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COLUNA: A grande mídia quer desmoralizar a Lava Jato

Se tem uma coisa que o Brasil foi, inegavelmente, até 2014, essa coisa atende-se pelo adjetivo nada honroso de país da impunidade.


Quantos políticos pegos com a boca na botija nada sofreram? Quantos integrantes do nosso judiciário venderam sentenças ou protegeram corruptos? Tudo feito diante do nosso nariz, mas pouco era dito ou feito para acabar com a praga da corrupção.

O PT — partido que protagonizou os maiores escândalos de corrupção da história do Brasil — já teve a audácia de lançar a campanha ‘’Ética na Política’’. Hoje soa como grandiosa piada, mas o Partido dos Trabalhadores já foi visto pelos brasileiros como uma esperança de práticas corretas na política.

Dentre tantas tentativas de moralização da política e cumprimento da lei contra corruptos, sem dúvida alguma a Operação Lava Jato foi a iniciativa que mudou o tratamento dado pelo judiciário aos malfeitores homens públicos. Nem de longe os procuradores da operação imaginavam a profundidade do esquema de corrupção que iam desbravar e desmantelar. O que começou com uma fase despretensiosa terminou com a queda de um governo corrupto, 155 pessoas condenadas e muitos figurões da política nacional indo parar atrás das grades.

O combate à corrupção realizado pela Lava Jato encontraria como inimigo óbvio aquele que tanto atrasou o Brasil por décadas: o estamento burocrático. Esse é composto por políticos, grupos de pressão e todo tipo de gente comprometida com os outros dois que utilizam o Estado para benefício próprio em detrimento de suas reais funções. Seu poder na política, no judiciário e na vida comum do cidadão é gigantesco, e tirá-lo de sua posição não é tarefa das mais simples.

A grande mídia depende das verbas estatais para sobreviver. Com os donos do Estado sofrendo diversos golpes do Judiciário, de que lado você acha que ela ficaria? Até muito tempo a defesa das velhas raposas não era tão perceptível assim, com esse trabalho ficando a cargo de jornalistas do tipo de Reinaldo Azevedo. Mas a tentativa de desmoralizar a operação que tanto encheu de esperança um país historicamente marcado pela desonestidade não ficou de fora do radar da imprensa. Na primeira oportunidade que aparecesse, ela iria mostrar sua verdadeira posição.

E ela veio. Obtidas de maneira ilegal, as mensagens vazadas do ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol caíram no colo da imprensa. Folha de São Paulo e TV Bandeirantes logo pediram a cabeça de Moro. A classe política deu pulos de alegria e alívio com o fato – que os diga Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. O estamento burocrático via seu principal inimigo estar sendo fritado enquanto ele mesmo tratava de fazê-lo.

Mas a maré mudou. Moro foi ao Senado e respondeu os questionamentos que lhe foram feitos com maestria e lucidez absurdas. Seu desempenho foi tão surpreendente que até mesmo a oposição desistiu por ora de abrir uma CPI para investigá-lo. Moro apenas falou o óbvio: não há crime nenhum em suas conversas com o procurador Dallagnol. O falatório que surgiu após as mensagens vazadas é absolutamente ridículo e infundado.

O poder dos donos de grandes meios de comunicação no Brasil ainda é colossal. A maioria da população brasileira ainda tem a grande mídia como única fonte de informação — por motivos diversos que não cabe pontuar por aqui. Por inúmeros interesses, eles podem criar ou destruir reputações de amigos e inimigos, gente que faz continuar a nossa tradição patrimonialista. Não à toa diversos políticos são donos de jornais, rádios e até mesmos canais de televisão.

Por que vocês acham que gente como Reinaldo Azevedo defende Lula, Aécio, Temer e afins para logo em seguida atacar o presidente Bolsonaro e o ministro Moro? A inversão de valores contida nesse modus operandi é brutal e não se sustenta com um olhar justo sobre o tema. É óbvio que há interesses obscuros da grande mídia na defesa das velhas raposas e nos ataques pérfidos contra os outsiders da política nacional.

Mesmo altamente impopular e inaceitável sob o ponto de vista moral, a desmoralização da operação Lava Jato pela grande mídia irá continuar. A canalhice neste país é grande demais para ser aniquilada em 4 anos.

Referências: [1][2][3][4][5]

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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