Português  English  Español

Apoie o jornalismo independente!

COLUNA: As manifestações do dia 30 de junho não são do MBL

Motivos diversos levaram o povo às ruas no dia 26 do mês passado. Razões semelhantes farão esse mesmo povo retornar ao palco cívico amanhã, dia 30 de junho.

Essa volta às ruas é sinal de que suas reivindicações ainda não foram ouvidas pelo estamento burocrático, que prefere continuar em uma agenda paralela para derrubar o presidente Jair Bolsonaro, dando de ombros para as vozes populares.

Só que o clima não é o mesmo. Explico: o ministro da Justiça, Sergio Moro, foi alvo de uma ação ilegal por pessoas ainda não identificadas, em uma tentativa de jogar na lama sua reputação, suas ações como juiz na Lava Jato e seu pacote anticrime – o qual é o pavor de corruptos e políticos encrencados com a Justiça.

A situação do ministro é um incentivo a mais para o comparecimento das pessoas simpáticas a sua atuação tão destacada no combate à corrupção.

Também é de se destacar um fato bastante considerável: o Movimento Brasil Livre (MBL) apoia as manifestações do dia 30.

O mesmo MBL que debochou e ridicularizou os manifestantes dos atos anteriores. Essa mudança tão repentina de postura deixou muita gente abismada; alguns já adiantaram que os integrantes do movimento não serão bem-vindos em manifestações outrora desprezadas e tachadas de ‘’golpistas e autoritárias’’ por eles mesmos.

Aquele fatídico vídeo do coordenador nacional Renan Santos maldizendo as políticas do governo e atacando seus simpatizantes foi a gota d´água para o MBL cair em desgraça com muitos direitistas.

A condenação aos atos do dia 26 teve o efeito contrário de desejado: o engajamento nas redes sociais aumentou e o número de manifestantes nas ruas não foi desprezível — a classe política e o establishment viram que o povo está com o governo e seus integrantes.

O que parece uma simples mudança de posição pode ser um fator negativo para o comparecimento dos manifestantes. A antipatia com relação ao MBL é enorme entre os simpatizantes do presidente Bolsonaro, com o movimento sendo constantemente associado à velha política.

Como esses mesmos simpatizantes iriam a uma manifestação apoiada por aqueles que eles sentem um grande desprezo?

É necessário deixar algo claro aqui: o MBL não é dono das manifestações do dia 30. A convocação para os simpatizantes do governo irem às ruas começou com Ramiro Cruz, suposto líder do movimento dos caminhoneiros. Depois disso é que a ideia foi disseminada na internet e chegou aos ‘’bolsonaristas’’ como viável e possível.

Em meio aos recentes percalços do governo no Congresso, as articulações da classe política para isolar o presidente Bolsonaro e o esquecimento do pacote anticrime pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, os brasileiros irão novamente às ruas em uma expressão cívica e ordeira dos ideais que eles acreditam — quantas vezes for necessário.

O Brasil é maior que Rodrigo Maia e seus pares.

A união de pessoas em torno de pautas em comum é absolutamente necessária em tempos como esses. A oposição esquerdista no Congresso já deu diversos afagos ao Centrão, numa união espúria em nome da velha política contrária ao novo governo.

Essa ‘’aliança’’ envolve também a rejeição a pautas como o pacote anticrime e o decreto das armas, além da desfiguração da proposta de reforma da previdência feita pelas lideranças do Centrão.

O STF quase soltou Lula, numa decisão que iria jogar toda a verborragia do ‘’Estado democrático de direito’’ no mais profundo descrédito. Sua linha progressista estatizante é bem conhecida, e não se surpreenda com atritos da corte com o governo por sua visão liberal conservadora colocar o consenso hegemônico de anos da esquerda em xeque.

O Senado aprovou o famigerado projeto de abuso de autoridade, numa clara resposta de anos às ações da Lava Jato. Esse projeto foi aprovado na Câmara em 2016 na calada da noite, enquanto o Brasil chorava pelas vítimas do acidente com o avião da Chapecoense. É um recado também ao ministro Moro e a todos os procuradores envolvidos na Lava Jato.

Diante do cenário atual, é importante ir às ruas e mostrar de que lado o povo está. As pautas existem e são maiores que o lado político ou a ideologia defendida. Nessas horas, é bom até mesmo esquecer que o MBL apoia os atos de amanhã. Ele não é dono das manifestações.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

Share on whatsapp
Share on telegram
Share on pinterest
Share on linkedin
Share on reddit
Share on vk

Deixe seu comentário...

A RENOVA Mídia não se responsabiliza pelo conteúdo, opiniões e comentários dos visitantes do site. NÃO publique ofensas, discordar não é ofender. Caso encontre algum material com ofensas, denuncie. Lembre-se que ao comentar em nosso portal você concorda com estes Termos de Uso.

Veja também...