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COLUNA: As trapalhadas do Delegado Waldir

Carlos Júnior

Carlos Júnior

COLUNA: As trapalhadas do Delegado Waldir
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Passada a euforia da eleição e da vitória de Jair Bolsonaro, o mundo real da política brasileira começou a imperar no outrora animado ambiente político. Era no mínimo idiotice crer que o estamento burocrático iria dobrar-se a Bolsonaro, sendo ele uma das principais forças a combatê-lo nas eleições.  

E não vá pensando que estou a me referir apenas a partidos como PT, MDB, PSDB ou PP. A velha política não fez apenas o papel de antagonista à onda conservadora: alguns dos seus também quiseram surfá-la. E o PSL, partido do presidente, não fugiu à regra. Tantos e tantos aproveitadores buscaram em Bolsonaro uma âncora firme a garantir um mandato. 

Eis que surge a folclórica figura de Delegado Waldir. O deputado paranaense já foi filiado ao PSDB e ao PR antes de chegar ao partido do atual presidente. Por mais que o tucanato fosse o reduto dos oposicionistas ao PT, é um partido social democrata de centro esquerda. Como alguém muda da água para o vinho de uma hora para outra? 

Reeleito deputado federal, começou a soltar inúmeras pérolas. Primeiro disse que Rodrigo Maia é o ”primeiro-ministro” do Brasil. Também ressaltou que os méritos da aprovação da Reforma da Previdência são todos dele. O mesmo Maia que procurou diversos atritos com o presidente Bolsonaro a troco de nada – a não ser sua autopromoção na mídia como líder sóbrio e racional frente a um presidente louco. Tais atritos fizeram a Bolsa de Valores despencar e a confiança dos investidores diminuírem, mas para Waldir e o próprio Maia, a culpa disso é do governo. 

Como a própria imprensa faz, ele resolveu soltar os cachorros em Onyx Lorenzoni, o ministro da Casa Civil. Disse que o governo não tem base no Congresso. “O PSL tem feito sua parte, mas não tem culpa se o Onyx não criou a base (do governo no parlamento), venho falando há tempos que o governo não tem base no Congresso”. Talvez ele tenha esquecido o fato de Onyx ter articulado a vitória de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre para a presidência da Câmara e do Senado, respectivamente. E ambas as vitórias foram conquistadas com margem significativa. Seria então a articulação de Onyx tão ruim assim?  

Na ânsia de falar bobagem, resolveu arrumar confusão com Olavo de Carvalho, responsável pela volta de uma direita intelectual na política. “O mais absurdo é um ‘guru’ que vive nos Estados Unidos atacar o governo e os militares. O presidente [Bolsonaro] não pode ficar à mercê dessas pessoas e pegar a opinião do ‘louco do dia’ ”. E finalizou: “Bolsonaro tem que dar um basta nesse astrólogo que comanda dois ministérios, pois as pessoas querem Educação, Saúde e Segurança”.  

Aqui vale um comentário mais longo. Olavo de Carvalho definia-se como direitista há bastante tempo, quando a esquerda brasileira reinava sozinha na política, na mídia e na vida intelectual. O gramscismo foi adotado com total sucesso, sendo quase impossível a direita ter algum sucesso na guerra cultural. Mas Olavo surgiu. E com ele veio toda uma geração de verdadeiros intelectuais. 

Se o impacto de suas ideias demorou a surtir algum efeito, seus resultados não foram menos impactantes. Jair Bolsonaro, antes político controverso e folclórico, virou o representante da direita política e venceu a eleição presidencial com um programa doutrinário cristão, conservador e patriota. Essa base doutrinária é encontrada facilmente nos livros de Olavo e é muito cara ao eleitorado bolsonarista. Quem leu ”O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” e ‘qualquer outro livro da série ”Cartas de um terráqueo ao planeta Brasil” sabe do que estou falando. 

Mas o presunçoso Delegado Waldir parece não ter a mínima noção disso. Ele foi reeleito em uma eleição onde vários pesos-pesados da política brasileira deram adeus à Brasília: Eunício Oliveira, Romero Jucá, Lindberg Farias, Marconi Perillo e até mesmo Dilma Rousseff não lograram êxito em suas respectivas disputas. Sem o eleitorado de Bolsonaro – que defende ideias tão desprezadas pelo deputado – como ele seria reeleito? Se não precisava de tal eleitorado, por que então usou seu nome nas eleições? 

Agora o mesmo deputado anseia por um novo imposto semelhante a antiga CPMF. É perda de tempo tentar ensinar economia a um indivíduo desses, mas caso ele observe a elevação contínua da carga tributária com o crescente rombo nas contas públicas, o que ele propõe é apagar fogo jogando gasolina. Ele vai de frente à agenda liberal econômica do próprio ministro da Economia, Paulo Guedes. Com um líder desses, ter inimigo é bobagem. 

Se o PSL está com a imagem tão desgastada com os eleitores do presidente Bolsonaro, fez por merecer. Os próprios parlamentares pertencentes ao partido são os responsáveis por isso. E as trapalhadas do patético Delegado Waldir entram na conta. Caso o governo queira algum sucesso e bons resultados, que procure outro líder na Câmara.  

Referências: 

1.https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,rodrigo-maia-e-o-primeiro-ministro-diz-lider-do-psl,70002790572 

2.https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/04/22/interna_politica,750732/delegado-waldir-critica-onyx-e-que-governo-nao-tem-base-no-congresso.shtml 

3.https://www.gazetadopovo.com.br/republica/delegado-waldir-critica-onyx-e-chama-olavo-de-carvalho-de-louco/ 

4.https://veja.abril.com.br/economia/cintra-cai-mas-lider-do-psl-ainda-espera-nova-cpmf/

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