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Você sabe a diferença entre um Banco e uma Fintech?

Do mesmo modo que é desaconselhável colocar o próprio nome numa micro ou pequena empresa, também não é lá muito inteligente adotar o nome fantasia de seu parceiro comercial. Ou emprestar o seu.

Embora haja controvérsias sobre isso, o recente caso envolvendo o Banco Neon e a Neon Pagamentos é um perfeito exemplo dessa afirmação.

 

Os protagonistas desse imbróglio: um Banco e uma Fintech

Banco: em linhas gerais é uma instituição financeira que administra o dinheiro que seus clientes deixam em sua custódia, e que utiliza este dinheiro para emprestar a outros indivíduos ou empresas aplicando-lhes juros.

Fintech: Fintech é um termo que surgiu da junção das palavras financial (financeiro) e technology (tecnologia). São empresas jovens que desenvolvem e usam aplicativos para trazer agilidade, comodidade e segurança aos seus clientes.

Elas atuam em determinados nichos de mercado e por ex.: cartões de crédito, investimento, seguros, etc. a maioria delas não possui agência física e prestam seus serviços e resolvem questões basicamente por meios eletrônicos (smartphones, PC´s).

No Mercado Financeiro, as fintechs se especializam em nichos determinados proporcionando um diferencial que um banco, pelo seu tamanho e bur(r)ocracia não consegue competir.

O uso da tecnologia elimina o envio de documentos, filas de espera enormes, correspondência física – extrato, cartas, contratos, etc – sendo tudo resolvido via smartphone.

Até assinar contratos!

As startups financeiras nascem alicerçadas na inovação tecnológica, onde podem eliminar custos e procedimentos e oferecer experiencias diferentes e avançadas aos clientes. Elas oferecem uma linha de produtos e serviços limitados mas, em contrapartida, permite a concentração de esforços, serviços de primeira e atendimento de alta qualidade.

Pela inexistência de uma infraestrutura gigantesca (e investimento nisso), elas conseguem oferecer várias soluções: cartão de crédito sem anuidade, conta bancária sem tarifas, empréstimos com juros mais baixos, consultoria individualizada para pequenos e médios investidores entre outros exemplos.

As fintechs seguem requisitos operacionais compatíveis com o seu porte e perfil definidos pelo Banco Central através de portarias e regulamentações próprias.

A maioria das fintechs tem capital proveniente de fundos de investimentos.

Pela resolução 4.657/2018 do Banco Central, as fintechs passam a ser consideradas como instituições financeiras. Anteriormente a essa Resolução, atuavam como correspondentes bancários e eram associadas de alguma forma a um Banco.

Simplificando: as Fintechs estão para os Bancos assim como o Spotify está para a música, a Uber está para os motoristas de carros, a Netflix está para os filmes, a 99 Taxis para os táxis.

Se você utiliza todos esses serviços usando o celular, porque não fazer o mesmo com o seu dinheiro?

 

Neon Pagamentos e Banco Neon

Fundada com o nome de Controly, a Neon Pagamentos se associou em 2016 com o Banco Pottencial de MG que a partir de então passou a se chamar Banco Neon.

Duas empresas afins, mas com controles e personalidades jurídicas diferentes.

Com a intervenção decretada pelo BC na semana passada – 04/04/2018 – houve um desconforto geral no Mercado de Meios de Pagamentos.

Afinal é confiável ou não trabalhar com uma fintech?

Essa foi a questão que ficou em aberto até hoje, 08/04/18.

 

Cinco dias terríveis para a Neon Pagamentos

As decisões rápidas e estratégicas de Pedro Conrade, fundador e CEO da Neon acalmaram o Mercado e, antes mesmo que o mal-estar se propagasse, é anunciada a parceria com o Banco Votorantim que passa a ser o novo liquidante das operações da Neon ficando responsável pelos serviços de custódia e movimentação das contas de pagamentos.

Durante esse curto período, Conrade deu inúmeras entrevistas onde “afirmou que permitir que Banco Pottencial usasse o nome Neon foi um erro e que não tinha conhecimento das operações dessa parte do negócio, sendo pego de surpresa pela intervenção.”

Conheça aqui um pouco da estória de Pedro Conrade, um jovem de 26 anos que deu os primeiros passos revendendo biquínis e depois, com raiva de um banco por uma taxa de 46 reais, idealizou a Neon Pagamentos.

A Associação Brasileira de Fintechs endossou as declarações de Conrade, tranquilizando o Mercado. Os 72 milhões levantados pela Neon Pagamentos junto a investidores um dia antes da intervenção no Banco Neon, também tiveram influência decisiva na idoneidade da Empresa e da capacidade do seu CEO.

Este aporte foi amplamente veiculado na imprensa como sendo no “Banco Neon” e causou a confusão inicial, haja visto a similaridade dos nomes.

Os investidores Propel Ventures, Monashees, Quona, Omydiar Network, Tera Capital, e a Yellow Ventures foram os responsáveis pela injeção dos 72M na Neon Pagamentos.

Já no Banco Neon — controlado por Argeu de Lima Geo, Carlos Geo Quick e João de Lima Geo Filho — o BC informou que foi constatado “o comprometimento da situação econômico-financeira, bem como a existência de graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição.”

Pelas regras, o BC não detalhou as irregularidades encontradas alegando sigilo bancário.

 

Artigo de Walter Barreto no Projeto Voluntários


Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da Renova Mídia

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