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Europa enfrenta dificuldades para categorizar ‘fake news’

João Guilherme
João Guilherme
Estudante e interessado em política, história e religião.

A União Europeia pretende anunciar nesta quinta-feira (26) uma estratégia para combater as “fake news” e que pode servir de modelo para outros países, mas já enfrenta problemas em traçar a linha entre desinformação e pensamento dissidente.


O novo plano da UE para conter o avanço da mídia independente pretende encorajar “ações voluntárias” no Facebook e em outras plataformas para destacar e promover conteúdo de veículos considerados “confiáveis”.

O grupo euroupeu também quer promover meios para se entender como as notícias são feitas e bancar organizações de “fact-checking” que, em teoria, são “politicamente independentes e objetivas”.

Outros países, como os Estados Unidos, também estão tentando combater as famosas “fake news”. França, Alemanha e Itália trabalham seus próprios planos nacionais de ação.

Enquanto isso, a ideia da U.E. de combater a interferência estrangeira mostra o que pode dar errado.

A East Stratcom Task Force, da União Europeia, fez um compilado com mais de 3.800 artigos que supostamente refletiam as tentativas do Kremlin de influenciar discussões políticas no ocidente. No entanto, mês passado, a força-tarefa passou vergonha quando três canais holandeses alegaram terem sido identificados na lista apenas por citarem pessoas que iam contra a agenda globalista.

É um lembrete de como é difícil, e potencialmente problemático, as autoridades públicas tomarem para si as rédeas do que é verdade ou não“, disse Rasmus Kleis Nielsen, diretor de pesquisa no Reuters Institute for the Study of Journalism, na Universidade de Oxford, que ajudou a U.E. a desenhar as novas propostas.

A força-tarefa citou cada um dos três veículos holandeses por promover uma visão negativa, impulsionada pelo Kremlin, da corrupção da Ucrânia e do suposto fascismo.

Um artigo, publicado pelo Post Online, afirmava que “a Ucrânia é um Estado oligárquico sem mídia independente” e que “o exército da resistência, que matou milhares de judeus poloneses durante a Segunda Guerra, ainda é respeitado”, escreveu a força-tarefa no seu site, EUvsDisinfo.eu.

Na verdade, o artigo estava resumindo uma palestra dada por um jornalista que havia passado um tempo na Ucrânia.

O editor do Post Online, Bert Brussen, disse que o jornal só foi alvo da força-tarefa porque Bruxelas — em referência à sede da União Europeia — não gosta de críticas acerca de suas políticas pró-Ucrânia.

“Para nós, foi fácil mostrar ao mundo o que acontece: Você escreve algo negativo sobre a Ucrânia, faz tudo certo e eles taxam de ‘fake news’.”, disse Brussen, que ataca em seu site jornalistas e políticos holandeses que, diz ele, encobrem os problemas com muçulmanos e a imigração.

Os canais de notícia — Post Online, GeenStijl, um blog de direita, e o De Gelderlander, um jornal regional — reclamaram não terem sido avisados antes de serem incluídos na base de dados da força-tarefa e que não tinham certeza sobre como deviam lutar contra isso.

 

Matéria traduzida e adaptada de: Washington Post.

 

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