COLUNA: O ataque aos cristãos na UFPI

A luta política é uma camada superficial da disputa ideológica e de narrativas. Os conflitos de visões são variados e nem sempre parecem acessíveis ao cidadão comum, que nada entende disso e apoia coisas ou omite-se de algumas delas sem ter a menor noção do que realmente está acontecendo.


Um exemplo é a Revolução Francesa. Enquanto o povo julgava estar lutando contra a opressão da dita elite e iria conseguir condições de vida melhores, a parte intelectual dos jacobinos queria além: a destruição de todo o passado simbólico francês. Um de seus lemas era: ‘’O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre’’. O processo não começou com a queda da Bastilha, e sim quando um processo acentuado de secularização da cultura e da vida intelectual francesas foi estabelecido.

Desde então a fascinação dos revolucionários com a aniquilação do cristianismo ficou óbvia e patente, mesmo que em métodos pouco chamativos. Não irei me alongar para descrever tal processo, até porque outros já fizeram isso de forma excepcional – leiam Fire in the minds of men, de James H. Billington.

Mas o motivo da existência desse artigo é um acontecimento absurdo e tortuoso para os de estômago fraco: uma exposição de ‘’arte’’ na Universidade Federal do Piauí (UFPI) tinha registrado em seus quadros cenas como Nossa Senhora amamentando o menino Jesus, mas seu rosto era simplesmente o do Anticristo.

Repito: a imagem é a de Nossa Senhora amamentando o Anticristo. Nem adianta dizer que é mentira, a coisa foi devidamente registrada em fotos.

Uma obra de ‘’arte’’ dessas não é apenas blasfêmia pura. É um ataque aos cristãos da UFPI, esses que já vivem como uma mordaça natural de estarem em um ambiente hostil ao Cristianismo e a qualquer tradição. Não custa nada lembrar que o Brasil é um país de maioria católica, vertente do Cristianismo onde Maria tem um papel destacado. Mesmo assim, os protestantes também devem compartilhar da indignação cara a qualquer cristão ante um ataque a fé. Não consigo encontrar outra definição para o fato.

O artigo 208 do Código Penal é claro como o sol de Teresina: ‘’Escarnecer alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa, impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso, vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’’. O último caso foi justamente o que aconteceu. Não há coisa mais óbvia que isso.

Tal exposição também continha imagens associando o presidente Jair Bolsonaro ao nazismo – o que é uma idiotice sem tamanho. Até mesmo uma mentira dessas é tolerável. Ter uma opinião política nada tem de errado e a liberdade para expressá-la é assegurada por nossa Constituição. O problema é denegrir a fé da imensa maioria dos brasileiros, coisa que não pode ser tolerada.

A moral cristã é um dos últimos obstáculos a revolucionários e engenheiros sociais. De jacobinos a metacapitalistas sedentos por poder e entusiastas de uma ditadura global, os inimigos do Cristianismo destilam ódio ao maior pilar da civilização ocidental. Somente em sociedades cristãs ocidentais é permitido a contestação de tal estrutura e religião. Em nações teocráticas islâmicas, fazer isso geralmente acaba em pena de morte.

Aliás, cabe observar que o secularismo está a punir apenas os cristãos. Observe a repercussão e a indignação com ataques ao islamismo, budismo e religiões tradicionais africanas. Agora faça o mesmo e observe quando o alvo é o Cristianismo. Dois pesos e duas medidas são facilmente constatados.

Os cristãos não podem deixar que esse tipo de coisa torne a nos ofender. Nunca foi de nossa vontade evangelizar quem não quer – e é um direito escolher qual religião seguir. Entretanto, ofensas, blasfêmias e ataques ao Cristianismo não serão, não podem e não devem ser tolerados. Não é apenas um ato grave frente a Deus – isso por si já bastaria. É crime também.

O ataque aos cristãos na UFPI mostra o regresso civilizacional que o Brasil engoliu a seco nos últimos anos. O beautiful people do establishment cultural apoiou e apoia iniciativas nefastas como essa, na esperança de tirar do caminho o último obstáculo a causas que fazem seus corações baterem mais forte.

Encerro com as palavras do grande G. K. Chesterton:

‘’[…] Se nossas relações e registros sociais mantiverem sua continuidade, se os homens realmente aprenderem a usar a razão para acumular os fatos de uma história tão esmagadora, a impressão é de que mais cedo ou mais tarde até seus inimigos aprenderão com suas incessantes e intermináveis decepções a não ir atrás de algo tão simples como a morte do cristianismo. Eles podem continuar a combatê-lo, mas será como um combate contra a natureza: um combate contra uma paisagem, um combate contra o horizonte. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”

Referências: [1][2][3][4][5]

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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