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Ditadura Maduro e o colapso da Venezuela

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

Hiperinflação, senha para ir ao mercado, escassez de alimentos e produtos básicos, violência fora de controle e surtos de doenças como sarna: o cotidiano dos venezuelanos se tornou um desafio.


Miguel Ángel Hernandez, um estudante de mestrado de 24 anos, desabafou:

De manhã, vê-se pessoas bem vestidas procurando restos no lixo antes de ir ao trabalho. Com um salário como o meu, as pessoas costumavam ser capazes de comprar carros e pagar uma parcela do financiamento da casa. Eu não consigo nem comprar um par novo de sapatos. Enfrentar essa realidade destrói as perspectivas de qualquer um.

De acordo com advogado de 38 anos que trabalha numa agência pública e pediu anonimato:

A inflação está ‘comendo’ quase tudo. Hoje em dia, eu vou ao supermercado para comprar xampu, e o preço de uma unidade é quase o que eu ganho em duas semanas. Ultimamente, tem havido racionamento de açúcar. Achei um saco, na semana passada, por 105 mil bolívares. Mas eu ganho só 650 mil bolívares por mês.

Cristina Carbonell, advogada que trabalha na ProVene – uma organização que oferece conselhos legais de graça – declarou indignada:

O número da nossa carteira de identidade determina em que dia da semana podemos ir ao supermercado. Mas de produtos básicos como leite, você compra apenas dois litros. Na semana passada, não tive água corrente por três dias. A escassez contínua tem causado surtos de fungos e sarna – e eu estou falando de Caracas.

Lorena Surga, fundadora do movimento de ajuda humanitária Angeles Invisibles (Anjos Invisíveis), afirmou:

Aumentou a taxa de natalidade. Não há pílulas anticoncepcionais. O número de pessoas afetadas por doenças sexualmente transmitidas aumentou porque não há preservativos. Pacientes de câncer estão morrendo porque não há remédios suficientes para que eles completem os seus tratamentos. Alguns estão usando medicamentos vencidos.

O estudante Hernandez também deixou seu desabafo sobre a violência no país:

Sinto que estou vivendo numa prisão. Vou de casa para o trabalho para a faculdade e preciso voltar antes das oito da noite porque é muito perigoso. Até agora, a luta do governo contra gangues criminosas falhou. Há um ano, comecei um programa de mestrado com 36 colegas. Agora, somos só 12. Alguns deixaram o país, e outros abandonaram o curso porque o semestre passou a custar 497 mil bolívares (antes, eram 29 mil bolívares).

 

Com informações de: [DW]

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