Português   English   Español

COLUNA: As falas do Presidente Bolsonaro


O primeiro recesso parlamentar da 38a Presidência da República trouxe um ingrediente interessante para que possamos entender o cenário político de hoje.

Escrevi outrora sobre o ciclo discursivo na mentalidade revolucionária: estou revendo o texto e devo publicá-lo em breve aqui em minha coluna no Renova, de forma completamente renovada (com o perdão do trocadilho).

Por ora, o que importa, é entender que na dispersão dos parlamentares, os jornalistas ficam com tema único a explorar: qual melhor tema a ser explorado, com a ajuda e benevolência da Secom, que não seja aquela já sabida fúria que Jair Bolsonaro apresenta quando é provocado?

Pois bem – progressistas radicais e moderados (entre estes últimos, estão os isentões e os isentinhos) operam verdadeiro rodízio nas provocações. As provocações são diárias, constantes, ininterruptas e covardes. É uma situação absolutamente paranoica que, garanto, Lula não aguentaria 5% dessa “pilha” que Jair Bolsonaro vem recebendo.

Jair Bolsonaro, quando é abordado por repórteres, nunca é questionado sobre o trabalho ou resultados nas pastas administradas por Damares, Guedes, Pontes, Tarcísio ou Moro – e aqui falo de fatos, de números: espera-se, hoje, que o Copom reduza os juros com alguma folga na Selic; taxa de desemprego vem caindo (embora em lentidão que deva ser observada por circunstâncias específicas e marcas de sazonalidade, sim, o desemprego está cedendo); quedas drásticas nos índices de homicídio; redução no câmbio; escalada constante do índice Bovespa (que já rompeu de forma definitiva, ao que parece, a barreira dos 100k) e assim por diante.

Toda oportunidade de encontro com o PR é utilizada para largar em seu caminho várias cascas de banana.

Durante o Primeiro Trimestre de Governo, Carlos Bolsonaro transferiu do Rolls-Royce para a vida a proteção à figura do presidente: chamava para si a atenção da imprensa e oferecia (mais uma vez) seu próprio espaldar para que jornalistas em rodízio praticassem o doce esporte da fustigação aleatória e da provocação mirim.

A técnica usada foi de que “Carlos estaria atrapalhando o governo”, quando na verdade Carlos estava era atrapalhando a tática da imprensa e dificultando que se chegasse no alvo principal. Essa metodologia sempre foi óbvia, escancarada e cristalina e o “afastamento” de Carlos, com apoio da ala militar do “capacete azul” e sob aplausos da imprensa mainstream, abriu caminho, literalmente, para que a artilharia finalmente pudesse ser direta.

Parabéns aos envolvidos, o êxito foi completo e o presidente Jair Bolsonaro passou a ser alvo direto de políticos, jornalistas, sindicalistas (caso do Presidente da OAB) e outros tipos de iogue-comissário.

A artilharia, que contrariando qualquer técnica de estratégia militar mais básica acaba expondo o Chefe da Tropa ao invés de protegê-lo, puxa para Jair a sanção que fora aplicada pelos mesmos atacantes de Carlos meses atrás (e, em certa medida, também contra Olavo de Carvalho), a saber: o presidente deve se calar.

Ao obter êxito (parcial, diga-se de passagem) no silêncio de Carlos (e, repito, o mais brilhante estrategista político que há hoje no Brasil), os “árbitros de discurso” finalmente chegaram em Jair Bolsonaro e exigem dele o silêncio dos complacentes e dos fracos.

Com isso, tentarão ao longo de 3 anos desgastar o presidente fisicamente, se o silêncio for o caminho tomado, abalando a psiquê de quem, apanhando calado, permitiria que a narrativa se reconstrua daqui pra frente (qual seja, a versão “fascista voltou”).

É falsa a ideia de que Jair Bolsonaro mantém o clima de campanha – quem faz questão de mantê-lo é a imprensa mainstream, sob a anuência dos novistas, dos antilavajatistas, dos dóricos e da horda esquerdista (cada dia mais desidratada e desmoralizada perante o país e, por isso, tão estridente e histérica).

Jair Bolsonaro, sem ter quem o proteja no debate público contra ataques vis (papel que caberia a AGU e à SECOM), se vê, a cada provocação ou deboche que lhe é dirigido pela proximidade que vem sendo permitida a uns e negada a outros (qual seja, a mesma proximidade que é proibida a Carlos é tornada obrigação a moleques e mariazinhas a serviço da Folha de SP, por ex), na obrigação de revidar. Como antifrágil que é, vem tirando dos revides crescente capital político.

A latere desse resultado, o que quero chamar atenção é, não apenas o modus operandi mas sobretudo o intento final de quem se investe da técnica assentada na premissa da “liturgia do cargo”, que é uma espécie de “polticamente correto 2.0”.

O politicamente correto, lembremos, é técnica bastante eficaz de censura.

Ao modelar e perseguir um discurso ideal, a técnica do politicamente correto literalmente impede que certas coisas sejam ditas: ainda que se tratem de fatos inquestionáveis.

