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A grande mídia vai se retratar por publicar outra fake news?

Quase todos os veículos da velha imprensa publicaram a notícia falsa sobre o autor do massacre na escola da Flórida ser um supremacista branco. A polícia dos Estados Unidos desmentiu. Onde estão as retratações?

Os jornalistas da grande mídia adoram falar sobre os perigos das fake news. Mas, qual a desculpa deles após serem flagrados propagando informações falsas para construir uma narrativa de ódio racial?

Ontem (15/02), o jornal local Tallahassee Democrat publicou matéria com informações concedidas por autoridades policiais negando qualquer envolvimento de Nikolas Cruz, autor do massacre na escola da Flórida, com o grupo supremacista branco Milícia da República da Flórida. No entanto, o estrago já estava feito. Jornalistas da grande mídia repassaram a notícia como se fosse a mais pura verdade.

A revista IstoÉ também publicou matéria sobre o assunto com o título “Polícia nega ligação de atirador da Flórida com supremacistas“:

A polícia dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira (15) que o jovem que assassinou 17 pessoas em uma escola na Flórida tenha ligações com supremacistas brancos.

A notícia chega pouco depois de o líder de uma milícia extremista ter dito à agência “Associated Press” que Nikolas Cruz, 19, era integrante do grupo e passara até por treinamentos “paramilitares”. “Não há nenhuma ligação”, afirmou Grady Jordan, porta-voz do xerife do condado de Leon, base da “República da Flórida”, organização que defende a supremacia branca.

Através de uma pesquisa na ferramenta de busca do Twitter, RENOVA conseguiu elaborar a trajetória desta notícia falsa pela internet brasileira para entender como a manipulação midiática aconteceu.

O primeiro perfil brasileiro no Twitter a publicar a informação falsa foi o jornalista William de Lucca às 15:52 da quinta-feira (15/02). Ele se descreve na sua bio como um “socialista, palmeirense, gay, ateu, vegetariano, ativista de direitos humanos“.

William citou o jornal The Daily Beast como fonte. Uma rápida leitura na matéria deixa claro que os autores do texto utilizaram as palavras de Jordan Jereb – líder de um pequeno grupo supremacista branco – como evidência cabal.

Após aproveitar seus quinze minutos de fama, depois que a polícia desmentiu o envolvimento de Nikolas Cruz com o grupo, Jordan admitiu que tudo não passou de uma confusão.

31 minutos depois, o portal G1 se torna o primeiro veículo da grande mídia a propagar a notícia.

Um trechinho da matéria que deixa claro a qualidade jornalística da velha imprensa:

Segundo a Liga Anti-Difamação, Cruz, de 19 anos, era associado ao grupo Republic of Florida (ROF). As primeiras citações ligando o jovem ao grupo foram feitas em um fórum na internet e a ONG então entrou em contato com um telefone do grupo supremacista para verificar a informação.

Ou seja, após verificar mensagens no fórum 4Chan – tratado pela grande mídia como um site da extrema-direita, uma ONG entrou em contato com o tal líder Jordan Jereb.

Sem verificar a informação com a polícia nem com as agências de inteligência do país, a grande mídia correu para publicar a notícia utilizando as palavras por telefone de uma única pessoa como evidência.

10 minutos depois, quando o relógio marcava 16:36, o jornal Estadão publicou matéria no Twitter colocando Nikolas Cruz na extrema-direita.

Depois que duas das maiores mídias do Brasil publicaram a notícia, uma quantidade impressionante de fake news começou a ser disseminada pelas redes sociais.

Os petistas não poderiam ficar de fora da manipulação. Eles passam metade do ano criticando os grandes veículos de comunicação, mas não perdem a oportunidade de impulsionar a narrativa da velha imprensa.

Jornalistas e sub-celebridades da internet brasileira também aproveitaram para espalhar a narrativa falsa.

Concluímos esse artigo com a mesma pergunta do início: “Onde estão as retratações?”

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