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Infanticídio indígena não ocorre ‘só com recém-nascidos’

Infanticídio indígena não ocorre 'só com recém-nascidos'

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Tradição indígena faz pais tirarem a vida de crianças com deficiência física. A prática acontece em pelos menos 13 etnias indígenas do Brasil.

Você acha certo matar crianças por causa de deficiência física? Muitas tribos indígenas do Brasil entendem que sim.

A prática acontece em pelos menos 13 etnias indígenas brasileiras, principalmente nas tribos isoladas, como os suruwahas, ianomâmis e kamaiurás, informa uma matéria do “Fantástico” de 2014.

Crianças com deficiência física, gêmeos, filho de mãe solteira ou fruto de adultério podem ser vistos como amaldiçoados dependendo da tribo e acabam sendo envenenados, enterrados ou abandonados na selva.

O pesquisador Júlio Jacobo, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, confirmou que após começar a “pesquisar efetivamente as certidões de óbito”, viu que muitas registravam “crianças de cor ou raça indígena, de 0 a 6 dias de idade”.

A trágica história de Pituko Waiãpi

Nascido há 37 anos numa aldeia waiapi, localizada no interior do Amapá, Pituko tinha paralisia infantil e estava condenado ao sacrifício, mas foi retirado da tribo pela Funai.

O garoto indígena cresceu entre os homens brancos e, aos sete anos, foi levado de volta para a tribo.

“Uma assistente social não entendia do costume da aldeia. Ela não sabia que ele não podia mais voltar e o mandou de volta”, conta Silvia Waiãpi, irmã de Pituko, ao “Fantástico“.

O garoto, que vivia carregado pela mãe, pai ou irmão mais velho, relembrou o momento em que quase foi sacrificado por seu progenitor:

“E aí um dia minha mãe cansou de me carregar e deu para o meu pai. Quando foi na hora de atravessar o rio, meu pai começou a ameaçar que eu não servia para nada, que eu merecia ser morto. A minha mãe escutou isso e gritou que não era para ele fazer isso comigo.”

A irmã completou a história:

“A minha mãe o deu para um dentista e a única palavra que ele sabia falar em português era: ‘Embora. Embora. Embora’.”

Pituko Waiãpi só voltou a ver os pais quando tinha 21 anos.

O caso da indígena Kanhu Raka Kamayurá

Até os cinco anos de idade Kanhu Raka Kamayurá, índia nascida no Parque do Xingu, no Mato Grosso, teve uma infância normal.

Os pais, membros da tribo kamayurá, começaram a perceber que, durante as brincadeiras com outras crianças, ela por vezes ficava para trás nas correrias, mas não consideraram um problema grave.

Então algo mudou. Os sintomas da distrofia muscular progressiva, doença que enfraquece os movimentos até impossibilitar que a pessoa caminhe, começaram a aparecer.

Os mais velhos da aldeia pressionaram o avô e o pai de Kanhu para que dessem uma solução para o problema, que neste caso, de acordo com a cultura tradicional dos kamayurá, seria o sacrifício da garota.

A trágica história da jovem índia Khanu, que conseguiu escapar da morte por intermédio de missionários religiosos, foi publicada pelo jornal espanhol “El País” no fim do mês de dezembro.

Kanhu Raka Kamayurá na rua de sua casa em Brasília. | Foto: ED FERREIRA

Apenas com recém-nascidos?

Em matéria publicada nesta quinta-feira (31), a revista “Época”, parte do conglomerado da Rede Globo, publicou uma matéria onde indígenas acusam a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, de ter sequestrado uma criança de seis anos da aldeia dos Kamayurá, conforme noticiou a RENOVA.

Importante ressaltar que a tribo Kamayurá é a mesma cujos pais iriam sacrificar a jovem Kanhu Raka depois dos cinco anos de idade.

Segundo a ministra, a criança não foi raptada, muito pelo contrário. Em resposta à revista, Damares afirma que Lulu Kamayurá foi salva de infanticídio porque seria morta por enterramento pelo própria mãe.

Natália Portinari, uma das jornalistas responsáveis pela matéria da Época, ao ser informada por internautas sobre este “pequeno” detalhe, utilizou suas redes sociais para esclarecer sua posição.

“Lulu não foi salva de ser enterrada por Damares. Isso só ocorre com recém-nascidos”, disse a jornalista da Globo, ignorando os vários exemplos registrados Brasil afora, inclusive os dois casos citados nesta matéria da RENOVA.

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