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COLUNA: Trump e os erros constantes da velha imprensa

‘’Nenhuma administração dos Estados Unidos desde o colapso do comunismo na Europa Oriental foi tão diretamente hostil aos interesses russos quanto a administração Trump, diz Ian Bremmer, presidente e fundador do Eurasia Group’’. Manchete da FOX News que é a coisa mais óbvia do mundo para quem acompanhe política americana ou entende o ABC da geopolítica.

Nossos lindinhos da grande mídia brasileira insistem que não. Trump topou um conluio com os russos para salvar uma campanha quase perdida, obteve informações ilegalmente vazadas do Partido Democrata sobre Hillary Clinton e venceu a eleição. Acredite ou não, nossa grande mídia continua a crer nisso com um ímpeto religioso.

Parece sintomático o fato de o Russiagate continuar a ser uma verdade incontestável e ainda assim ter sumido dos noticiários. O relatório que livrou Trump de qualquer participação no possível conluio com os russos foi um balde de água fria para democratas e grande mídia.

Não faz o menor sentido o Kremlin apoiar um presidente americano anti-establishment. E não o faz por motivos muito simples e necessários para entender a disputa entres as três forças de dominação global – tendo os EUA como principal inimigo de ambas.

O primeiro deles eu entreguei no final do parágrafo anterior: os EUA são inimigos perpétuos do esquema russo-chinês, e um presidente independente na Casa Branca, descompromissado com o establishment local e os metacapitalistas ocidentais, fortalece o país – e um EUA forte é exatamente aquilo o que russos e chineses não querem. O metacapitalismo ocidental também visa a destruição dos EUA, e todos os presidentes americanos ligados a tal ala estiveram empenhados em tal meta macabra.

O segundo é que Donald Trump é um conservador, e sendo um político de direita, representa ideais que formam a base do sentimento nacional americano, rocha dos EUA. Tais ideais são incompatíveis com qualquer projeto de dominação global – basta ver as fortes críticas feitas por militantes e alguns políticos do Partido Republicano a certas instituições e organismos supranacionais, como ONU, FMI e alguns tratados comerciais.

Terceiro, Trump é um isolacionista. Isso pode de início parecer uma certa contradição, pois ao retirar os EUA de outras regiões do planeta e cortar auxílio financeiro e militar a aliados históricos como Japão, União Europeia e Coreia do Sul, o presidente americano favorece o eurasianismo – projeto ideológico de poder de Vladimir Putin encabeçado pelo intelectual russo Alexandre Dugin, que visa unir todas as forças do mundo na sua luta contra o Ocidente e os EUA. Porém, a ideia de fazer do EUA a ‘’polícia do mundo’’ é cara e extremamente destrutiva para o país, uma vez que envolvê-lo em diversos conflitos fomenta o antiamericanismo nos quatro cantos do planeta – sonho dourado dos metacapitalistas. Assim, Trump acaba com o esquema globalista ocidental de destruir os EUA por dentro, e tira dos eurasianos a ideia de imperialismo americano – tão boba e ainda assim tão realçada.

É muito claro que apenas um ato de imensa burrice faria o Kremlim colaborar com a campanha de Donald Trump. Seus objetivos seriam – e estão sendo – frustrados com um nacionalista independente na Casa Branca. As disputas de poder entre EUA e Rússia não cessaram com a Guerra Fria, e não dão o menor sinal de um dia cessarem.

Mas o objetivo da grande mídia nunca é mostrar as coisas como de fato são. A americana vem choramingando há tempos por um impeachment – coisa que nem mesmos os democratas mais experientes estão dispostos a fazer. A brasileira continua em um silêncio constrangedor sobre a questão, logo ela que deu como certa a narrativa do Russiagate e a consequente deposição de Trump do cargo. O jornalismo foi trocado pela militância, e a verdade é sempre a derrotada.

Não esperem que os erros nas previsões políticas sobre o Brexit e as vitórias de Trump e Bolsonaro farão a mídia aprender alguma coisa. Para ela vale qualquer coisa para empurrar goela abaixo suas pautas prediletas, custe o que custar. Seja caracterizar o nosso presidente como um homem desequilibrado, burro e sem escrúpulos, seja mentir descaradamente sobre os fatos e inverter a lógica de como as coisas funcionam – como já o fez inúmeras vezes. Nisso, até mesmo Trump vira um eurasiano daqueles crentes no mundo multipolar.

Referências: [1][2][3][4]

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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