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COLUNA: Saudosistas da Nova República

Quando Tancredo Neves venceu a disputa contra Paulo Maluf pela presidência do Brasil em votação indireta, a sensação de novos ares no país, de ventos de mudança. Afinal, depois de 21 anos dos militares no poder, o Brasil teria novamente um civil na chefia do Executivo – mesmo não tendo votado nele.

Mas a vitória do experiente político que já fora até primeiro-ministro em curta experiência parlamentar no país não fora de modo algum vazia de significado ideológico. Tancredo veio a falecer, assumiu José Sarney e o PMDB chegou ao poder. O partido que era o representante máximo do estamento burocrático – as elites que dominam o Estado e assim o utilizam em benefício próprio – não poderia comandar a República das bananas sem qualquer outra fonte de legitimidade. Escolheu virar à esquerda, a única força política e ideológica organizada naquele momento.

A expressão prática disso é a Constituição de 1988. Quem foi o símbolo da formação da mesma? Ulysses Guimarães, político que foi símbolo do PMDB e até hoje é reverenciado como grande figura para as lideranças do partido. A nossa atual carta magna marcou a hegemonia dos ideais de esquerda perante a sociedade brasileira. Criou milhares de direitos e obrigações para o Estado que até mesmo o então presidente Sarney disse o óbvio: o Brasil seria ingovernável naqueles moldes. O bigodudo maranhense tinha mais que razão.

Só o que o objetivo era este mesmo: tornar o país ingovernável. De que forma se garante tantos direitos com um Estado ineficiente? A solução mágica dos governos seguintes – exceto Collor – foi justamente a pior possível: aumentando o tamanho do Estado. E claro, garantir os privilégios dos políticos ligados ao estamento burocrático por vias de negociação não tão republicanas assim.

Consolidada a Constituição, três partidos iriam protagonizar a disputa política no Brasil: o PT, partido de esquerda adepto de um projeto comunista latino-americano com roupagem social-democrata e ação com táticas do gramscismo; o PSDB, partido verdadeiramente social-democrata de centro esquerda que propunha o aumento gradual do Estado; e o PMDB, partido do estamento burocrático sem ideologia própria, sedento pelo poder.

E a direita brasileira? Essa pagou o preço por terceirizar o combate a esquerda aos militares. Fingiram que os mesmos eram compadres ideológicos – quando o positivismo e a tecnocracia impedem qualquer visão política no exército. Acabou por não ter representatividade nenhuma na Nova República, e a sua mediocridade é expressa no simples fato de que o PFL tenha sido o máximo de direita possível no cenário político brasileiro.

Durante 30 anos a política brasileira foi um espetáculo de três partidos principais, com a esquerda sendo a única força política por trás dos três. A estratégia das tesouras de Lênin nunca foi tão bem aplicada em outro país como foi no Brasil. Se os tucanos fizeram com que a hegemonia da esquerda na mídia, nas universidades e nas igrejas fosse bem estabelecida, o PT deu seguimento a um projeto já em andamento.

O Foro de São Paulo, projeto macabro de poder que visava fazer na América Latina aquilo que foi perdido no Leste Europeu, avançava a passos largos. O silêncio da grande mídia frente ao ideal de sovietizar um continente inteiro foi o maior sinal da hegemonia esquerdista. Não à toa, o professor e filósofo Olavo de Carvalho foi o único a denunciar o modus operandi da coisa, e acabou por ser tachado de doido.

Foi uma época de euforia para a esquerda. O crescimento econômico surpreendente da década de 2000 puxado pelo surgimento da China como potência fez com que o PT gozasse de amplo apoio popular. Nesse momento único, finalmente o PT foi um partido de trabalhadores. Na tradição brasileira de só se importar com o bolso, a esquerda reinou absoluta e parecia reinar para sempre nesse país.

Parecia. A incompetência e a corrupção petista fizeram desabar aquele clima de prosperidade, e quando o bolso começou a doer, o povo brasileiro percebeu estar diante de si uma organização criminosa engravatada. Não só: percebeu o quanto foi intoxicado de gramscismo, grande responsável pelo rebaixamento moral e intelectual do país. A Lava Jato foi sem sombra de dúvidas o marco de um novo Brasil que surge aos poucos.

A vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018 derrubou muita coisa. Acabou com a hegemonia política da esquerda. Acabou também com o protagonismo dos três partidos de sempre. A onda conservadora de direita tenta também acabar com a hegemonia cultural da esquerda – o professor e filósofo Olavo de Carvalho é sem dúvida o símbolo desse esforço. Bolsonaro também tenta acabar com a cultura da corrupção no país, símbolo do nosso rebaixamento moral.

Não à toa a Nova República é dada como morta por muitos estudiosos. E também já tem os seus saudosistas. Os motivos são mais que óbvios. O Brasil não é mais o país que dormia em berço esplêndido como outrora.

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Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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