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Franco-atiradores executando manifestantes na Nicarágua

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

Investigação do site El Confidencial revela que há um padrão nas 76 mortes em protestos no país centro-americano: disparos de armas de alto calibre feitas de posições privilegiadas.

O projétil impactou Juan Bosco Rivas Martínez entre os olhos, onde começa o septo nasal. Foi um disparo preciso. O jovem de 23 anos se agachava para recolher uma pedra quando foi alcançado pela bala. Caiu de costas e a sua cabeça bateu no pavimento. Não se sabe quanto tempo ele ficou inconsciente, mas quando voltou a si sentia que se afogava.

‘Eu senti também muita dor de cabeça. Era como se a minha cabeça fosse explodir’, recorda Rivas Martínez um mês e dos dias depois de ter sido ferido, no sábado, 21 de abril, nas imediações do bairro San Miguel, na cidade de Masaya, no oeste da Nicarágua.

O estudante secundarista foi levado pelos seus “companheiros de trincheira” ao hospital público Humberto Alvarado, onde os médicos a princípio não queriam atendê-lo; os gemidos do jovem obrigaram-nos a agir. Tiraram uma radiografia e determinaram que ele fora ferido “por uma pedrada”. Porém, um otorrinolaringologista – o único que “se portou bem com meu filho”, nas palavras da mãe, Ana María Martínez – se escandalizou ao ver a radiografia.

“O otorrino me disse que o que eu tinha era uma bala”, descreve Rivas Martínez, na sua pequena casa em Masaya. Um projétil de 23 milímetros de fuzil AK-47 que ficou alojado a um milímetro do forame magno, uma grande abertura através do osso occipital, na parte posterior do crânio, conduto por onde passam as terminações do sistema nervoso central e conecta o cérebro com a medula espinhal. É “um milagre” que ele esteja vivo, segundo os médicos que o atenderam.

O caso de Rivas Martínez ilustra totalmente o padrão dos disparos contra os manifestantes que têm tomado conta das ruas em diversas cidades do país desde o começo de abril, pedindo que o casal renuncie ao governo. São feridas letais na cabeça, pescoço e tórax. Os feridos mais graves por arma de fogo foram levados ao Hospital Antonio Lenin Fonseca, na capital, Manágua. A unidade de neurocirurgia tem estado cheia. São pacientes que chegam com crânio perfurado, rompido, e alguns com morte cerebral.

O site Confidencial obteve acesso a 19 tomografias realizadas no hospital Lenin Fonseca, entre as quais 15 correspondem a pacientes feridos com armas de fogo na cabeça. Pelo menos oito deles faleceram, segundo os médicos consultados. Suas identidades foram confirmadas pela reportagem e pelo Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh).

 

Leia o restante da matéria no site da Agência Pública

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