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OPINIÃO: A eficiência de Jair Bolsonaro

Apesar do envolvimento em algumas polêmicas no final do ano passado, o pré-candidato à Presidência da República não quer saber de evitar entrevistas.

De todos os possíveis candidatos à presidência do país em 2018, Jair Bolsonaro é com certeza o mais atacado pela grande mídia. De Lula, condenado, a Luciano Huck, desistente, todo mundo tem um espaço nas redações de O Globo, Folha de São Paulo e afins, exceto Bolsonaro. Na verdade, o pré-candidato só aparece em algum desses jornais se for para ser atacado com mentiras, que, mesmo após serem provadas falsas, continuam no ar sem qualquer retratação.

Se essa eleição estivesse acontecendo há 10 anos, com certeza ele seria destruído pela mídia, que comandava o país. Porém, vivemos em outros tempos. Mesmo com um alcance obviamente maior do que quando a internet não era tão acessível, eles não mantêm a mesma influência que tinham antigamente, ainda que tentem. A arma, que pode ser uma acusação infundada ou uma pesquisa fraudada, não tem mais o mesmo efeito. O Datafolha já não dita mais o rumo das eleições.

Não existe apenas uma resistência contra o presidenciável, se trata de uma militância, a nível de um DCE de universidade pública, formada na mídia tradicional para tentar deter Bolsonaro. Resta, então, se aproximar cada vez mais do maior meio de influência da atualidade: a internet. Que fique claro, internet neste sentido não significa a rede mundial de computadores, ou este artigo ficaria com cara de anos 2000, mas redes sociais e portais de mídia alternativa.

Vários candidatos tentam, mas nenhum chega perto de atrair os mesmos números que Bolsonaro atrai. E não tomar proveito disso não seria nada inteligente, mas por sorte dos eleitores esse não é o caso. Seja através de entrevistas em canais famosos no YouTube, para jornalistas ou pessoas do meio, ou por participações em programas com transmissão ao vivo na internet, Jair Bolsonaro não quer saber de fugir das perguntas do público.

No Pânico na Rádio, da rádio Jovem Pan, ou nos canais de Leda Nagle, Antônia Fontenelle, Nando Moura (ainda não publicado) e O Antagonista, isto para citar apenas as aparições mais recentes, vídeo com o pré-candidato é sinônimo de sucesso de audiência. No primeiro, entrevistas normais rendiam 3 ou 4 vídeos com um número singelo de visualizações, com Bolsonaro os vídeos pós-entrevista são mais de 10, e todos quebrando recordes; nos demais, as entrevistas com ele rendem mais do que com qualquer outra pessoa de interesse.

O termo “a eficiência de Bolsonaro” não vem da boca – ou dos dedos – de alguém que apoia a candidatura dele, pelo contrário, foi falado por uma pessoa completamente isenta e que se apresenta com compromisso apenas com a verdade, Leda Nagle, que fez um vídeo após ver a repercussão extremamente positiva da entrevista que fez com o presidenciável e o elogiou por ter aceitado rapidamente e não ter escolhido perguntas.

Mesmo que os temas abordados nas entrevistas sejam quase sempre os mesmos, ele continua a respondê-los da mesma maneira, sem fazer cara feia, exceto quando é provocado. O que importa é como ele vem sendo inteligente ao usar o meio para esclarecer as polêmicas criadas não com intuito de conhecê-lo melhor, mas de destruí-lo. As manchetes da Folha de SP sobre o crescimento do seu patrimônio e sobre uma suposta mansão em Angra são desmentidas, acusações recorrentes de estuprador, machista e homofóbico caem por terra e posições são reforçadas. Por exemplo, o empresário Flavio Rocha, dono da Riachuelo, acusou o candidato de ser “economicamente de esquerda” e, é claro, todos os jornais possíveis e impossíveis fizeram questão de falar sobre isso. O que nenhum citou nem mesmo em uma notinha de rodapé é que isto foi dito por conta de um mal-entendido, pois Bolsonaro defende que não se trata de simplesmente privatizar, mas também é importante observar para quem se está privatizando, no caso da China.

Não é fácil conseguir ser eficiente quando todos estão contra você, por isso a inteligência de Bolsonaro em se aproveitar de todo espaço dado em meios alternativos deve ser elogiada, sem esquecer dos agradecimentos à grande mídia. Enquanto Datafolha, Folha, Globo e outros imaginam estarem tirando a força dele, só dão mais espaço e mais visibilidade em outros lugares. A internet não detém a influência necessária para elegê-lo, mas com o apoio involuntário dos grandes veículos de comunicação o resultado é bem previsível.

 

Artigo escrito por João Guilherme no projeto #VoluntariosRENOVA

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