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Janaina Paschoal fala sobre censura do Caetano Veloso contra Flavio Morgenstern: “Tiranos são sempre ridículos”

Janaina-Paschoal-Brasil

Caetano Veloso tenta calar a internet. Primeiro processou Flavio Morgenstern, depois Olavo de Carvalho. Quem será o próximo alvo do marido de Paula Lavigne?

A advogada Janaina Paschoal ofereceu sua abalizada opinião sobre o caso envolvendo Morgenstern e Veloso no site Migalhas:

Conheci Flávio Morgenstern, em meio às manifestações de 2013, ele estava escrevendo Por trás da máscara e decidiu me entrevistar. Veio com uma ideia formada a meu respeito e, durante a entrevista, intrigou-se por encontrar um tipo completamente diverso do que imaginava.

A título de exemplo, consigno que ele tinha certeza de que eu apoiaria um projeto de lei que visava proibir o uso de máscaras durante as manifestações. Expliquei que não considerava o projeto bom, uma vez que, a depender do grau de repressão, mostrar o rosto poderia ser uma sentença de morte. O que vem ocorrendo na Venezuela mostra que eu tinha alguma razão.

Desde aquele primeiro encontro, mantenho contato com Flávio Morgenstern, a quem me refiro como Morgan. Nunca fui à casa dele. Ele nunca foi a minha casa, mas existe alguma identidade em nossas preocupações, muito embora haja muitas divergências em nossas convicções.

Conheço Caetano Veloso há muito mais tempo. Não pessoalmente, mas pelas músicas.

Lembro também de um programa que, durante um período, ele fez com Chico Buarque, na televisão. Eu não perdia um. Acredito que foi a primeira vez que vi tantos abraços e beijos entre dois homens. Caetano sempre foi sinônimo de ousar.

Nos últimos meses, Caetano ganhou protagonismo (ainda mais) em um tal movimento contra a censura às artes.

Primeiro, indignou-se contra protestos referentes a uma exposição em Porto Alegre; depois, indignou-se com relação às objeções a uma exposição em Belo Horizonte; por fim, indignou-se contra os protestos referentes à performance de um homem nu, em São Paulo.

O conceito de censura é algo vago. A repulsa popular pode ser considerada censura? Asfixiar a repulsa popular também não seria uma forma de censurar?

Ou seria censura apenas um ato institucional, governamental, que cerceia a sociedade civil com relação as suas muitas manifestações artísticas, políticas e individuais?

Pobre de quem almeja encontrar respostas categóricas a essas indagações, seja na doutrina, seja na jurisprudência. Quem ousar buscar essas respostas, findará como Nekhludoff, o protagonista do imbatível Ressurreição de Tolstoi.

Para quem não sabe, Nekhludoff leu todos os grandes criminólogos de sua época, para tentar descobrir o que, afinal, legitimaria o fato de um homem punir um outro homem.

As perguntas sem respostas absolutas fazem parte da aflição de Ser Humano.

Pois bem, eis que Caetano passou a liderar movimento que, em sua visão de mundo, entendeu que fixar indicação etária feriria a liberdade de expressão. Concepção claramente adotada pelo tradicional programa global Fantástico.

Ocorre que a maior parte da população, corretamente ou não, preferiu apoiar a agora famosa Dona Regina, entrevistada pela própria Rede Globo de Televisão.

Dona Regina, quando indagada sobre o homem nu, disse não haver problemas, que respeitava a arte, mas que uma criança não poderia ser exposta àquilo. Aquilo, em sua fala figurada, seria o pênis do artista.

Toda ação tem uma reação, ao tentar censurar o que entendeu como censura do povo, Caetano estimulou os novos artistas.

Alguém tem dúvidas de que a criação de memes na internet é uma nova forma de arte? Ou comprarão a versão elitista de que apenas as charges publicadas pelos grandes jornais o são?

Leia o restante do texto no site original da publicação clicando AQUI.

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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