Correios aumentam frete em até 51% e revoltam internet

O comando dos Correios marcou para 6 de março um aumento de até 51% no valor dos fretes para compras e vendas online.

A informação foi divulgada, inicialmente, pelo portal de comércio eletrônico Mercado Livre, em seu site oficial.

Consumidores, além de pequenos e médios empreendedores que atuam em vendas na internet, estão recebendo o que pode ser a pior notícia do ano: os preços de fretes junto aos Correios serão reajustados e sofrerão aumentos de até 51%. As mudanças devem entrar em vigor na próxima terça-feira, dia 6 de março.

O aumento é considerado abusivo, pois a inflação do último ano foi em torno de 3%, enquanto os 51% previstos para o reajuste dos Correios superam em dezessete vezes o cálculo oficial do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA.

De acordo com informações do Bem Paraná:

O reajuste afetará bastante os consumidores e principalmente as empresas que vendem pela internet. A decisão fará com que o frete no Brasil seja 42% mais caro do que na Argentina, 160% mais caro que no México e nada menos que 282% mais caro que na Colômbia.

Vendas para fora das grandes cidades será ainda mais caro: considerando que os valores de frete para enviar um produto de um estado para outro já são altíssimos, eles ficarão ainda mais altos.

O aumento de 51% afetará vendedores que moram ou atendem clientes fora das grandes cidades. Por exemplo, uma encomenda enviada de Curitiba para Maringá, que atualmente custa cerca de R$ 40,00, passará a ser R$ 57,00. Também foi instituída taxa extra para locais considerados como áreas de risco, como o Rio de Janeiro, que custará R$ 3,00 por encomenda.

O Mercado Livre enviou na tarde desta terça-feira (27), um comunicado para todos os seus usuários no Brasil com essas informações. O Mercado Livre ainda acusou os Correios de quererem repassar o que, segundo a companhia, seriam os custos da falta de eficiência da estatal brasileira: “Ao escolher repassar os custos da sua ineficiência operacional, os Correios causam um retrocesso na forma de comércio que mais cresce no mundo. Um retrocesso que impacta diretamente os pequenos e médios”.

A empresa está incentivando o uso da hastag #FreteAbusivoNão, como uma forma de mobilizar as pessoas contra o aumento.

De acordo com comunicado dos Correios publicado pelo jornal Gazeta do Povo:

Em nota enviada à Gazeta do Povo, os Correios refutaram as informações do Mercado Livre. Segundo a assessoria, “a média [do aumento] será de apenas 8% para os objetos postados entre capitais e nos âmbitos local e estadual, que representam a grande maioria das postagens realizadas nos Correios”.

Ainda de acordo com os Correios, “a definição dos preços é sempre baseada no aumento dos custos relacionados à prestação dos serviços, que considera gastos com transporte, pagamento de pessoal, aluguéis de imóveis, combustível, contratação de recursos para segurança, entre outros”.

Acerca da “taxa de risco” para o Rio de Janeiro, de R$ 3 por envio à cidade, os Correios dizem que a cobrança é emergencial e que ela poderá ser suspensa a qualquer momento, “desde que a situação de violência seja controlada”. Esclarece, ainda, que outras transportadoras brasileiras já praticam essa cobrança desde março de 2017.

Por fim, a nota diz que o reajuste “mantém os Correios competitivos em seus preços praticados no Brasil inteiro, garantindo sua presença em todo o território nacional”.

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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