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Ex-diretor da CIA admite guerra dos serviços de inteligência contra Donald Trump

Michael Morell foi vice-diretor e ex-diretor interino da CIA – agência de inteligência mais poderosa da nação. Ele disse que não foi uma grande ideia declarar guerra contra o novo presidente.

Durante a campanha presidencial, Michael Morell escreveu um artigo de opinião no New York Times com o título: “Eu dirigi a CIA e estou declarando apoio à Hillary Clinton”. No texto, ele declarou Trump como uma “ameaça à segurança nacional” e um “agente da federação russa”.

Mais de um ano depois, o ex-diretor da CIA parece estar decepcionado com os resultados dos ataques contra Trump.

A jornalista Susan Glasser, do site POLITICO, publicou uma entrevista com Morell explicando como ele “emergiu das sombras do deep state” para se tornar um dos principais críticos de Trump dentro da comunidade de inteligência.

A informação mais importante que podemos obter da entrevista de Michael Morell ao jornal está na confirmação de que o famoso deep state, isto é, o grupo de líderes ocultos dos serviços de inteligência norte-americana, realmente declarou guerra ao presidente dos Estados Unidos desde o inicio da campanha.

Confira essa parte da entrevista:

Susan Glasser: Okay, então, vamos avançar um ano. Qual foi o erro?

Michael Morell: Então, eu não acho que foi um erro. Eu acho que existia desvantagens que eu não pensei na época. Eu estava preocupado com o impacto que teria sobre a agência, certo? Muito preocupado com isso. Mas eu não acho que pensei completamente nas implicações.

Então, vamos nos colocar aqui nos sapatos de Donald Trump. Então, o que ele vê? Certo? Ele vê um ex-diretor da CIA e um ex-diretor da NSA, Mike Hayden, com quem eu tenho o maior respeito, criticando ele e suas políticas. Certo? E ele poderia ter dito com razão: “Huh, o que está acontecendo com essas pessoas da inteligência?”

No trecho acima, podemos ver Morell confirmar que as maiores lideranças da inteligência norte-americana tentaram prejudicar Donald Trump e, apesar de sua sinceridade, o espião da CIA acredita que não cometeu erro algum.

Surpreendentemente, ele continua a abrir o jogo para a jornalista:

Susan Glasser: Isto embeleza a narrativa dele [Trump].

Michael Morell: Exatamente. E então ele vê um ex-diretor interino e vice-diretor da CIA criticando-o e endossando sua oponente. E então ele recebe seu primeiro briefing de inteligência, depois de se tornar o candidato Republicano, e dentro de 24 a 48 horas, vazam documentos que prejudicam ele e seu assessor de segurança nacional, Mike Flynn.

E então, isso começa a crescer, certo? E ele deve ter dito a si mesmo: “O que está havendo com essas pessoas da inteligência? Eles são partidários?” O atual diretor na época, John Brennan, durante a campanha, ocasionalmente, repudiava coisas que Donald Trump dizia.

Então, quando Trump falou sobre o acordo nuclear do Irã sendo o pior negócio da história da diplomacia americana, e que ele iria derrubá-lo no primeiro dia, John Brennan veio a público e disse que “seria um ato de loucura”. Então, ele também está vendo o atual diretor o atacando. Certo?

Então ele se torna presidente-eleito, e ele deveria estar recebendo um resumo diário desde o momento em que ele se torna o presidente eleito. Certo? Ele escolhe não receber. E dentro de alguns dias, há vazamentos sobre como ele não está lendo seu briefing. Então, ele deve ter pensado: “Quem são esses caras? Esses caras estão querendo me pegar? É uma organização política? Posso pensar neles como uma organização política quando eu me tornar presidente?”

Impressionante? Sim. Surpreendente? Não.

Afinal, o próprio presidente Donald Trump falou várias vezes pelo twitter que está sendo alvo do deep state, mas essa é a primeira vez que vemos um membro desse seleto grupo falando abertamente sobre esse conflito.

 

Com informações de: (1)

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