Jovens presos por protestos denunciam agressões na Nicarágua

Jovens presos nos protestos que estão sacudindo a Nicarágua abriram o jogo sobre as surras sofridas pelas mãos de autoridades policiais e do sistema penitenciário, antes de serem libertados quase nus.

“Iam batendo em todos, chutando o estômago, socando, e com o garrote que usam, batiam em nossas cabeças”, contou Marvin Guevara, de 26 anos, à AFP.

Segundo informações da Isto É:

Guevara disse que na sexta-feira (20) deixou sua comarca de Chiquilistagüa para se juntar aos protestos realizados pelos jovens da Universidade de Engenharia contra uma reforma da previdência, e que foram cercados e agredidos por grupos ligados ao governo.

Os partidários do governo “me agarraram, tiraram tudo de mim, me bateram e me entregaram à polícia, que estava no Estádio Nacional esperando”, afirma.

“Quando a polícia me recebeu, voltou a bater”, e depois “me levaram à prisão de El Chipote (em Manágua). Não tive comunicação com meus familiares, nem pude fazer uma ligação”, contou.

Disse que, no domingo, a polícia o levou junto com outros 49 jovens em um ônibus a outra prisão, chamada La Modelo, fora da capital.

Nesse centro penitenciário, “nos colocaram para caminhar em chão de pedra, cortaram o cabelo de todos, nos pediram que preenchêssemos nossos dados” e perguntaram se tínhamos doenças, narrou com a voz embargada.

De acordo com as últimas informações sobre a crise na Nicarágua, mais de 34 pessoas já foram mortas na repressão policial imposta pelo governo esquerdista de Daniel Ortega.

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia