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Eleições de Israel: prognósticos

Evandro F. Pontes

Evandro F. Pontes

Eleições de Israel: prognósticos
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Chegamos mais uma vez ao crepúsculo de uma nova corrida eleitoral no ano mais atípico da história de Israel.

Ao mesmo tempo em que Benjamin Netanyahu sagrou-se o político israelense a exercer o poder por período mais longevo, 2019 será o ano em que tivemos duas formações de Knesset e, pela primeira vez, uma eleição que não resultou na instalação de um governo.

Para este 22º Knesset, número cabalístico que aponta para a realização de causas grandes e impossíveis, a formação do parlamento tenderá a consolidar o poder de Bibi.

As pesquisas, que erraram muito nas últimas eleições, vêm nas últimas semanas sinalizando para uma pequena vantagem do Kahol Lavan, o partido de oposição e de linha política centro-esquerdam, sobre o Likud (partido de Netanyahu).

Durante o mês que passei em Israel conversando com pessoas nas ruas em TelAviv e em Jerusalem, o povo demonstra sinais de cansaço e tende a definir a fatura pendendo para o lado de Bibi e do Likud. Foi a sensação que tive.

Para estas eleições, que vão ter lugar no dia 17 de setembro, venho acompanhando a campanha nas redes sociais e na TV de Israel, além de alguns debates. Comparando com as eleições de abril, o tom está mais ameno agora em Agosto e Setembro do que esteve em Abril.

Há várias razões para isso:

1. Partidos que estavam contando com o “ovo no cesto” sofreram um enorme baque – foi o caso não só do Kahol Lavan, mas sobretudo do Yamina, dantes o “Nova Direita”, que ficou de fora do Knesset por pouco mais de 2.000 votos em abril. Em um gesto de grandeza e humildade, o líder, Naftali Bennett, passou o bastão para a talentosíssima Ayelet Shaked. Isso fez com que uma campanha de prudência e absoluta moderação, evitando confrontos abertos, desse o tom agora em Julho-Setembro.

2. Essa postura “low profile” por parte de muitos partidos (em especial do Kahol Lavan) tinha por estratégia não abusar da paciência do eleitor. O erro foi colossal. A campanha do Kahol Lavan foi um desastre e passou a impressão de encampar um discurso “low energy”, fraco, sem estamina. O KL pagará caro nas urnas pela sua falta de determinação e de um discurso firme a respeito dos problemas reais de Israel – focou excessivamente nas questões pessoais de Bibi, esquecendo-se totalmente do eleitor. Se a única mensagem de força do KL é o que ele pretende fazer com Bibi (na verdade, um enorme “mimimi”), até seu eleitor se sentiu desamparado. Por ele, não se viu uma proposta concreta sequer. E no único ponto em que se resolveram se posicionar para além das questões dos rumores de corrupção em torno de Bibi, fizeram absurda barbeiragem política: no imbróglio envolvendo Rashida Tlaib e Illan Ohmar, as duas polêmicas deputadas americanas impedidas de entrar em Israel, Gantz se colocou ao lado das duas maiores antissemitas e antissionistas da política americana. O isentismo de Gantz vai cobrar-lhe fatura alta perante um eleitorado cansado e com a paciência esgotada (algo que Ohmar e Tlaib são muito competentes – abusar da paciência do israelense).

3. Do lado do Likud, Bibi foi genial – apelou para o humor, resolveu fazer uma campanha descontraída e passou seu recado firme (quando necessário) de maneira as vezes até divertida (seu esquete na praia como salva-vidas orientado dois jogadores de “frescobol” é uma “sacada” de marketing político genial).

4. O embate duro e conflituoso veio do confronto entre a campanha do Shas e do Yisrael Beiteinu, o partido de Lieberman. Nesta parte da campanha, seculares de centro-direita e ortodoxos se confrontaram para valer. Calculo que é desse embate que emergirá o fiel da balança favorável a Bibi, haja vista que Shas e o Yahadut HaTorah (União Judaica da Torah, ou UTJ) estão na parte mais importante da sustentação do governo Bibi.

