COLUNA: A hipocrisia de Rodrigo Maia

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Na política brasileira, a dissimulação é uma regra quase nunca quebrada. O talento possuído por nossa classe política para ludibriar (ou tentar) o povo é algo marcante na história deste país.

De Getúlio Vargas a Lula, passando por Jânio Quadros, a república já conheceu diversos fanfarrões demagogos, sempre com aquele discurso de governar para os mais necessitados.

Pois é justamente isso que Rodrigo Maia quer fazer.

Em sua ânsia de provocar atritos com o presidente Jair Bolsonaro – e logo em seguida ter a cara de pau de colocar a culpar no chefe do Executivo por tais atritos –, o presidente da Câmara deu a seguinte declaração:

“O que me preocupa é o governo não ter uma agenda. No final do ano o projeto do Betinho voltou a ter que dar alimentos para as pessoas e o governo depois de seis meses não tem uma preocupação, uma palavra para o pobre brasileiro.”

Rodrigo Maia quer simplesmente causar boa impressão com a mídia que o bajula. Em algum momento de sua atuação parlamentar ele fez algo para ajudar os pobres? O que fez o deputado para defender o ‘’pobre brasileiro’’?

Esse Rodrigo Maia é o mesmo que tempos atrás disse que os deputados não eram obrigados a aprovar tudo que chega no plenário. E sabem do quê Rodrigo Maia estava falando? Do pacote anticorrupção, que a Câmara comandada por ele fez o favor de desfigurar o projeto – na calada da noite, enquanto o Brasil chorava pelo acidente com o time da Chapecoense. Uma pauta como essa que teve 2,2 milhões de assinaturas e amplo apoio da população foi totalmente ignorada e atacada por Maia, o mesmo que cobra do presidente o que ele nunca fez.

O apoio da população à operação Lava Jato e ao combate à corrupção é amplo e conhecido. O pacote anticrime, projeto do ministro Sérgio Moro, que visa realizar o combate à corrupção e ao crime organizado foi entregue para ser votado na Câmara. O que fez Rodrigo Maia? Mais uma vez criou uma troca de farpas desnecessárias com o governo e chamou o ministro Moro de ‘’funcionário de Bolsonaro’’.

Mas a oposição de Maia ao povo não para por aí. Ele também quer nos brindar com a famigerada ‘’CPI das fake news’’. Para o deputado, é necessário investigar certas ‘’milícias digitais’’. O que ele e seus pares da classe política querem é calar quem o critica na internet, jogando no lixo a liberdade de expressão garantida na Constituição.

O que nos EUA as empresas de tecnologia estão a fazer com os conservadores e partidários do Partido Republicano, a classe política quer fazer com o povo que critique os membros do estamento burocrático. E utilizando o aparato estatal para isso.

A internet tirou em parte o poder da grande mídia. Jair Bolsonaro foi eleito presidente muito graças a sua força nas redes sociais e na promoção gratuita que seus opositores fizeram. Não é de se estranhar o porquê do establishment comandado por Rodrigo Maia queira fazer da internet um campo controlado e amordaçado.

Por falar em grande mídia, o desmiolado do Ricardo Noblat não perdeu a chance de puxar o saco de seu queridinho Rodrigo Maia para atacar o presidente:

“Mas nem por isso ele (Bolsonaro) se preocupa tanto com os pobres como deveria. Nesse caso, quem o diz é Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, um conservador como Bolsonaro, só que mais inteligente’’.

A afirmação parece ser uma piada, mas Noblat realmente falou sério. Ele só esqueceu dos acordos que Maia fez com o PSDB, partido de centro esquerda alinhado à social democracia. Também não citou que parte do PT e o PC do B tenha cogitado apoio à sua candidatura para a presidência da Câmara – fato que deixou a revista ‘’Fórum’’ cuspindo abelha africana.

Maia também gosta de dizer que foi graças a sua articulação que a reforma da previdência foi aprovada na Câmara. Ora, se ele é um grande articulador e ferrenho defensor do liberalismo econômico, por que o Centrão comandado por ele se aliou com a oposição para tentar desfigurar a reforma? Se o parlamento merece todos os méritos da reforma e o presidente Bolsonaro nada fez, por que ela não aprovada quando o presidente era Michel Temer?

A realidade dos fatos é um labirinto no qual não há para onde fugir. Rodrigo Maia não engana ninguém. Ele é sim representante máximo do estamento burocrático na política. Ele é do DEM, partido que se diz de direita, mas tem uma aliança histórica com os sociais-democratas do PSDB. A sua hipocrisia também é de saltar os olhos.

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