Interior de SP em alerta por aumento em casos de raiva animal

Infecções vêm aumentando desde 2017 e, neste ano, cresceram 53% de janeiro a junho. Bovinos, equinos e suínos são as maiores vítimas.

Os casos de raiva animal aumentaram 87% em 2017, no Estado de São Paulo, em comparação com 2016, segundo dados da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. Foram 196 casos positivos em bovinos, equinos e ovinos no ano passado, contra 105 do ano anterior. Este ano, os números continuam altos.

De janeiro até esta segunda-feira, 18, houve 101 casos positivos de raiva em bovinos, equinos e suínos, além de dois casos em cães e gatos – aumento de 53% no período.

Bovinos estão entre os mais atingidos pelo vírus.

Cows grazing in a field

A morte de animais contaminados pelo vírus da raiva causa alertas sanitários em cidades do interior. A doença, de alta letalidade, pode ser transmitida para o homem, principalmente pela saliva do animal doente.

A morte de animais contaminados pelo vírus da raiva causa alertas sanitários em cidades do interior. A doença, de alta letalidade, pode ser transmitida para o homem, principalmente pela saliva do animal doente.

Em Angatuba, a Defesa Agropecuária confirmou na sexta-feira, 15, a presença do vírus em um cavalo que morreu com sintomas da doença. Na mesma propriedade, foi localizada uma colônia de morcegos hematófagos – que se alimentam do sangue dos animais -, possíveis transmissores da doença.

Uma equipe especializada iniciou a captura dos morcegos para aplicação de uma pomada vampiricida.

Os animais tratados são soltos e acabam espalhando o veneno para o resto da colônia. Pessoas que tiveram contato com o cavalo estão sendo identificadas e vacinadas contra a raiva. Foi o segundo caso da doença em Angatuba nos últimos dez anos. Em Monte Mor, região de Campinas, oito animais morreram este ano em decorrência da infecção pelo vírus. A doença atingiu bovinos e equinos jovens e adultos. Jundiaí teve cinco mortes confirmadas este ano.

De acordo com o médico veterinário Paulo Antonio Fadil, responsável pelo Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros, nas regiões com casos positivos estão sendo realizadas inspeções para o controle de focos do morcego. Este ano, foram realizadas 1,6 mil inspeções em abrigos, resultando na captura de 2,9 mil morcegos hematófagos. “Sempre que há suspeita ou diagnóstico positivo para raiva animal, uma equipe de controle é mobilizada para realizar a fiscalização no entorno do foco”, explicou.

O controle da raiva em animais de companhia, como cães e gatos, é feito pela Secretaria da Saúde devido à maior proximidade desses animais com o homem. Em maio deste ano, foi confirmado um caso positivo de raiva em um cão, em Santa Fé do Sul. O animal morreu e a vacinação de cães e gatos, prevista para outubro, foi antecipada para o início de junho.

Em Piracicaba, um gato morreu com a doença no bairro Ibitiruna. A raiva foi confirmada em análise no Instituto Pasteur. Cães e gatos foram vacinados num raio de cinco quilômetros. A Vigilância Epidemiológica entrou em contato com a família e aplicou soro e vacina nas pessoas que tiveram contato com o animal. Em Americana, foi confirmada a raiva num morcego encontrado morto no bairro Antonio Zanaga. Cães e gatos estão sendo vacinados.

Mais uma pessoa morre com suspeita de raiva no Pará

Número de casos subiu para 14, com sete óbitos, sendo um confirmado laboratorialmente para a doença

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) confirma que mais uma pessoa morreu no Pará com suspeita de raiva humana. Já são 14 casos suspeitos de raiva, com sete óbitos, sendo um confirmado laboratorialmente para a doença. O último paciente morreu na quarta-feira, 16, no Hospital Santa Casa. Até então, eram 12 casos notificados para a doença, com seis óbitos, sendo um deles já confirmado.

Até o momento, quatro pacientes seguem internados na Santa Casa, em Belém, dois no Hospital Regional de Breves e um no Hospital Municipal de Breves. A maioria em estado grave. Coletas sorológicas foram realizadas em todos os pacientes que foram internados, inclusive nos que morreram. Os exames foram enviados para o Instituto Pasteur, em São Paulo, referência no diagnóstico de raiva.

As ações preventivas também aumentaram. No total foram enviadas 2 mil doses de vacinas antirrábicas e mais 600 frascos de soros antirrábicos. As ações se concentram em localidades ao longo do rio Laguna, cerca de 70 km de Melgaço, onde residem aproximadamente 1 mil pessoas.

Até o momento, 700 pessoas tomaram a vacina, que é administrada em quatro doses. Também foram entregues 500 mosquiteiros para a proteção dessa população.

Técnicos da Sespa também fazem a captura de morcegos com o intuito de diminuir a população e fazer o monitoramento. Além disso, é feita coleta de amostras desses animais para exame que detecta a doença.

Desde o dia 4 de maio, equipes da Vigilância Epidemiológica e Vigilância em Saúde estão no local para investigar as suspeitas, em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e o Ministério da Saúde.

Todas as vítimas apresentam quadro semelhante, com sinais e sintomas como febre, dispneia, cefaleia, dor abdominal e sinais neurológicos – paralisia flácida ascendente, convulsão, disfagia (dificuldade de deglutir), desorientação, hidrofobia e hiperacusia (sensibilidade a sons, principalmente agudos).

 

Pelo voluntário Walter Barreto com informações do Estado de Minas
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia