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Economista Paulo Guedes entrevistado pela Bloomberg

João Guilherme

João Guilherme

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“As pessoas viam Bolsonaro como uma aposta, e eu decifrei o que estava acontecendo”, afirmou o economista Paulo Guedes.

Um dos nomes mais cotados para virar o próximo presidente do Brasil tem uma maneira peculiar de diminuir as preocupações dos economistas com relação aos seus comentários no passado: admitir sua ignorância.

A franqueza de Jair Bolsonaro pode significar que ele está disposto a seguir o que diz Paulo Guedes, principal conselheiro econômico do candidato e que propõe a privatização de empresas estatais e a revisão de programas sociais. Bolsonaro, que segue crescendo nas pesquisas, é famoso pela intolerância à corrupção.

Mesmo que suas visões do passado e as de Paulo Guedes não casem perfeitamente, Bolsonaro indicou que ele seria sua escolha para Ministro da Fazenda, e mudou seu pensamento em relação a vários temas importantes para a economia – como a privatização e a necessidade de um Banco Central independente.

“Os últimos 30 anos foram um desastre – nós corrompemos a democracia e estagnamos a economia”, disse Guedes em sua primeira entrevista à imprensa internacional desde que seu nome surgiu ao lado de Bolsonaro. “Nós deveríamos fazer o que os Chicago Boys instruíram”, disse, se referindo a um grupo de economistas, muitos de sua alma mater, a Universidade de Chicago, que sugeriram desregular a então muito controlada economia latino-americana dos nãos 1970.

Bolsonaro e Paulo Guedes também concordam em um dos temas que o economista diz que será decisivo na eleição de outubro: segurança pública.

Um dos pontos fortes de Bolsonaro é que ele diz que o papel do governo deveria ser “preservar a vida, a propriedade e combater o crime”, disse Guedes, que conseguiu o doutorado em economia em 1978.

Assaltos e roubos de carga

É uma mensagem que carrega consigo um poder num país onde mais de 55,000 pessoas são assassinadas todos os anos, mais que em qualquer outra nação do mundo. No Rio de Janeiro, onde os roubos de carga ultrapassaram a média de um a cada hora no ano passado, não está entre as 50 cidades mais perigosas do mundo – mas outras 19 cidades brasileiras estão.

Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, diz que ele diminuiria a restrição às armas e daria mais poderes às polícias. As autoridades deveriam ter armas mais letais, diz Bolsonaro, e aqueles que matam criminosos deveriam ganhar medalhas, não processos. O candidato só está atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi condenado por corrupção e pode ser impedido de concorrer.

Bolsonaro criou uma base de apoio apesar de – ou por conta de – seus discursos fervorosos e suas atitudes sérias. Em uma entrevista à Bloomberg, o deputado pelo Rio disse que tem um “conhecimento superficial” de economia, demonstrando ter esperança que a taxa de juros do Brasil caia para 2%, embora não tenha sido menor que 6,5% nas últimas duas décadas. Ele também disse ser contrário a “fazer concessões” para a China, o maior parceiro comercial do Brasil.

Os economistas procurados para falar sobre Bolsonaro não quiseram comentar, mas admitiram que a sua imprevisibilidade é uma preocupação. Jair Bolsonaro, 63, já foi membro de pelo menos oito partidos políticos e nunca foi líder de nenhum deles. Para essa eleição, ele é candidato pelo pequeno PSL, a que se filiou em março.

Corrida de dois nomes

Fonte: CNT/MDA. Nota: A entrevista com 2002 pessoas foi feita entre 28/02 e 03/03, com uma margem de erro de 2.2 pontos para mais ou para menos. O gráfico não inclui eleitores indecisos nem aqueles que pretendem votar branco ou nulo.

“As pessoas viam Bolsonaro como uma aposta, e eu decifrei o que estava acontecendo”, afirmou Paulo Guedes.