5. São férias de verão em Israel, normalmente tempo em que os seculares aproveitam para descansar e viajar. Religiosos o fazem durante o mês hebraico do Tishri, que neste ano vindouro de 5780 cairá no Outubro de 2019 cristão. Este detalhe coloca a comunidade religiosa ortodoxa mais empenhada que a secular para comparecer as urnas agora em setembro.

6. Essa questão do comparecimento ainda precisa ser bem analisada sob o prisma da população árabe, sobretudo a muçulmana observante. Calculo que haverá talvez um recorde de abstenção do eleitorado árabe e que essa desidratação da tal Lista Conjunta (que inclui, além dos dois partidos árabes Balad e Ta’al, os outros dois de extrema esquerda), mostrando que as pesquisas erraram drasticamente nesta avaliação. A Lista Conjunta não tende a conquistar mais do que 8 cadeiras.

A surpresa virá (e, creio, desta vez será difícil errar – único ponto em que falhei na análise anterior) pelo lado da Yamina. A tática de Bibi (de “roubar” votos da própria direita logo depois do Shabbat que antecede a eleição, momento em que a publicação das pesquisas fica proibida) tende a não funcionar com a Yamina, agora sob a liderança da fantástica Ayelet Shaked, certamente a futura Primeira Ministra quando Bibi cansar do ofício. Neste pormenor, Bibi terá mais vantagens atacando Lieberman e canibalizando essa sua base (que mudou bastante nos últimos 10 anos por força do envelhecimento dos russos da Grande Aliah pós-1989) e, de certa forma, atacando os kahanistas do Otzma, que deixaram também a coalizão do governo mas começaram a surgir com 4 assentos nas pesquisas (indício de ascensão). A desidratação desses dois polos de poder por Netanyahu deverá garantir-lhe a vantagem necessária, contando com apenas outros 3 partidos para negociar a formação do governo: Shas, UTJ e Yamina.

O partido trabalhista, unindo-se ao Gesher, deverá garantir o mínimo necessário para entrar nesse 22º Knesset, sem os riscos corridos no 21º – 4 ou 5 cadeiras caberão a esse grupo.

Yamina deverá ficar com algo entre 11 e 12, UTJ e Shas, entre 7 e 9 cada um.

O Likud, calculo, deverá consolidar o poder que já tem e ficará entre 36 e 38 cadeiras.

Otzma e União Democrática, calculo, não passarão. No máximo, passa 1 dentre esses dois, a saber, o Otzma (pesquisas apontam o inverso, que Otzma, apesar da ascensão, sai e UD, uma coalizão de esquerda para dar sobrevida ao desgastado Meretz, sobreviva).

No espectro da esquerda, além das 8 cadeiras do bloco árabe, Lieberman não deverá passar das 6 cadeiras (ainda acho que ele ficará com 4).

O KL de Gantz e Lapid, que fizeram uma das piores campanhas políticas em Israel nos últimos tempos, deverá ser o grande fiasco dessas eleições. Se conquistarem 30 cadeiras, deverão sorrir de orelha a orelha.

A coalizão Likud-Yamina-Shas-UTJ deverá fazer algo próximo de 66 a 68 cadeiras, sem Lieberman, comprovando assim a absoluta genialidade de Bibi no campo político.

O Bloco do KL mesmo com Lieberman não deverá passar de 38, no máximo 40 cadeiras.

Confirmando-se esses números, uma Israel diferente poderá surgir: com a expansão do mapa de Israel para dentro da Samaria reduzindo assim o âmbito do que se convencionou chamar no Brasil por “Cisjordânia” (ou West Bank), Israel chegará ao ponto que esteve no foco de duas guerras importantes: Seis Dias e Yom Kippur, que tiveram a luta pela conquista do acesso à margem ocidental do Rio Jordão como parte da consolidação do Israel moderno.

Gaza tende a ser um assunto crescente se Netanyahu consolidar seu plano de anexação das regiões assentadas da Samaria (sobretudo) e outras da Judeia.

As movimentações militares envolvendo Gaza e o Norte de Israel (divida com o Líbano e a Síria), bem como questões empresariais e a aproximação geopolítica de Israel com o Brasil tomarão conta do debate em um 22º Knesset sob a liderança do gabinete do 5º governo de Benjamin Netanyahu.

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