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Entendendo o maior escândalo da história americana

Escrito por Lucas Krzyzanovski

Antes de entender o maior escândalo político da história da maior economia do mundo, precisamos nos familiarizar com alguns nomes que são peça-chave nessa assustadora história, mas curiosamente estão escondidos das pessoas pela grande mídia corporativa.

Lembrando, sempre, que esse foi apenas o ÚLTIMO escândalo da era Obama, mas, na opinião deste que vos escreve, o maior e mais absurdo.

Michael Flynn: Tenente General reformado do exército americano. Passou mais de 30 anos na inteligência do exército, foi nomeado diretor de inteligência da defesa por Obama em 2012 e demitido pelo mesmo em 2014. Conselheiro-chefe de segurança nacional durante a primeira semana do governo Trump e conselheiro de sua campanha. Detalhe: é registrado no partido democrata.

Mike Rogers: Marechal da Marinha americana e diretor da NSA desde 2014.

Jeff Sessions: Atual procurador-geral do departamento de justiça dos Estados Unidos (DOJ). Uma mistura de ministro da justiça com procurador-geral. Ex-senador pelo estado do Alabama e um dos primeiros apoiadores de Trump dentro do Partido Republicano.

Rod Rosenstein: Vice-Procurador geral do departamento de justiça. Indicado por Sessions e Trump. Nomeou Robert Mueller como conselheiro especial do departamento de justiça em 17 de Maio, para investigar a suposta interferência russa nas eleições.

Michael Horowitz: Inspetor geral do departamento de justiça desde 2012. É responsável por investigar a conduta dos funcionários do departamento. PRESTE ATENÇÃO NESTE NOME.

Robert Mueller: Foi diretor do FBI por mais de 10 anos (assumiu o cargo uma semana antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001). Fuzileiro naval herói de guerra no Vietnã, deixou o cargo em 2013.

James Comey: Ex diretor do FBI, nomeado por Obama em 2013. Demitido por Trump em maio após recomendação do vice-procurador geral Rod Rosenstein.

Andrew McCabe: Vice-diretor do FBI.

Bill Priestap: Chefe do setor de contra-inteligência do FBI.

Peter Strzok: Agente de contra-inteligência do FBI.

Loretta Lynch: Segunda procuradora-geral do Departamento de Justiça no período Obama. O primeiro foi o criminoso Eric Holder, mas falaremos dele outro dia.

Sally Yates: Vice-procurador geral dos Estados Unidos no período em que Loretta Lynch serviu ao cargo.

Bruce Ohr e Lisa Page: Advogados do DOJ e do FBI, respectivamente.

Glenn Simpson: Jornalista do Wall Street Journal e co-fundador da Fusion GPS, empresa de inteligência política baseada em Washington DC. Basicamente, se você quer descobrir ou fabricar algum podre sobre um político (principalmente se for republicano), você contrata a Fusion GPS.

Christopher Steele: Agente aposentado do MI6 britânico. Curiosamente, atuou na maior parte de sua carreira em Moscou.

Toda a história começa em Junho de 2016. Para ser mais específico, no dia 16, onde o bilionário Donald Trump choca o mundo e o país ao declarar que iria concorrer à presidência pelo Partido Republicano, em um discurso forte, sincero e emocionante. Trump começa a reunir multidões em todos os estados americanos, crescendo cada vez mais nas pesquisas e espancando todos os outros candidatos republicanos (a maioria do establishment, oposição controlada) nas primárias do partido e colecionando inimigos em ambos os partidos políticos.

Quase um ano após anunciar que concorreria a presidência, Trump já é uma ameaça colossal ao establishment de Washington, o qual ele carinhosamente apelida de pântano, prometendo drenar o pântano se for eleito (Drain the Swamp, um dos slogans mais gritados nos comícios do então candidato).

Abril, 2016: Campanha de Hillary Clinton contrata a empresa Fusion GPS para desenterrar sujeiras sobre Donald Trump, na tentativa de enfraquecer o virtual candidato republicano à presidência.

Maio, 2016: Fusion GPS contrata Nellie Ohr, esposa do advogado do DOJ, Bruce Ohr, para liderar a pesquisa de oposição sobre Trump. No mesmo mês, a Fusion GPS contrata o agente britânico aposentado Christopher Steele para desenvolver o que ficaria conhecido como “Dossiê Russo”.

