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COLUNA: Bolsonaro, Santa Cruz e a direita limpinha


As declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a morte do pai do atual chefe da OAB, Felipe Santa Cruz, renderam e continuam dando o que falar.

Os desdobramentos após Bolsonaro dizer que sabe como o pai de Santa Cruz desapareceu nos colocaram diante de novidades que cansamos de saber: a esquerda é mentirosa e não menos cruel; décadas de gramscismo cultural perverteram o debate histórico e nacional e a direita limpinha é a melhor agente a serviço da esquerda.

Antes de tudo, temos que lembrar o porquê de Bolsonaro ter citado o presidente da OAB. Ele estava comentando o atentado sofrido em Juiz de Fora, no ano passado, feito por militante de extrema esquerda que foi filiado ao PSOL. Bolsonaro falou que a OAB evitou que se chegasse nos celulares dos advogados de Adélio Bispo (autor do atentado). Algum veículo de mídia deu destaque a tal fala?

Vejam só: estaríamos falando de uma atitude totalmente irresponsável da OAB ao não permitir acesso aos celulares dos advogados do homem que quase matou o presidente da República. Até hoje não temos a menor informação sobre quem pagou os advogados de Adélio, uma vez que o sujeito não tinha a menor condição financeira para realizar tal pagamento. Mas estranhamente tal menção caiu no esquecimento da grande mídia. Como tantas coisas estranhas que acontecem neste país.

Quanto ao desaparecimento do pai de Santa Cruz, o próprio exército já divulgou nota afirmando que não tem informações sobre a morte do dito cujo – contrariando toda a mídia e o meio político que se apressaram em condenar o presidente Bolsonaro. Como falar com precisão que ele foi morto pelo Regime Militar tendo como base a mentirosa Comissão da Verdade? Mais uma das coisas que só acontecem no Brasil.

Aliás, o tema Regime Militar é a prova maior de como o debate brasileiro está imerso em um antro de burrice, fingimento e inverdades. Ano após ano, a mídia e o meio político celebram o 31 de março repetindo os mesmos bordões de sempre: Jango não era comunista, o golpe foi dado por ordem do governo americano, o regime militar foi a ditadura mais cruel da história brasileira, os militantes e assassinos das guerrilhas de esquerda são vítimas, e não culpados. É inacreditável o nível de manipulação das versões de um acontecimento da mais alta importância para a verdadeira compreensão de nossa peculiar história.

Jango não era comunista, mas tinha conhecimento dos planos para a tomada do poder no Brasil pelos comunistas. Em 1962, o Serviço de Repressão ao Contrabando descobriu um plano de formação de um campo de treinamento de ligas camponesas. O material apreendido ia de bandeiras de Cuba a manuais de instrução de combate. Os documentos foram parar nas mãos de Jango. Ao invés de bradar aos quatro cantos que o Brasil estava sendo tomado pelos comunistas cubanos, Jango simplesmente devolveu os documentos e as provas ao regime cubano. Se não era protagonista, Jango era no mínimo cúmplice da trama podre.

A esquerda terrorista armada matou 119 pessoas no período do regime militar. O que faz a “nossa’ grande mídia? Saúda-os como defensores da democracia e das liberdades civis. Os seus crimes, assassinatos e mentiras são colocados para debaixo do tapete, num fingimento e inversão de valores de embrulhar os estômagos mais sensíveis.

A outra grandiosa novidade que o caso mostrou foi como a direita limpinha aproveitou o episódio para posar de alta reserva moral. Rodrigo Constantino, aquele liberal que não aguenta um debate com Ciro Gomes, fez um artigo para descer o sarrafo em Bolsonaro pela ‘’fala infeliz’’: ‘’Devo ter uns mil artigos contra a OAB, que chamo de Ordem dos Advogados Bolivarianos. Seu presidente é comuna mesmo, petista. MAS… isso não justifica o presidente dizer o que disse. Ou temos padrões morais, ou somos como nossos adversários. Decência Já! O conservadorismo de boa estirpe prega isso’’.

O que Rodrigo Constantino e tantos outros lindinhos morais ignoram é que a fala de Bolsonaro lançou mão de um fato, não de um juízo de valor. Se Bolsonaro está equivocado ou não, o problema é seu em não ter evidências para provar o que falou. Mas em momento algum ele lançou mão de fazer juízo de valor.

E ele ainda continua dizendo: ‘’ Decência não tem ideologia. Mil vezes um social-democrata civilizado do que um boçal de “direita” que acha legal zombar de alguém que perdeu o pai quando tinha dois anos sem conhecer seu paradeiro só porque se trata de um adversário político. Cruzar essa fronteira é o fim da picada!’’.

A vontade de pagar de bonzinho e herói de gibi é maior que compreender a realidade tal como ela é, mesmo que desagrade a tantos.

Bolsonaro pode estar equivocado? Pode. Mas a sua fala foi simbólica: mostrou o quanto seus adversários são mentirosos, o quanto a memória histórica brasileira é mais infantil que a Disney. E o quanto a direita limpinha é desonesta e mentirosa para atingir seus próprios fins. Ela não nos serve para encarar a realidade.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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