COLUNA: Biden é forte candidato, mas o Partido Democrata o sabota

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, lançou nesta quinta-feira sua pré-candidatura à presidência americana. Ele lidera todas as pesquisas de intenções de voto dentro do Partido Democrata e é tido como capaz de bater o atual presidente Donald Trump nas eleições de 2020.


Biden é um democrata tido como moderado, ligado ao establishment do Partido Democrata. Esse fato poderia ajudá-lo bastante, mas acaba por se voltar contra ele mesmo. Explico: ele é um forte candidato, mas o seu próprio partido está tratando de sabotar sua própria campanha.

Os almofadinhas do Partido Democrata preferem Biden por um motivo simples e óbvio: ele é o único capaz de recuperar o apoio da classe trabalhadora americana. Historicamente ligada aos democratas, ela trocou de lado com o discurso de Trump na campanha de 2016. O então candidato republicano precisava conquistar estados como Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, que concentram grandes indústrias e possuem uma massa de trabalhadores bastante expressiva. Trump prometeu trazer de volta os empregos que a globalização e as dificuldades impostas por governadores democratas desses estados – desde altos impostos até legislações absurdas – roubaram. Ganhando-a, ganhou estados que elegiam democratas há décadas. A importância para os democratas de reconquistá-la visando 2020 é total.

Entretanto, Biden busca a nomeação de um partido tomado por socialistas radicais e militantes identificados com as políticas identitárias de forma cega e fanática. Pautas como aborto, feminismo, militância LGBT e racial dão o tom de um partido historicamente marcado pela intolerância – qualquer dúvida é só conhecer um pouco de história americana e ver quem apoiou a escravidão e a Jim Crow. Seu discurso soa como conciliador, mas ele busca a impossível conciliação dessas alas do partido como uma classe trabalhadora majoritariamente conservadora.

O fogo amigo já começou. A senadora democrata e também pré-candidata Elizabeth Warren deu recentemente uma declaração sugerindo que médicos e enfermeiras não tratem mulheres afro-americanas da mesma forma que mulheres brancas. “Que médicos e enfermeiras não ouvem os problemas médicos das mulheres afro-americanas da mesma maneira que ouvem as mesmas coisas das mulheres brancas”, disse Warren. A senadora deveria lembrar que os estados que sempre decidem a eleição presidencial americana têm maioria populacional branca. E foram eles que deram a vitória a Trump em 2016.

Mas não são apenas declarações toscas que atrapalham Biden. O possível processo de impeachment contra o presidente Trump é um presente para o mesmo. Além de ser impossível no mundo real – o Senado é de maioria republicana -, o fim da narrativa do conluio russo passará a imagem de perseguição a Trump. E as alas radicais do Partido Democrata defendem com ardor o impeachment.

O movimento ‘’#MeToo”, ligado às alas feministas e que já fez diversos estragos a muitos políticos importante, também assombra Biden. Ele próprio foi alvo de denúncias de assédio sexual. O mesmo Biden que tempos atrás demonstrou ‘’profundo repúdio’’ pela forma ‘’extremamente desrespeitosa’’ com que Donald Trump tratava as mulheres. Parece que agora o feitiço se virou contra o feiticeiro.

Isso só mostra o quanto os democratas estão distantes da vida real do americano médio. Preocupações de gênero, raça ou classe social estão longe de ser as preocupações do americano comum, aquele que costuma mudar de voto e decide a eleição. A esquerda americana busca nas políticas identitárias uma forma de engajar militantes e levá-los às urnas. Isso funciona com o eleitorado de Bernie Sanders e os socialistas radicais, nunca com o trabalhador americano.

E é justamente esse tipo que irá definir o vencedor da eleição americana do próximo ano. Ao que parece, Biden é um candidato forte e totalmente capaz de trazer de volta para o Partido Democrata aqueles que votavam no partido e embarcaram no discurso de Donald Trump. Mas o mesmo Partido Democrata está a fazer um desserviço para si e para seu melhor candidato. Num misto de antiamericanismo infantil e esquecimento do passado recente, continua a cometer os mesmos erros que entregaram a presidência aos republicanos.

Não se enganem: Joe Biden não é socialista. No entanto, nem por isso deixa de ser uma ameaça aos EUA e seu povo. Comunga de forma tímida com os valores pós-modernos – que são a completa antítese dos valores fundantes do país – e irá trazer de volta o apelo paternalista do estado grande da era Obama. Que o Partido Democrata continue sabotando sua campanha. É um favor ao povo americano. E ao mundo também.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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