Guerra Civil na Etiópia: entenda o conflito

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O conflito tem grandes chances de se transformar em uma guerra civil de larga escala.

Apesar da pouca cobertura da imprensa internacional, a integridade política da Etiópia, a segunda nação mais populosa da África, está em jogo com o país à beira de uma guerra civil. 

A tragédia humanitária já se estende para países vizinhos: pelo menos 27 mil etíopes cruzaram a fronteira para o Sudão nas últimas duas semanas. 

Este é o maior influxo no país em 20 anos. 

O que estamos vendo na Etiópia pode ser o último suspiro de um império para cerca de 115 milhões de pessoas. Então, como nós chegamos até aqui? 

Frente de Libertação do Povo Tigray da Etiópia (TPLF), o partido político da região de Tigray, está em conflito contra o governo central. 

No último dia 4 de novembro, o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed declarou guerra à TPLF, lançando uma ofensiva militar em resposta a um ataque contra o Comando do Norte, a divisão mais poderosa do exército etíope. 

Militares da Etiópia na região de Tigray

CONTEXTO HISTÓRICO 

A Etiópia é formada por um complexo mosaico de grupos étnicos. De acordo com números do censo de 2007: 

  • Oromo (34%) 
  • Amhara (27%) 
  • Somalis (6,2%) 
  • Tigray (6%).  

Durante a maior parte do século 20, o país foi governado por uma monarquia dominada pelos Amhara.  

Depois de quase duas décadas de uma cruel ditadura militar, um novo governo de coalizão assumiu o poder em 1991, dominado pela minoria Tigray.  

O atual premiê Abiy — que é metade Oromo, metade Amhara — chegou ao poder em 2018, prometendo realizar eleições até 2020.  

O relacionamento de Abiy com os membros da TPLF se deteriorou rapidamente desde então.  

Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed

PANDEMIA INTENSIFICOU A CRISE 

As tensões, que vinham esquentando há algum tempo, chegaram a um ponto de ebulição após a decisão do primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, de adiar as eleições gerais por causa da pandemia do coronavírus.  

Determinados a afirmar sua própria autoridade, os líderes da TPLF lançaram uma eleição na região de Tigray, desrespeitando as instruções de Abiy.  

Os legisladores responderam cortando a TPLF do orçamento do governo federal. 

Abiy está dizendo aos etíopes e ao mundo que o que está acontecendo é uma curta operação militar, que terminará com a rendição ou prisão dos principais líderes da TPLF.  

No entanto, poucos acreditam que os Tigrays aceitarão o status de segunda classe novamente.  

Mesmo que ele consiga capturar alguns dos líderes da TPLF, haverá uma nova geração para ocupar o lugar deles. 

O que estamos testemunhando é uma tragédia, não se engane. O conflito tem grandes chances de se transformar em uma guerra civil de larga escala. 

Forças Armadas da Etiópia

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