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COLUNA: Debates mostram radicalismo do Partido Democrata nos EUA

Nos dias 26 e 27 aconteceram os dois debates com os aspirantes à nomeação do Partido Democrata para a eleição presidencial em 2020.

Pela quantidade enorme de pré-candidatos, era de se esperar que ambos os debates não permitiriam um embate maior entre os concorrentes. Porém, o segundo evento mostrou que o favorito Joe Biden terá trabalho, e a senadora californiana Kamala Harris surge como destaque dos debates.

No primeiro debate, as atenções ficaram voltadas para a senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts. Atualmente na terceira colocação nas pesquisas entre os pré-candidatos, Warren partiu para o ataque as políticas econômicas do presidente Donald Trump: ‘’Quando você tem uma economia que faz bem para quem tem dinheiro … é pura e simples corrupção. Precisamos atendê-lo e precisamos atacá-lo de frente. Precisamos fazer mudanças estruturais em nosso governo, nossa economia e nosso país”.

Ela não foi a única a fazer críticas à política econômica do presidente. Beto O´Rourke, ex-congressista do Texas, foi na mesma direção, afirmando que ‘’a economia não funciona para todos’’. Foi uma constante dos democratas pedirem mais impostos e mais Estado na vida dos americanos como solução mágica para a eliminação de desigualdades.

O que Warren, Beto e seus pares negligenciam com muita esperteza é o fato de que com Trump a economia americana está de vento em popa. A taxa de desemprego continua no mínimo histórico de 4% – o menor desde 1969, os salários dos trabalhadores americanos aumentaram e o PIB dos EUA continua a crescer desde a posse de Trump. Tudo isso com uma agenda totalmente oposta a que os democratas propõem: menos impostos, menos Estado e mais liberdade econômica.

Nada de mais interessante aconteceu no primeiro debate, uma vez que os candidatos mais bem colocados estariam no debate seguinte. Os holofotes estavam todos voltados para os dois mais bem colocados nas pesquisas: Joe Biden e Bernie Sanders. O primeiro foi vice-presidente dos EUA na era Obama, e o segundo é senador por Vermont e já foi pré-candidato à presidência.

No entanto, as atenções durante e após o debate ficaram para outra candidata: Kamala Harris. Sua postura foi bastante firme, suas falas mostraram clareza e ela conseguiu expor bem suas ideias e projetos. De longe foi a vencedora do debate, como mostraram as enquetes feitas entre os eleitores democratas. Van Jones, comentarista da CNN, disse que o debate ‘’fez nascer uma estrela’’.

Harris foi responsável pelo momento mais tenso do debate também. Ela confrontou Biden por esse no passado ter sido contrário a uma medida conhecida como busing, que tinha como objetivo eliminar a segregação racial nas escolas americanas. Harris foi forte, contundente e lúcida ao questionar Biden sobre a medida. Biden foi frágil, defensivo e pouco convincente na sua resposta.

O ex-vice-presidente americano vai ter bastante trabalho para conquistar os setores mais radicais do Partido Democrata, uma vez que tais setores trabalham nomes alternativos à sua candidatura. Seu histórico de oposição a medidas contra a segregação racial e a defesa pró-vida em detrimento ao aborto são pedras no seu sapato.

Além disso, alguns momentos do debate chamaram a atenção para o radicalismo dos democratas. Todos os pré-candidatos concordaram em dar acesso aos imigrantes ilegais ao sistema público de saúde americano, fato que o presidente Trump obviamente não deixou passar batido no Twitter: ‘’ “Todos os Democratas levantaram as mãos para dar a milhões de ilegais cuidados ilimitados de saúde. E que tal tratar dos Cidadãos Americanos primeiro!? É o fim dessa corrida!”.

No mais, o debate foi o de sempre dos democratas: mais Estado, antiamericanismo, relativismo cultural e apoio irrestrito às políticas identitárias. Dificilmente essa agenda irá ser atraente ao eleitor independente, uma vez que a estabilidade econômica oferecida pelo presidente Trump deverá pesar mais para quem não é eleitor de carteirinha de um dos grandes partidos.

Se os números das pesquisas mostravam Joe Biden como amplo favorito para levar a nomeação, o debate fez surgir Kamala Harris, até então pouco apontada como viável para uma candidatura contra Trump. É bom lembrar que até este momento em 2015 o próprio Trump não era nem de longe apontado como um dos favoritos para levar a nomeação republicana. Ainda há muita coisa por acontecer no lado azul americano até a Convenção Nacional Democrata.

Referências: [1][2][3][4][5]

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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