Feministas da Argentina saem em defesa de homicida

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A jovem Nahir Galarza, 19 anos, matou Fernando Pastorizzo com dois tiros e foi condenada à prisão perpétua na Argentina.

O crime ocorreu na madrugada de 29 de dezembro de 2017.

A jovem de 19 anos, de classe média e rosto angelical, estudante universitária em uma pacata cidade do interior do país, Gualeguaychú, mata com dois tiros seu namorado, de 20 anos. Depois, volta a pé para casa, posta uma foto no Instagram com sua vítima e a legenda “te amo para sempre, meu anjo”, dorme tranquilamente e, no dia seguinte, confessa o crime à polícia.

O juiz Mauricio Derudi, presidente do tribunal, disse, ao ler a sentença, que se tratou de um “homicídio qualificado por ser de uma pessoa com quem manteve relação amorosa”.

Grupos feministas, muito ativos na Argentina, imediatamente denunciaram que identificar o caso escondia uma leitura machista.

As queixas feministas circularam como pólvora e aumentaram assim que Galarza recebeu a condenação à prisão perpétua.

O tom das mensagens no Twitter pode ser resumido com a leitura de somente dois exemplos: “Podem me dizer, sem pesquisar no Google, o nome do feminicida de Melina Romero? E o de Candela? Não? Sabe quem matou Pastorizzo? Viu? Isso se chama patriarcado”; “Gostaria que os julgamentos por feminicídios tivessem a rapidez, a visibilidade e os resultados do julgamento de Nahir Galarza. E gostaria que os nomes dos algozes, e não os das vítimas, fossem conhecidos”.

A defesa de Galarza esteve atenta a esses debates e construiu a segunda parte da polêmica. Diante dos juízes, os advogados argumentaram que Galarza assassinou porque vivia sob o assédio de Pastorizzo, descrito como abusador e violento.

Diante da imprensa, um polêmico assistente de figuras “midiáticas” chamado Jorge Zonzoni, contratado pelos Galarza, trabalhou para limpar a imagem da jovem utilizando recursos pouco convencionais.

Zonzoni divulgou entre os jornalistas dezenas de fotos e vídeos que mostravam Nahir como uma adolescente como qualquer outra, atormentada por um homem malvado.

A família Galarza e seus advogados tentaram dessa forma se aproveitar da tragédia de centenas de mulheres maltratadas e assassinadas por seus companheiros. Mas não conseguiram convencer o tribunal.

Em sua sentença, os juízes disseram que não encontraram em provas e depoimentos indício algum de violência de gênero. E Galarza, acrescentaram, não matou por acidente, como disseram seus advogados, e sim planejou o crime em todos os detalhes.

 

Com informações do El País

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