Junho, 2016: O “rascunho” do dossiê foi compartilhado com a Fusion GPS por Steele e, provavelmente, Nellie Ohr foi um dos destinatários. De acordo com Robby Mook, à época diretor de campanha de Hillary, a informação parcial do dossiê também foi dada à campanha de Clinton E ao comitê nacional dos democratas (DNC). Loretta Lynch, procuradora geral do DOJ, encontra Bill Clinton em seu jatinho particular. O conteúdo da conversa e o motivo do encontro são sigilosos até hoje.

Julho, 2016: Donald Trump ganha a indicação do partido republicano (GOP) e é oficialmente o candidato republicano à presidência dos EUA. No mesmo mês, a divisão de contra-inteligência do FBI iniciou uma investigação que, mais tarde, descreveram como uma operação de contra-inteligência que investigava a interferência russa nas eleições. No entanto, após testemunho de James Comey perante o comitê de inteligência do congresso, sabemos que foi uma operação de contra inteligência do FBI contra o então candidato Donald Trump. Imediatamente após Donald Trump ganhar a indicação do GOP, um pedido FISA sobre Trump foi negado. FISA é um tribunal específico dos EUA que investiga interferências de agentes estrangeiros em solo americano, tendo o poder de aceitar ou recusar o pedido do governo para espionar um cidadão estrangeiro OU cidadão americano com tais laços suspeitos. O momento aqui é muito importante, pois o tribunal FISA foi utilizado para grampear e monitorar o candidato Trump e membros de sua campanha.

Outubro, 2016: O governo Obama envia um novo pedido ao tribunal da FISA, agora focado em um servidor de computador na Trump Tower suspeito de laços com bancos russos. Nenhuma evidência é encontrada, mas os grampos telefônicos continuam, aparentemente, por razões de segurança nacional. A administração Obama está agora monitorando uma campanha presidencial oposta usando os poderes de vigilância de alta tecnologia dos serviços de inteligência federais. NOTA: Usando todas as 16 agências de inteligência disponíveis para o braço executivo, INCLUINDO A NSA.

Novembro, 2016: Trump é eleito o 45º presidente dos Estados Unidos. Na quinta-feira, 17 de novembro, o diretor da NSA, Mike Rogers, viajou para Nova York e se encontrou com o presidente eleito Donald Trump. Segundo reportagem do Washington Post, o presidente Obama considera seriamente demitir Rogers pelo encontro. Lembrando: Rogers foi o ÚNICO diretor de algum serviço de inteligência que manteve o seu cargo na administração Trump. Rogers avisou Trump que sua equipe de transição estava sendo monitorada? Como Trump sabia que estava sendo monitorado? Rogers é um patriota e se recusou a participar desse escândalo, avisando Trump? Muito provável. O fato é que, no dia seguinte, sexta-feira, 18 de novembro, o presidente Trump mudou a equipe de transição da Trump Tower para seu campo de golfe em Nova Jersey.

Dezembro, 2016: Michael Flynn inicia conversas com representantes de outras potências. No mesmo período, a administração Obama se esforça para impor sanções aos russos. Como parte de um novo pensamento e uma nova estratégia em política externa, Flynn se comunica com Kislyak, embaixador russo, e diz que as relações entre os dois países vão mudar, pedindo que os russos não aumentem a escalada com os Estados Unidos. Além disso, Flynn já havia sido contratado pela emissora russa RT como comentarista político, aumentando as especulações da mídia de que Flynn seria um colaborador Russo que aconselhava Trump e demonstrando que a Rússia teria “interferido na eleição a favor de Trump”.

Janeiro, 2017: Trump assume o cargo em 20 de janeiro. No dia 24, o agente Peter Strzok vai à Casa Branca entrevistar Michael Flynn (sem a preseça de seu advogado) sobre suas supostas ligações com à Rússia. Flynn diz que NÃO discutiu sanções com o embaixador Kislyak. No dia 26, a vice-procuradora geral Yates e Bill Priestap viajam juntos para a Casa Branca para informar Don McGhan (Advogado da Casa Branca) de que Michael Flynn realizou “declarações enganosas” (Baseado nas declarações do vice presidente Pence à alguns canais de televisão de que ninguém na administração teria discutido sanções com os russos). Sally Yates e Bill Priestap apresentam todas as informações a Don McGahn, “para que a Casa Branca pudesse tomar medidas que considerassem apropriadas”. Não houve nada de errado com o novo consultor de segurança nacional ter reuniões com representantes estrangeiros ou discutir questões como as sanções nessas reuniões. No entanto, mentir para o FBI é o crime que levou a demissão de Flynn.

