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Estadão alerta para o ‘perigo’ da relação entre Bolsonaro e as rede sociais

Estadão alerta para o 'perigo' da relação entre Bolsonaro e as rede sociais
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

As mensagens de Jair Bolsonaro nas redes sociais, segundo editorial do Estadão, representam “o perigo da democracia direta”.


O jornal “Estadão” publicou um editoral nesta quarta-feira (12) intitulado “O perigo da democracia direta” onde aponta supostos malefícios na estratégia de comunicação do futuro governo.

Em referência às redes sociais, durante discurso em sua diplomação, o presidente eleito Jair Bolsonaro alertou que “o poder popular não precisa mais de intermediação”, registrou a Renova.

Leia um trecho do editorial:

O presidente eleito anunciou ‘um novo tempo’, em que ‘o poder popular não precisa mais de intermediação’ (…).

Parece claro que Bolsonaro quis se referir ao fato de que hoje, graças às redes sociais, é possível aos eleitores interagir com os políticos – e exercer pressão sobre eles – de forma direta. Mas também parece claro que Bolsonaro está flertando perigosamente com a ideia de democracia direta, em que se dispensam as instituições características do sistema representativo, sobretudo o Congresso. Na visão bolsonarista, o ‘poder popular’ pode se confundir com a gritaria do submundo da internet, ambiente onde proliferam notícias falsas e mentiras de toda sorte e onde o diálogo é simplesmente inexistente. Ali, tem poder quem grita em letras maiúsculas.

Bolsonaro reitera, assim, seu repúdio à política tradicional – embora ele mesmo seja um parlamentar com quase três décadas de Câmara. Deixa claro, antes mesmo de tomar posse, que considera muito mais democrático o burburinho anônimo e irresponsável das redes sociais do que a discussão formal da política e da administração no Congresso. Subjacente a seu discurso está a noção de que nenhum político eleito pelos meios tradicionais representa de fato os anseios populares e que só a mobilização de ruidosa militância, tal como aconteceu nas últimas eleições, é entendida como manifestação da vontade dos cidadãos, à qual todos devem se submeter.

Com o histórico recente dos editoriais do “Estadão“, o futuro chefe de Estado não deve ter ficado surpreso com o teor do texto acima.

Em agosto, por exemplo, o jornal da grande mídia classificou eleitores de Jair Bolsonaro como irracionais, conforme noticiou a Renova.

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