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COLUNA: Ataques à Igreja Católica na América Latina

Carlos Júnior

Carlos Júnior

Ataques à Igreja Católica na América Latina
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A América Latina é sem sombra de dúvidas um dos grandes berços do catolicismo no mundo. O continente foi povoado e ocupado por portugueses e espanhóis, advindos de dois países de impossível compreensão sem o elemento católico em suas respectivas formações – no caso da Espanha, arrisco-me a dizer que o catolicismo é o que faz aquele território ganhar unidade. Até hoje vê-se a influência da Igreja Católica na vida dos povos latino-americanos, mesmo ao estar em um mundo moderno laico e secularizado. 

Se no campo moral a Igreja moldou o comportamento, a mentalidade e a visão de mundo dos latino-americanos, no campo político sua influência não é menor. Para dar um exemplo de casa, nossa primeira Constituição – a de 1824 – reconhecia o catolicismo como religião oficial de Estado. Isso é óbvio e lógico; como uma das instituições formadoras da civilização nas Américas, politicamente sua ação – ou mesmo a falta dela – faz-se sentir. Para amigos ou inimigos, a Igreja Católica nunca pode ser desprezada na política. 

Na década de 1990, surgiu o Foro de São Paulo, organização política transnacional de inspiração comunista. Sua ideia era fazer na América Latina o que fora perdido na União Soviética, ou seja, implantar o comunismo no continente inteiro, mas dessa vez pelas vias democráticas sob a batuta da estratégia gramsciana. O plano de concentração de poder nas mãos do Estado, estatização da economia e progressismo no campo moral com antiamericanismo estratégico formam o caldo ideológico desse pensamento. Com um plano desses grandemente ambicioso, a esquerda iria encontrar muitos obstáculos no continente. E obviamente que o maior deles é a Igreja Católica. 

Exemplos não faltam do diagnóstico anteriormente apresentado. A Constituição brasileira de 1988 estabeleceu a ideia do Estado laico, ou seja, nenhum católico ou protestante pode viver e professar sua fé publicamente ou politicamente. Ora bolas, o Estado é laico! Ou ninguém lembra da ideia de uma ONG para retirar os crucifixos dos tribunais? A noção laica e secular da política é própria da esquerda, e para a implementação de seus planos, o Cristianismo deve ser varrido da sociedade. 

Recentemente, uma série de eventos mostrou a face anticatólica da esquerda em solo latino-americano. Vamos dissecar cada um deles. 

Em outubro desse ano, um grupo de feministas lançou artefatos incendiários e pedras em uma catedral na Argentina. Elas carregavam cartazes com os dizeres “Fora Igreja do Estado”, “nem patriarcado, nem capitalismo”, entre outros. Também achincalharam os defensores da posição pró-vida, ao acusá-los de encobrir casos de pedofilia. Vejam, senhores: feminismo, socialismo, abortismo e progressismo juntos para vilipendiarem a Igreja Católica. Muito significativo. 

No turbilhão que virou o Chile, um grupo de vândalos invadiram e profanaram a Igreja de São Francisco de Valdivia. Imagens foram destruídas e o Santíssimo Sacramento foi profanado. O santuário “Maria Auxiliadora”, também no mesmo país, sofreu do mesmo destino da Igreja anteriormente citada. Toda essa convulsão no Chile começou com protestos contra o presidente Sebástian Piñera, de centro direita. E claro, a esquerda é protagonista e executora das manifestações, muito provavelmente está por trás dos ataques às Igrejas também. 

Por fim, temos na Nicarágua o exemplo do que acontece quando se tem uma ditadura comunista no poder. Partidários sandinistas do ditador Daniel Ortega invadiram duas Igrejas, e, como sempre, vandalizaram e profanaram o local. A cruzada nada santa de Ortega contra a Igreja Católica deve-se pelo fato de que ela vem a denunciar a perseguição política e a violação das liberdades no país. Tanto que o ditador chamou os Bispos do país de ”golpistas”. 

Se Karl Marx definiu a religião como ópio do povo, Antonio Gramsci identificou a Igreja Católica como principal obstáculo à implementação do comunismo, Herbert Marcuse descreveu de forma caricatural o Cristianismo, seus compadres revolucionários na América Latina seguem seus passos na luta contra a religião cristã. E como o catolicismo é a vertente dominante, os ataques também são feitos de forma proporcional. 

Porém, lembro mais uma vez as palavras de G. K. Chesterton a todos que querem acabar com a Igreja Católica na América Latina ou no mundo inteiro: ”[…] Se nossas relações e registros sociais mantiverem sua continuidade, se os homens realmente aprenderem a usar a razão para acumular os fatos de uma história tão esmagadora, a impressão é de que mais cedo ou mais tarde até seus inimigos aprenderão com suas incessantes e intermináveis decepções a não ir atrás de algo tão simples como a morte do cristianismo. Eles podem continuar a combatê-lo, mas será como um combate contra a natureza: um combate contra uma paisagem, um combate contra o horizonte. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”     

Referências: 

  1. https://extra.globo.com/noticias/brasil/ong-quer-tirar-crucifixos-das-paredes-de-tribunais-de-justica-667826.html 
  2. https://www.acidigital.com/noticias/feministas-realizam-ataque-fracassado-a-catedral-de-la-plata-18943 
  3. https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2019-11/chile-nos-tumultos-atacadas-varias-igrejas.html 
  4. https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/11/19/interna_internacional,1102178/nicaragua-intensifica-violencia-contra-membros-da-igreja-e-opositores.shtml 
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