Cristãos enfrentam genocídio no Myanmar

A rede europeia de TV Sky News rompeu o silêncio sobre a situação dos cristãos em Myanmar. Na noite desta terça-feira (5), uma reportagem investigativa revelou que, nas regiões mais isoladas do país, a minoria Kachin está sendo dizimada.

A equipe de investigação conseguiu viajar e documentar a situação, mostrando testemunhos dos moradores locais, que falaram sobre como a “segunda campanha genocida” está em andamento. A emissora diz que o governo tenta dificultar o acesso dos jornalistas e agências de ajuda à região.

O povo Kachin, que tem lutado pelo seu direito de autodeterminação já formou grupos paramilitares para se defender, o chamado Exército Independente Kachin, que combate os ataques das forças militares ligadas ao governo, guiados pelos nacionalistas budistas.

De acordo com informações do Gospel Prime:

Os moradores da região relatam que os ataques aumentaram significativamente desde janeiro. Aldeias são invadidas, casas incendiadas e eles não poupam nem as crianças do massacre. “Estou convencido de que o governo está tentando limpar etnicamente o povo Kachin”, disse Lashi Ókawn Ja, mãe de quatro filhos. “Sempre que eles identificam alguém do nosso povo, tentam nos matar. Estupram as mulheres, mesmo as que estão grávidas”.

O general Sumlut Gunmaw, vice-presidente do Conselho de Independência de Kachin, ressalta que o governo está submetendo seu povo a uma grande perseguição. “Talvez suas ações contra nós não sejam tão intensas quanto a violência contra os rohingya, mas suas intenções são as mesmas. Eles querem nos eliminar”, lamentou.

A missão Portas Abertas, que coloca Mianmar em 24ª no ranking dos países onde os cristãos sofrem a pior perseguição em todo o mundo, já alertou para a grande violência contra os Kachin.

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia