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FARC e ELN: mais dois grupos terroristas em ação na Venezuela

Há uma velha máxima que afirma: “semelhante atrai semelhante”. E, no caso da esquerda ideológica, isso é mais do que comprovado.


Em dezembro de 2002 as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) enviam carta assinada por Luis Edgar Devia Silva, codinome de Raúl Reyes, guerrilheiro colombiano, membro do Secretariado, porta-voz e assessor do Bloco do Sul das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ao Foro de São Paulo expressando solidariedade ao atual presidiário Lula, ao presidente Hugo Chávez (1954-2013), aos palestinos e ao recém eleito presidente esquerdista do Equador, Lucio Gutiérrez (2003-2005).

O atual residente da cela n° 13 das dependências do prédio da Polícia Federal em Curitiba, seu partido e os partidos satélites, deram inúmeras mostras de apoio, inclusive financeiro, para os governantes de países socialistas e comunistas.

Uma festa. Um pardieiro.

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, se sustenta pela conexão e aliança espúria entre o governo e as várias estruturas criminosas que nasceram nas sombras do chavismo.

A cooptação de instituições governamentais, as ligações diretas entre o governo de Maduro e as elites econômicas venezuelanas estão repletas de lucros ilícitos, e o encorajamento aberto do governo a grupos armados para intimidar a população são sinais inequívocos de que a crise venezuelana aumenta cada vez mais.

Desde o bloqueio comandado por Donald Trump, o regime de Maduro fez um lucrativo negócio de exportar ouro e minerais venezuelanos para países e grupos que são ideologicamente opostos aos EUA.

Nisto que pode ser considerado um “negócio legalizado”, Maduro e seus asseclas fazem vistas grossas às estruturas criminosas envolvidas no tráfico de drogas conseguindo assim um apoio implícito para continuar sentando na cadeira em Miraflores.

Tanto as Farc quanto o grupo guerrilheiro do Exército de Libertação Nacional (ELN) importaram uma prática de extorsão utilizada por eles em seu país de origem a Colômbia, para o território venezuelano: a “vacina” (la vacuna) um pagamento de imposto de guerra.

O ELN já se espalhou para pelo menos 12 estados, mas por enquanto tem se mantido principalmente nas regiões de mineração.


Guerrilheiros do Exército de Liberação Nacional (ELN)

O massacre de sete pessoas em uma das regiões de mineração da Venezuela confirmou que o grupo guerrilheiro colombiano ELN está expandindo suas atividades criminosas no sul da Venezuela, invadindo o território de mineração de ouro das máfias locais.

Em 14 de outubro, na fronteira com a Guiana, membros do Exército de Libertação Nacional (ELN) teriam emboscado um grupo de mineiros na cidade de El Bochinche, localizada no município de Sifontes, no estado de Bolívar.

Os primeiros relatos vieram de seis mineiros que sobreviveram ao ataque. Só mais tarde as forças armadas venezuelanas descobriram sete corpos perto da mina, segundo o jornal El Pitazo.

Todas as vítimas cujos corpos foram recuperados apresentavam sinais de execução sumária: tiros na nuca. Moradores locais relataram 16 desaparecimentos.

Não houve nenhuma manifestação oficial por parte das autoridades venezuelanas sobre esses acontecimentos.

Até que ocorresse um acordo tácito entre as gangues instaladas nas regiões, aconteceram repetidos massacres nas áreas de mineração do estado de Bolívar, principalmente devido a rivalidades entre grupos criminosos chamados de “sindicatos” (sindicatos) ou “pranatos”, o último dos quais é um tipo de máfia que se originou no sistema prisional da Venezuela e os líderes são chamados de “pranas”.

Os pranatos de mineração estabeleceram-se com sucesso e agora ditam o padrão para todos os negócios ilegais que prosperam com o roubo descontrolado dos depósitos minerais da Venezuela.

Ipsis Litteris. De acordo com Alfredo Michelena, escritor do Analítica:

“Pranato, és un neologismo proveniente de otro: pran. Viene del submundo criminal venezolano e identifica al jefe o capo de los presos en una cárcel cuya red delincuencial se extiende fuera de la prisión.

Usamos pranato en vez de régimen, pues va más allá al significar una articulación o alianza con fuerzas delictivas organizadas. En él no solo participan venezolanos filocubanos chavistas, militares corruptos, Cuba y los boliburgueses, sino grupos guerrilleros como las FARC y el ELN, potencias extraregionales como Rusia, China e Irán y movimientos radicales islamitas, además de bandas criminales locales e internacionales y los miembros del Foro de San Pablo. Pero nuestro problema no es solo de derechos humanos y democracia o crisis humanitaria. El pranato venezolano al ser parte de las ‘organizaciones delictivas transnacionales’ es además una “amenaza más inmediata para nuestro hemisferio”, como planteó
Rex Tillerson.”

[Mantive o texto original de Michelena para transmitir a força da linguagem. Creio que o espanhol não seja tão difícil de ser compreendido. De qualquer modo, a tradução pode ser lida clicando-se aqui].

Além do que, a palavra ‘pranatos’ remete à uma situação que o Brasil conhece muito bem e que traz à mente a cela de número 13 em Curitiba.

O deputado Américo de Grazia, representante do Estado de Bolívar na Assembleia Nacional, foi um dos primeiros a fazer a denúncia.

As comunidades indígenas e mineradoras relatam a presença do ELN em El Bochinche desde novembro de 2017”, disse ele.

Continuando, de Grazia afirmou: “O ELN está avançando na Venezuela em busca de novas oportunidades para expandir suas economias criminosas”.

O congressista De Grazia explicou que aproximadamente 100 membros armados e uniformizados do ELN se estabeleceram em El Bochinche, onde ocorreu o último ataque contra mineiros.

“Eles se apoderaram da operação madeireira de Hermanos Hernández e instalaram um acampamento lá”, acrescentou.

De Grazia também alegou que o ELN e as autoridades governamentais nas áreas de mineração formaram uma aliança como parte de uma rede de corrupção que chega até Caracas e envolve altos funcionários militares e civis.

“O governo do presidente Nicolás Maduro está muito satisfeito com o trabalho do ELN. Eles apreciam que tenham trocado os pranatos no controle da mineração ilegal. O governo pensa no ELN como pessoas sérias com quem eles podem negociar. É por isso que eles estão agindo com impunidade. Eles se mudaram para Cedeño (um município no estado de Bolívar) e assumiram a mineração de coltán e diamantes. Agora, há cerca de um ano, nós os vimos brigando pelas minas de ouro do outro lado do país, na fronteira com a Guiana”, disse o político.

O presidente colombiano, Iván Duque, também mencionou a probabilidade de o ELN transferir alguns de seus enclaves criminosos para o território venezuelano – com o “apoio” de Nicolás Maduro.

De sua parte, o governo venezuelano acusa o ELN de invadir a Venezuela e transfere a culpa para a incompetência da Colômbia em detê-los. Fingem ‘indignação’ para que as aparências sejam mantidas. Só isso.

A presença do ELN a mais de 1.500 quilômetros da fronteira colombiana pode significar que estão prontos para entrar em outra guerra – desta vez para o ouro – e suas primeiras batalhas serão com as gangues criminosas que operam ao longo das fronteiras com a Guiana e o Brasil.

Javier Tarazona, diretor da organização não-governamental Fundaredes, tem acompanhado a expansão do ELN na Venezuela. Ele concorda com De Grazia em relação à mudança em “governos criminosos” nas regiões de mineração do país:

“O governo perdeu o controle do pranatos de mineração e está apelando para o poder de fogo que o ELN tem. Eles estão operando como um braço armado do partido a fim de manter os lucros da mineração ilegal.

A situação atual na Venezuela – em parte porque as autoridades parecem não ter a vontade de intervir – torna mais fácil para o grupo encher seus cofres e fortalecer suas estruturas criminais com os recursos que obtém da mineração de ouro.

Adicione a isso a pressão que o governo colombiano está colocando sobre o grupo guerrilheiro para acabar com o cessar-fogo, e, buscar refúgio do outro lado da fronteira pode parecer uma opção atraente para o ELN mais do que nunca”.

Uma recente reunião na Venezuela entre os líderes de dois grupos guerrilheiros colombianos pode sinalizar que esses grupos solidificaram suas atividades criminosas na Venezuela, onde é mais fácil para eles agirem e fugir das autoridades.

Em 3 de dezembro, o jornal La Silla Vacía informou que uma reunião foi realizada em outubro de 2018 entre os principais líderes do Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Algumas fontes também disseram à La Silla Vacía que membros do partido político Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC) também estavam presentes.


Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)

Segundo foi apurado, os dois grupos “estão coordenando suas atividades para transportar a cocaína pelas rotas controladas pelo ELN na fronteira entre a Venezuela e o departamento de Arauca, na Colômbia. Depois de mais de cinco anos de guerra entre as FARC e o ELN no mesmo departamento, eles agora fizeram um pacto de não agressão”.

O periódico El Colombiano também informou sobre essa união.

“Uma potencial aliança entre os dissidentes das FARC e o ELN tem sérias implicações para a Venezuela e a Colômbia. Duas consequências, em particular, podem ser terríveis para os dois países: o aumento das atividades do crime organizado em território venezuelano e o golpe no acordo de paz da Colômbia com as FARC.

As economias criminosas que os dissidentes das FARC e o ELN trouxeram para a Venezuela tornaram-se meios de vida para muitos venezuelanos famintos e desesperados que enfrentam o agravamento da crise econômica em seu país. Essas economias, no entanto, também servem ao presidente Nicolás Maduro, que forneceu apoio aos grupos em estados como
Apure, Amazonas e Bolívar, hoje considerados enclaves criminosos.

A possibilidade de um acordo de paz entre o ELN e o governo colombiano já havia diminuído no ano passado, e a chegada do presidente Iván Duque parece ter garantido sua morte. A atual situação do grupo significa que eles tem todos os motivos para se refugiar na Venezuela, onde podem tirar proveito do apoio do governo Maduro e de alguns membros da guarda nacional.”

Agora, ELN e FARC são aliados estratégicos.

Em algumas áreas, os dois grupos já estão trabalhando juntos. Se a aliança continuar se fortalecendo, a ameaça desses grupos poderá se espalhar para além da Venezuela e da Colômbia e representar um perigo regional mais grave.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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