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COLUNA: Diálogo Cabuloso


O dicionário Caldas Aulete diz que a palavra “cabuloso” tem significado associado ao termo “cábula”, que significa “falta ou pouca frequência nas aulas”. Em um segundo aspecto, marcado por regionalismo gaúcho, “cabuloso” é também sinônimo de “violento”.

Na gíria de quem é cabuloso porque não frequenta escolas, o “cabuloso” pode ser algo positivo. Nas andanças em que frequento, o “cabuloso” dos preguiçosos é o correspondente do meu “formidável”.

Eis que hoje, quase discretamente, em meio a notícias sobre a chegada de Dani Alves no Morumbi, os jornais fazem uma notinha de um diálogo entre um chefe de facção criminosa que confessa ter um “diálogo cabuloso com o PT”. Tratam com trivialidade, como se fosse algo, assim, de menor importância.

E obviamente que não será dada a menor atenção a isso na imprensa, que troca esse “diálogo cabuloso” pelo diálogo de quem não cabula nada (tal qual as falas do presidente sobre qualquer assunto ou ainda as trocas de ideias entre os procuradores da Lavajato).

Esse outro diálogo que se refere a um “diálogo cabuloso” (no sentido de formidável) escancara pela primeira vez a relação institucional e direta entre PT e facções criminosas.

Aquilo que Olavo de Carvalho, com base em pesquisa anterior de Graça Wagner, escarafunchou até chegar no Foro de SP e, posteriormente se consolidou em livro de Leonardo Coutinho, começa a tomar ares mais sérios, a saber: a notória relação entre o lumpemproletariado das facções criminosas e os partidos de esquerda.

No Foro de SP essa relação é cristalina ante a presença das FARC nos eventos que contam com os partidos e os então líderes políticos e presidentes de inúmeras nações latino-americanas. Recentemente, no último evento, organizações associadas ao terrorismo no Oriente Médio também marcaram presença em Caracas com o mesmo status dos partidos de esquerda. Entre eles, as organizações criminosas são entidades que recebem o mesmo grau de respeito que os partidos – nada diferente do que mostra o “diálogo cabuloso”: eles se respeitam entre si e inclusive tem apreço um pelo outro e admiração mútua.

Que Maria do Rosário prefira Champinha às vítimas, isso nós já sabemos há décadas, mas com a revelação dessa conversa, a admiração inversa já é fato e a relação entre os Lavajatistas multicondenados e a estrutura do crime organizado para a prática da narcoguerrilha (urbana ou rural) vem a tona com todas letras. Pior: veio a tona por meio de uma interceptação telefônica legal, legítima e de inquestionável jurídica.

Na associação de duas organizações lideradas por pessoas que reconhecidamente passaram a vida fugindo dos bancos escolares, temos uma peça que supera em modo e gravidade qualquer faniquito do blog de hackers. Neste caso, inclusive, a associação (mais uma vez) entre criminosos multicondenados e políticos com mandato (caso do deputado que dá “imunidade parlamentar indireta” ao dono do blog), confirma o padrão operacional de que por trás de um partido de esquerda sempre há um membro do lumpemproletariado com trânsito em presídios e bocas de fumo.

O “diálogo cabuloso” sobre os “diálogos cabulosos” é o início daquilo que a lei dos partidos trata expressamente como manutenção de organização paramilitar

Nem precisou, no caso, discutir se a atividade de movimentos como MST se enquadram em organização paramilitar: basta investigar os “diálogos cabulosos” – seja no sentido do esmero de Caldas Aulete, seja no sentido do bom gaúcho, seja, por fim, naquilo que o “cabuloso” pode ter de “fabuloso” ou “formidável” e ver que a ponta que faltava da admiração mútua é revelada pela boca de um traficante.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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