Com o tempo, a pessoa, sabendo que certas coisas não podem ser ditas, passa a verdadeiramente se envergonhar de certas ideias ou fatos de que tem conhecimento. É um processo de “autopurificação” que visa sanitizar essa “auto-culpa”.

Uma pessoa que sente ódio de um sujeito que pratica coisas abomináveis (estupro de uma criança; atos de terrorismo e por ai vai, p.ex.), passa a ter vergonha desse sentimento na medida em que o criminoso é investido, sob o ponto de vista discursivo, na posição de “réu”. “Ele tem direitos”, diz leitor.

Criticar o sistema penal e exigir publicamente a punição de um apaniguado que cortou umas cabeças passa a ser controlado diretamente pelo “politicamente correto”. As coisas deixam de ser ditas e se são ditas, atraem uma espécie de “odio autorizado”: não é permitido odiar pessoas que efetivamente fazem coisas ruins, mas é quase obrigatório odiar pessoas que dizem coisas (repito, apenas dizem coisas sem nunca jamais te-las feito) que contrariam a regra do politicamente correto.

É nessa operação mental que o ódio a Jair Bolsonaro sempre se mantém superior ao ódio que se pode sentir contra um Adélio, um Battisti, um Marighella.

Para fugir dessa intrincada situação (que diga-se de passagem, abre a Ilíada com a palavra mênin Μηνιν), o passivo espectador sabe que o melhor caminho para não sentir esse ódio (do qual ele tem vergonha, em primeiro lugar, de expressar e que evolui para uma vergonha do próprio sentir) é guardá-lo e tentar, com o tempo, expurgá-lo de seus pensamentos. O próximo passo depois de abandonar um discurso é se autoperseguir para abandonar um pensamento e, ao fim, metamorfosear um sentimento humano e uma atitude esquizóide de ódio a palavras e tolerância a atos.

Sim, o politicamente correto é uma forma não apenas de mudar o seu discurso, mas efetivamente de mudar o seu sentimento e o seu pensamento. É exatamente o que fazem com o gado ao pendurar-lhe a cenoura diante dos olhos enquanto anda para lá e para cá, tal qual o vento que Dilma tentava prender. No paralelo, acusam exatamente de “gado” aqueles que, por sentimento próprio chegam a conclusão de que a liberdade de pensar e sentir não pode ser trocada pela subserviência a esse desejo de pertencimento: ao desejar pertencer ao círculo de um “clube restrito” de escritores ou de um “sindicato” que luta pela “liberdade” de entrar num emprego via cotas, a pessoa não só aceita abdicar de um discurso e de certas palavras – ela abdica do sentimento que o motiva e o constrói, ela expurga o pensamento e se pune quando é pega pensando ou concordando com alguma fala de Jair Bolsonaro ou de qualquer ente do governo ou de seu “gado” (como se o “gado” fosse o outro e não ela mesma).

Ao aceitar essa metamorfose, o iogue-comissário aplica no outro esse processo de censura espontânea: ora, se não posso dizer tal coisa, então você também não poderá. 

Imaginem isso transferido para a pessoa de Jair Bolsonaro: o politicamente correto, revestido sob a ridícula ponderação da “liturgia do cargo” visa, sob a ameaça histérica de “crime de responsabilidade causado por palavras que machucam”, calar o presidente, sobretudo quando ele é, de forma pejorativa e covarde, atacado. Ele deve ser xingado e não deve revidar, diz o parque temático do Isento-Lastro.

Não há quem saia em sua defesa e a tropa alinhada aos atacantes diz que a tal “liturgia do cargo” envolve uma prática ascética de “aceitar críticas”, inclusive quando tais “críticas” se dirigem à família do Presidente, ao atentado que sofreu ou a sua condição pessoal sob suposta e putativa acusação, oriunda de imaginação em estado de grave retardamento mental, que liga o Presidente a grupos de traficantes de entorpecentes (que se convencionou chamar de “milicianos” quando tais traficantes são ou foram servidores em alguma instância nos órgãos de segurança pública).

Os ataques ao Presidente, de forma clara e óbvia, não pretendem dar início a um processo de impeachment causado por “palavras desagradáveis” – essa hipótese, eles sabem, é juridicamente ridícula: a intenção é cristalina de irritá-lo, desgastá-lo, retirar-lhe o foco, e, last but not least, submetê-lo ao mesmo processo que sofreu Carlos – censurá-lo.

Ao cercar o presidente como nas rodinhas de bullying das escolas mundo afora, a censura é objetivo fim, sob a acusação bizarra de que ele, presidente, que defende e faz uso da liberdade de expressão, seria o censor que, na verdade, a imprensa em cartel estaria se prestando ao dito papel.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

Share on whatsapp
Share on telegram
Share on pinterest
Share on linkedin
Share on reddit
Share on vk

Deixe seu comentário...

A RENOVA Mídia não se responsabiliza pelo conteúdo, opiniões e comentários dos visitantes do site. NÃO publique ofensas, discordar não é ofender. Caso encontre algum material com ofensas, denuncie. Lembre-se que ao comentar em nosso portal você concorda com estes Termos de Uso.

Veja também...