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Greenwald ameaça Moro com divulgação de outras mensagens hackeadas

Greenwald ameaça Moro com divulgação de outras mensagens hackeadas
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

“O tamanho do arquivo que temos é maior do que o arquivo que recebemos do Snowden. E, até aquele ponto, era o maior vazamento da história do jornalismo”, disse o editor-chefe do The Intercept.

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, um dos responsáveis pela série de reportagens do site The Intercept, disse que ainda possui um grande volume de dados não publicados que reforçariam a atuação indevida do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, para influenciar as ações da Lava Jato.

Em entrevista concedida nesta segunda-feira (10) ao site UOL, Greenwald declarou:

“Temos mais materiais envolvendo o papel do Moro na Lava Jato, mostrando que ele é um chefe da força-tarefa, que criou estratégias para botar Lula e outras pessoas na prisão, e atuou quase como um procurador, não como juiz.”

O jornalista, que também é um dos fundadores do The Intercept, destacou a ampla gama de arquivos que recebeu de uma fonte anônima:

“O tamanho do arquivo que temos é maior do que o arquivo que recebemos do Snowden. E, até aquele ponto, era o maior vazamento da história do jornalismo.

Eu acho que as consequências pelo menos para o Brasil serão iguais ou maiores que as consequências do Snowden. [A Lava Jato] é um processo que durou cinco anos, botou muitas pessoas e dois ex-presidentes na prisão. Que tirou a pessoa que estava liderando a corrida presidencial em 2018 [o ex-presidente Lula], deixando alguém como [Jair] Bolsonaro ganhar. Para mim, qualquer material que mostra que tinham comportamentos e ações antiéticas e corruptas nesse processo é enorme.”

Questionado sobre o convite de Bolsonaro para Moro integrar o seu governo, Greenwald completou:

“Temos conversas que ainda não reportamos sobre o Moro estar pensando na possibilidade de aceitar uma oferta do Bolsonaro, caso ele ganhasse. Isso foi antes da eleição, acho que depois do primeiro turno.

E tem pessoas dentro da força-tarefa da Lava Jato, outros procuradores, falando que isso iria destruir a reputação da Lava Jato, porque iria criar uma percepção de que o tempo todo não foi uma apuração contra a corrupção, nem uma apuração do Judiciário. Mas uma apuração política para impedir a esquerda e empoderar a direita.

E o fato de que o mesmo juiz que condenou o principal adversário do Bolsonaro e depois receber essa oferta para ser muito poderoso já foi muito estranho para o mundo. Mas o fato de que ele fez isso usando um comportamento proibido é ainda pior.”

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