninguém com maior compromisso com o Brasil do que as universidades. Contem comigo. Sou um soldado dessa causa.”

4) A aula na UFMG sobre o “golpe”

Em 2018, a ex-presidente Dilma Rousseff foi à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) dar uma aula na Faculdade de Educação sobre o “golpe” que ela “sofreu” em 2016.  A disciplina integra o curso da graduação sobre Ciências do Estado, da Faculdade de Direito.

Você acha que foi uma aula ou um palanque político? Detalhe que Dilma já falava em concorrer ao senado por Minas Gerais no mesmo ano.

5) A aula na UnB sobre o “golpe” de 2016

Em 2018, foi ministrada na UnB o curso “O Golpe de 2016 e a Democracia no Brasil”. A ementa do curso falava sobre  as “chances” de “restabelecimento do Estado de direito” depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Logo depois, pelo menos 13 faculdades anunciaram a intenção de criar um curso igual.

6) O PSOL no colégio Pedro II

Em 2017, o Ministério Público Federal entrou com uma ação contra o reitor do Colégio Pedro II de São Cristóvão, Rio de Janeiro, e o PSOL. De acordo com depoimentos de pais e representações ao órgão, o Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II (Sindscope) fundou um núcleo dentro do colégio para apoiar o PSOL.

O MPF-RJ também apurou que houve propaganda explícita, na eleição municipal de 2016, ao candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, e ao na época candidato e hoje vereador Tarcísio Mota , ambos do PSOL.

*Apesar do Colégio Pedro II não ser uma universidade, o caso foi citado na matéria por ser tratar de uma escola federal.

7) Freixo na UFRJ em 2016

Em setembro de 2016, a justiça impediu um evento na UFRJ com a presença do na época candidato à prefeitura do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL), a sua vice Luciana Boiteux e os candidatos a vereador também pelo partido como Tarcísio Mota e Renato Cinco. O evento se chamaria  “Debate Juventude e Cidade com Marcelo Freixo”.

Para o juiz,  a lei não permite ato de campanha em espaços como universidades.

* O evento não chegou a ser realizado, porque o na época candidato a vereador pelo PSDB Pedro Duarte entrou na justiça pedindo a anulação do evento. A justiça atendeu o pedido. A universidade seria usada como meio de promoção política, o que é proibido por lei, pelo menos em épocas de eleição.

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