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Cortadoras de cana na Índia têm útero retirado à força

Tarciso Morais

Tarciso Morais

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Número anormalmente alto de retirada de útero de cortadoras de cana em um distrito central da Índia gera alerta.

A cada ano, cerca de 1,4 milhão de cidadãos da Índia trabalham na temporada de corte da cana, no estado de Maharashtra. A maioria dos camponeses vem principalmente de uma região chamada Marathwada.

“Os cortadores de cana vivem em condições miseráveis, sem água potável ou sanitários, em locais improvisados”, afirma a MAKAAM, uma rede de ONGs especializadas na luta pelos direitos da mulher.

Entre eles, “as mulheres são especialmente vulneráveis, seus corpos são não só explorados, como controlados. Nota-se um aumento do número de histerectomias realizadas em cortadoras de cana, com um pico pouco antes do início da colheita”.

Dois levantamentos feitos pelas autoridades regionais mostram que, em 2018, de 200 mulheres questionadas, 72 haviam sofrido uma histerectomia. Ou seja, 36% delas, contra uma média regional de 2,6% ou nacional, de 3,2%. Em 2019, a taxa já era de 21% em apenas cinco meses.

No total, quase 4.500 histerectomias teriam sido realizadas nos últimos três anos. Organizações não-governamentais denunciam um acordo financeiro entre o setor médico e os responsáveis das explorações canavieiras na Índia, informa o jornal Folha de S. Paulo.

O governo indiano prometeu publicamente investigações e punições contra os responsáveis. A MAKAAM e outras ONGs protestam contra o que chamam de negligência judiciária por parte das autoridades.

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