Ele, que tem 68 anos, é um dos fundadores da empresa Bozano Investimentos, já fez campanha por um mercado mais livre e eficiente na América Latina, e fundou o Instituto Millenium, uma think tank brasileira que promove essa ideologia.

Em 1983, Guedes ajudou a fundar o Banco Pactual, que depois virou o Banco BTG Pactual SA. Na Bozano, ele investia em empresas como a Abril Educação, hoje Somos Educação SA, uma firma do ramo de educação que vale R$ 3.9 bi.

“Eu construo empresas agora”, disse.

Paulo Guedes também é respeitado na academia, já tendo ministrado aulas em grandes universidades privadas como a PUC-Rio e a Fundação Getúlio Vargas. Ele ajudou a fundar uma faculdade privada, a Ibmec, e virou o seu diretor-executivo.

Seguidor de Keynes

Embora tenha orgulho da sua inspiração nos Chicago Boys, não foi sempre assim. Na faculdade, seu herói era John Maynard Keynes, que propunha intervenção estatal na economia. Guedes acabou na Universidade de Chicago por acaso, quando sua faculdade no Brasil ficou no meio de disputas ideológicas com outras universidades nos EUA que ele queria estudar. Enquanto estava em Chicago, professores como Milton Friedman lhe deram o que ele considera como o melhor treinamento em macroeconomia do mundo.

“Ninguém recebeu treinamento melhor que o meu”, disse Guedes, que teve sua visão keynesiana de mundo destruída por Friedman, Thomas Sargent, Robert Mundell e outros grandes economistas que o ensinaram.

Muitos amigos ainda não entendem porque ele está apoiando Bolsonaro e não um candidato mais amigo dos economistas, como o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

“Alckmin é um bom cara num barco que está afundando”, disse Guedes. “O vencedor será um outsider”, levado ao posto pela mesma onda que carregou Donald Trump nos EUA e Emmanuel Macron na França, ele disse.

“O fracasso do socialismo”, como Guedes coloca, já fez com que mais de 3 bilhões de pessoas na Europa e Ásia fossem obrigadas fazer de tudo para fugir da miséria e entrar no mercado de trabalho global, criando deflação e travando os salários do Ocidente, estimulando dissidentes.

“Alguma coisa importante está acontecendo globalmente”, disse Guedes. Ele em Bolsonaro um homem com o desejo de colocar o Brasil em um rumo completamente novo. “Ele quer fazer coisas grandes, não está para brincadeira.”.

Guedes não respondeu quando perguntado se, como Ministro da Fazenda de Bolsonaro, ele teria liberdade para controlar a economia. Os dois ainda estão negociando e não passaram da fase do “namoro”, ele disse.

Mas ele vê sinais de que teria influência. Depois de um encontro recente em que Guedes mostrou ao candidato a importância da independência do Banco Central, Bolsonaro tornou a opinião pública, disse Guedes. Há não mais que um ano, Bolsonaro era veementemente contra a ideia, dizendo que isso tornaria o presidente em “refém” do sistema financeiro.

Guedes disse que também influenciou Bolsonaro em relação a fazer estudos para uma possível reforma na previdência; o deputado havia se mostrado contra uma proposta em janeiro.

Paulo Guedes, que diz que sempre viu a política pelas lentes da economia e nunca se juntou a nenhum partido político, disse que sacrificaria muitos dos benefícios que sua atual posição oferece se o país precisar.

“Eu tenho uma vida excelente – eu caminho em Ipanema e no Leblon todo dia de manhã”, disse Guedes. “Mas estou disposto a ser Ministro da Fazenda se isso for ajudar o Brasil.”.

Nota¹: A matéria fala que Bolsonaro já disse que um ex-presidente deveria ser fuzilado por tentar “dar” propriedades do estado, mas no link citado no artigo original apenas encontramos uma nota do Senado falando que Bolsonaro poderia ser processado por falar que a ditadura deveria ter fuzilado 30 mil corruptos. 

 

Matéria traduzida e adaptada da Bloomberg
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