  • A campanha de Clinton contratou a empresa que preparou o dossiê.
  • O dossiê foi utilizado para obter vigilância FISA.
  • Os mandados da FISA foram o predicado para a escutas telefônicas e a vigilância.
  • A escuta telefônica/vigilância foi o método para a espionagem da equipe de Trump.
  • As espionagens geraram as acusações de Robert Mueller contra o conselheiro de segurança nacional Michael Flynn.

Lembram de Michael Horowitz? Pois bem. No dia 12 de Janeiro, ANTES da inauguração de Donald Trump, o inspetor geral do DOJ anunciou que estava iniciando uma investigação sobre a POLITIZAÇÃO do departamento de justiça e do FBI durante as eleições. “Algo” a ver com James Comey retomando as investigações e depois inocentando a então candidata Hillary Clinton? Já voltaremos a falar de Michael Horowitz.

Março, 2017: No testemunho do então diretor do FBI, James Comey para o congresso, a republicana Elise Stefanik questiona Comey o porquê do Congresso não ter sido notificado da operação de contra-inteligência do FBI. Um desconfortável Comey disse que não contou a supervisão do Congresso que ele estava investigando o candidato presidencial Donald Trump porque o diretor de contra-inteligência sugeriu que ele não o fizesse, devido a “sensibilidade” da operação. VEJA.

O congresso americano tem um grupo que DEVE ser notificado pelo executivo (FBI) sobre todo e qualquer tipo de operação de contra-inteligência. O Gang of Eight, grupo formado por líderes de ambos os partidos, NÃO foi notificado sobre a operação e vigilância sob o então candidato Donald Trump e isso foi, basicamente, o motivo da demissão de Comey. Lembrando que a demissão foi uma RECOMENDAÇÃO feita pelo vice-procurador-geral, Rod Rosenstein, o mesmo que indicou Mueller para o cargo de conselheiro especial.

Maio, 2017: Rod Rosenstein anuncia a nomeação de Robert Mueller como conselheiro especial das investigações sobre a interferência russa nas eleições de 2016, após o procurador geral Jeff Sessions se recusar a chefiar a investigação.

Dezembro, 2017: A investigação de Mueller não chegou a lugar algum e agora sabemos que o inspetor geral Michael Horowitz está prestes a entregar os resultados de sua investigação sobre a politização do departamento de justiça e do FBI.

 

Onde isso vai chegar?

Sabemos até agora que a campanha de Clinton pagou por um falso dossiê que poderia complicar o seu adversário Donald Trump. O FBI e o DOJ receberam esse dossiê através do seus advogados Bruce Ohr e Lisa Page. Com o dossiê em mãos, a administração Obama obteve vigilância sobre um adversário político, prática digna de ditadura. Com a repercussão da suposta interferência russa nas eleições, o departamento de justiça foi pressionado a investigar. O procurador geral Jeff Sessions se recusou a liderar a investigação, forçando o vice procurador geral Rod Rosenstein a indicar um conselheiro especial isento. O nome escolhido é o ex diretor do FBI, Robert Mueller.

Há algumas teorias circulando pelas redes nos EUA de que Mueller seria um aliado de Trump e estaria investigando, na verdade, o escândalo do Urânio. Porém, na minha opinião, Mueller é uma distração de Rosenstein, para a verdadeira investigação: a do inspetor geral do DOJ.

Investigando a politização do DOJ e do FBI, o inspetor geral poderia aconselhar (é o máximo que ele pode fazer) o procurador geral a indiciar agentes corruptos e politizados, que cumpriam ordens. Sendo assim, a investigação pode atingir os mais altos cargos da última administração, além da campanha de Hillary Clinton.

A administração Obama, através do DOJ e do FBI cooperaram com a campanha de Hillary Clinton para incriminar um adversário político e candidato à presidência dos EUA.

Há uma investigação sobre isso prestes a se tornar pública. E isso vai sacudir Washington DC.

Provavelmente Guga Chacra, Caio Blinder e toda a redação progressista da Globo News terão que noticiar a prisão de muitos dos seus ídolos, além de “descobrirem” que Trump é inocente e, na verdade, foi vitima de uma tentativa de golpe.

 

Lucas Krzyzanovski é estudante de Relações Internacionais. Confira o Médium do autor deste texto incrível.

Twitter: @LKSM1997

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