Dissidente chinês diz que “Vaticano está fazendo acordo com o diabo”

Enquanto o Vaticano se prepara para ceder às demandas do regime chinês em troca da retomada das relações diplomáticas com a China, um dissidente chinês de renome internacional vem condenando o movimento da Santa Sé como uma traição moral.

Falamos recente sobre o Vaticano aceitando as exigências da China acerca da nomeação de bispos indicados pelo regime comunista. Esta decisão do Papa Francisco continua causando revolta em membros do clero.

O movimento é visto como uma reviravolta significante da posição de décadas do Vaticano sobre a questão e gerou críticas generalizadas à liderança do Papa Francisco. Os críticos apontam que desistir do direito de nomear os bispos privaria formalmente o Vaticano de qualquer liderança moral e substancial restante sobre os católicos chineses. Seria também, dizem os críticos, uma traição flagrante dos católicos domésticos da Igreja da China, que ainda são fortemente perseguidos pelo regime chinês.

Entre os críticos do acordo também podemos citar Chen Guangcheng, um famoso advogado chinês de direitos humanos que ganhou atenção internacional em 2012 por escapar de sua prisão domiciliar e se deslocar para a Embaixada dos Estados Unidos em Pequim. Chen tem desde então residido na América e prossegue na defesa dos direitos civis e em suas críticas consistentes ao regime chinês.

“O acordo do Vaticano é o equivalente a vender a casa de Deus para o diabo”, disse Chen Guangcheng num artigo de opinião publicado no website da Radio Free Asia em 20 de fevereiro.

Chen, que agora é um membro sênior no conservador Instituto Witherspoon e um visitante distinto no Instituto para Pesquisa Política e Estudos Católicos da Universidade Católica da América, disse que o Vaticano sob o Papa Francisco é ingênuo ao se render ao regime chinês, um acordo do qual apenas o Partido Comunista Chinês se beneficiaria.

“O Vaticano não entendeu que na China tudo está subjugado aos ditames do Partido Comunista Chinês?”, perguntou Chen. “Por que o Vaticano rompeu as relações com a China em 1951? Foi precisamente porque o Partido Comunista insistiu em que ele deveria controlar tudo, incluindo Deus.”

 

Com informações de: [EpochTimes]
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia